Mundo • 14:11h • 14 de setembro de 2026
Futuro dos jovens divide o Brasil entre esperança, desigualdade e insegurança
Preocupação avançou 15 pontos percentuais em um ano, enquanto insegurança e falta de oportunidades também afetam as perspectivas da juventude
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Divulgação
A pobreza e a desigualdade são consideradas os maiores desafios enfrentados pelos jovens no Brasil por 43% da população, segundo o Education Monitor 2026, da Ipsos. O índice cresceu 15 pontos percentuais em relação aos 28% registrados em 2025 e está 14 pontos acima da média dos 31 países pesquisados, de 29%.
Realizado com 23.537 adultos entre 19 de junho e 3 de julho de 2026, o levantamento coloca o Brasil próximo de países do sul global marcados por fortes diferenças socioeconômicas. A preocupação alcança 48% na Argentina, 47% na Colômbia, 44% no Peru e os mesmos 43% na África do Sul.
No cenário mundial, a saúde mental lidera as preocupações relacionadas à juventude, mencionada por 33% dos participantes. No Brasil, o tema aparece com 32%, próximo da baixa qualidade da educação, citada por 33%. Já os efeitos das redes sociais e de tecnologias como a inteligência artificial são apontados por 20% dos brasileiros, abaixo da média internacional de 30%.
Esperança no futuro convive com desejo de sair do país
Apesar das dificuldades identificadas, 56% dos brasileiros acreditam que os jovens terão uma vida melhor do que a de seus pais. O resultado supera a média global de 48% e os percentuais observados na Argentina, com 51%, nos Estados Unidos, com 41%, e na Alemanha, com 31%.
Essa esperança, contudo, divide espaço com a percepção de que as melhores oportunidades podem estar no exterior. Para 61% dos entrevistados no Brasil, os jovens teriam mais possibilidades de crescimento se mudassem para outro país, índice próximo da média mundial de 62%.
A mobilidade social também é vista com desconfiança. Apenas 39% acreditam que jovens de origem mais pobre possuem um futuro promissor, enquanto 54% discordam. A diretora de opinião pública da Ipsos, Rosi Rosendo, avalia que as desigualdades condicionam o acesso à educação, à segurança e às oportunidades profissionais, influenciando diretamente as expectativas sobre essa geração.
Brasil é considerado inseguro para os jovens
Somente 30% dos brasileiros consideram o país seguro para a juventude, 18 pontos percentuais abaixo da média global de 48%. O Brasil aparece entre os piores resultados do estudo, próximo de Peru, também com 30%, África do Sul, com 29%, e França, com 28%.
A preocupação alcança ainda o ambiente digital. Apenas 32% avaliam os espaços on-line como seguros para os jovens, enquanto 61% discordam dessa afirmação. Diante desse cenário, 67% apoiam a proibição das redes sociais para crianças menores de 14 anos, dentro e fora das escolas, abaixo da média internacional de 73%.
A utilização da inteligência artificial nas instituições de ensino divide opiniões. Enquanto 30% defendem a proibição dessas ferramentas nas escolas, 42% são contrários à medida e 28% não possuem uma posição definida. No conjunto dos países, o apoio ao banimento chega a 39%.
Educação melhora, mas ainda recebe avaliação negativa
A educação brasileira é classificada como ruim por 43% dos entrevistados, acima da média global de 35%. Outros 32% consideram o sistema bom, uma recuperação de quatro pontos percentuais em relação a 2025 e de seis pontos na comparação com 2024, embora o resultado ainda esteja abaixo dos 34% registrados em 2023.
Mesmo com a avaliação predominantemente negativa, metade dos brasileiros acredita que o sistema educacional contribui para reduzir as desigualdades sociais. A percepção positiva sobre a qualidade da educação no país também supera os resultados de Argentina, com 24%, México, com 18%, Chile, com 16%, e Peru, com 9%.
O diploma universitário permanece associado ao avanço profissional para 70% dos brasileiros, acima da média global de 66%. Além disso, 61% consideram a graduação importante para alcançar sucesso na vida, mas somente 48% enxergam uma boa relação entre o custo e o retorno financeiro da formação.
Quando questionados sobre qual caminho recomendariam à juventude, 56% indicaram o ingresso na universidade antes da entrada no mercado de trabalho, ante 49% na média mundial. Ao mesmo tempo, 42% consideram que o currículo escolar prepara adequadamente os estudantes para as profissões do futuro.
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