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Mundo • 09:23h • 11 de março de 2026

Fim da escala 6x1: proposta pode aliviar dupla jornada das mulheres

Trabalhadoras relatam exaustão e falta de tempo para filhos e lazer

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

A intenção ao revisar o modelo de trabalho e chegar à jornada de cinco dias de trabalho a cada dois de folga (5x2) é dar mais qualidade de vida à população, com aumento do tempo de descanso e lazer dos trabalhadores.
A intenção ao revisar o modelo de trabalho e chegar à jornada de cinco dias de trabalho a cada dois de folga (5x2) é dar mais qualidade de vida à população, com aumento do tempo de descanso e lazer dos trabalhadores.

A proposta busca revisar o atual formato de trabalho e avançar para a jornada 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. A intenção é ampliar a qualidade de vida da população, garantindo mais tempo para descanso, lazer e convivência familiar.

A cobradora de ônibus do Distrito Federal Denise Ulisses, de 46 anos, conhece de perto a rotina da escala 6x1. Há 15 anos ela trabalha seis horas por dia, de segunda a sábado, com folga apenas aos domingos. Além da jornada no transporte coletivo, Denise também precisa conciliar as tarefas domésticas e o acompanhamento dos dois filhos, hoje com 18 e 22 anos. Segundo ela, quando as crianças eram pequenas, a rotina era ainda mais pesada.

Com a possibilidade de mudança na jornada, Denise já imagina como poderia aproveitar o tempo livre. Ela conta que gostaria de passar mais tempo no sítio da família, saindo na sexta-feira à noite e retornando apenas no domingo.

Impactos da escala 6x1 e debate sobre a redução da jornada

O fim da escala 6x1 é considerado uma pauta prioritária pelo governo federal. Desde 2025, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, tem defendido a discussão sobre o tema e destacado que a carga de trabalho desse modelo afeta especialmente as mulheres, que muitas vezes enfrentam a chamada dupla jornada: o trabalho remunerado e as tarefas domésticas não pagas.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados com outras pessoas, enquanto os homens destinam 11,7 horas. A diferença de 9,6 horas semanais representa quase o dobro de tempo de dedicação feminina. Entre mulheres pretas e pardas, o tempo de trabalho doméstico não remunerado é ainda maior, cerca de 1,6 hora a mais por semana em comparação com mulheres brancas.

A secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, afirma que a redução da jornada pode ajudar a enfrentar essa desigualdade estrutural. Segundo ela, quando se somam o trabalho formal e as atividades domésticas, as mulheres acabam trabalhando mais do que os homens.

Para a secretária, o fim da escala 6x1 pode contribuir para uma divisão mais equilibrada das responsabilidades dentro de casa, já que os homens também teriam mais tempo para compartilhar os cuidados com a família. Ela acrescenta que a sobrecarga tem provocado impactos na saúde das mulheres, que acabam tendo menos tempo para estudar, se qualificar ou conciliar a vida pessoal com o trabalho.

A auxiliar de serviços gerais Tiffane Raany também sente os efeitos da rotina intensa. Funcionária de uma rede de academias no Distrito Federal, ela trabalha das 7h às 18h, com uma hora de intervalo para almoço, de segunda a sexta-feira, além de cumprir jornada aos fins de semana de forma alternada. Fora do trabalho, precisa cuidar da casa e do filho de 7 anos.

Para conseguir trabalhar, Tiffane paga uma cuidadora que fica com o menino no período em que ele não está na escola. Ela conta que muitas vezes chega em casa cansada e não consegue ajudar o filho nas tarefas escolares. A rotina também a levou a interromper a faculdade de educação física no quarto semestre, curso que ela pretendia concluir para melhorar a renda.

A discussão sobre a jornada de trabalho também mobiliza organizações da sociedade civil. A Articulação Nacional de 8 de Março, que reúne mais de 300 movimentos sociais, entregou ao Ministério das Mulheres o Manifesto Nacional do 8 de Março Unificado 2026, que defende o fim da escala 6x1. O documento afirma que esse modelo de trabalho reduz o tempo livre, provoca adoecimento e amplia desigualdades sociais.

Segundo o manifesto, defender o fim da escala significa também defender o direito a uma vida com mais dignidade e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Pesquisas de opinião indicam apoio significativo da população à mudança. Levantamento da Nexus, realizado entre janeiro e fevereiro de 2026, mostra que cerca de 84% dos brasileiros defendem ao menos dois dias de descanso por semana. O estudo também aponta que 73% apoiam o fim da escala 6x1, desde que não haja redução salarial.

A balconista de farmácia Jeisiane Magalhães Faria, que trabalha no Plano Piloto, em Brasília, também vive a rotina da escala 6x1 há cinco anos. Ela conta que já perdeu diversos eventos familiares por causa do trabalho. Estudante de farmácia, Jeisiane gostaria de ter mais tempo para se dedicar aos estudos e à vida pessoal. Para ela, o descanso pode inclusive melhorar o desempenho no trabalho, já que o cansaço acumulado e o deslocamento em transporte público lotado afetam a produtividade.

Apesar do apoio popular, entidades empresariais demonstram preocupação com os possíveis impactos econômicos da medida. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o fim da escala 6x1 poderia aumentar os custos das empresas em até R$ 267 bilhões por ano, o que representaria um acréscimo de cerca de 7% na folha de pagamento. Segundo a entidade, a redução da jornada sem compensação de horas poderia gerar queda na atividade econômica.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também apresentou estudos indicando possíveis efeitos negativos. A entidade calcula que a mudança poderia afetar a preservação de cerca de 631 mil empregos formais e elevar o preço de produtos consumidos pela população em até 13%. A CNC defende que eventuais mudanças sejam discutidas por meio de negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores.

Para representantes do governo e de movimentos sociais, no entanto, esses argumentos se repetem sempre que há propostas de redução da jornada de trabalho. Sandra Kennedy afirma que, historicamente, trabalhadores enfrentaram resistência semelhante em momentos de conquistas trabalhistas, como quando as jornadas eram de 12, 14 ou até 16 horas por dia.

Estudo do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Cesit/Unicamp) aponta uma perspectiva diferente. Com base em dados da Pnad Contínua, a pesquisa indica que cerca de 37% dos trabalhadores brasileiros seriam beneficiados diretamente pela mudança. A economista Marilane Teixeira estima que a redução da jornada poderia gerar até 4,5 milhões de empregos e aumentar a produtividade.

Atualmente, o tema está em discussão na Câmara dos Deputados. Em fevereiro, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou uma proposta de emenda à Constituição à Comissão de Constituição e Justiça. Caso avance, o texto seguirá para análise de uma comissão especial e poderá ser votado no plenário da Câmara.

O governo federal também avalia a possibilidade de enviar um projeto de lei com pedido de urgência para unificar as propostas que já tramitam no Congresso, caso o debate avance de forma mais lenta do que o esperado.

A discussão ganhou força também nas redes sociais e em mobilizações populares. Uma petição pública criada em 2023 pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e direcionada ao Congresso Nacional reúne quase 3 milhões de assinaturas. O documento defende a revisão do modelo atual de jornada, argumentando que trabalhadores com mais qualidade de vida tendem a ser mais saudáveis, produtivos e capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável do país.

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