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Ciência e Tecnologia • 14:41h • 29 de agosto de 2026

Fita elástica no tórax pode ajudar a aliviar falta de ar em pacientes com DPOC, aponta pesquisa da USP

Técnica de baixo custo estudada no Hospital das Clínicas apresentou redução pontual de falta de ar e fadiga, mas pesquisadores ainda investigam como ela interfere na respiração

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da USP | Foto: Arquivo/Âncora1

USP testa técnica de baixo custo com fita elástica para reduzir sintomas da DPOC
USP testa técnica de baixo custo com fita elástica para reduzir sintomas da DPOC

Uma fita elástica adesiva aplicada em pontos específicos do tórax e do abdome pode contribuir para aliviar alguns sintomas da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) vêm estudando a técnica como complemento aos tratamentos existentes, e uma nova pesquisa identificou redução pontual da sensação de falta de ar e da fadiga em repouso, além de alterações na forma como tórax e abdome participam da respiração.

A DPOC é uma doença respiratória crônica e progressiva, causada principalmente pelo tabagismo e pela exposição prolongada a gases e poluentes. À medida que avança, pode tornar atividades comuns, como caminhar, subir escadas ou realizar tarefas domésticas, cada vez mais difíceis. Em 2021, foi a quarta principal causa de morte no mundo.

A técnica estudada pela USP utiliza fitas elásticas posicionadas sobre músculos do abdome e entre as costelas. A proposta é verificar se essa aplicação consegue modificar a mecânica respiratória e reduzir limitações enfrentadas pelos pacientes.

Pesquisa acompanhou 48 homens com DPOC

O estudo avaliou 48 homens não obesos com DPOC entre os graus moderado e muito grave, selecionados no ambulatório de doenças respiratórias do HC-FMUSP. Cada participante passou por avaliações com e sem a fita, permitindo comparar os resultados no próprio paciente.

Os pesquisadores utilizaram ultrassom e pletismografia optoeletrônica, técnica que emprega câmeras para avaliar tridimensionalmente os movimentos do tórax e medir as variações de volume em seus diferentes compartimentos. Os exames foram realizados em repouso e após esforço.

Os resultados mostraram alterações no padrão ventilatório e na distribuição dos volumes entre tórax e abdome. Também foi observada uma redução pontual da percepção de falta de ar e fadiga durante o repouso.

Resultado sobre o diafragma surpreendeu pesquisadores

Um dos objetivos era entender se os benefícios observados poderiam estar relacionados ao diafragma, principal músculo responsável pela inspiração. A expectativa inicial de aumento de sua mobilidade, porém, não se confirmou.

Após o esforço, houve redução da mobilidade diafragmática com a utilização da fita. Segundo os pesquisadores, o resultado não deve ser interpretado isoladamente como piora da função respiratória. A hipótese é que a fita tenha provocado uma mudança na estratégia utilizada pelo organismo para respirar, redistribuindo a participação dos compartimentos torácico e abdominal.

Essa resposta ainda precisa ser compreendida. Novos estudos deverão investigar quais mecanismos explicam os efeitos encontrados e quais grupos de pacientes podem responder melhor à técnica.

Técnica já acumula três estudos na USP

A pesquisa faz parte de uma linha desenvolvida pelo Laboratório de Investigação em Fisioterapia e Exercício (LIFFE) do HC-FMUSP. Em um primeiro estudo, a aplicação da fita por curto período foi associada à redução da falta de ar e da falta de coordenação entre os movimentos do tórax e do abdome.

Uma segunda pesquisa avaliou o uso contínuo durante 14 dias e também encontrou redução da falta de ar, além de melhora na qualidade de vida relacionada à saúde. O terceiro trabalho, conduzido por Estéfane Caroline Monteiro Reis, avançou justamente na tentativa de compreender o que acontece com a mecânica respiratória.

Os resultados até agora colocam a fita como uma possibilidade de tratamento complementar, e não como substituta das terapias utilizadas para DPOC. A próxima etapa será ampliar o perfil dos participantes e investigar por que a técnica produz determinadas alterações respiratórias antes de avaliar seu potencial de aplicação clínica.

Leia a íntegra do estudo científico aqui.

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