Ciência e Tecnologia • 13:01h • 18 de outubro de 2026
Fez uma biópsia? Entenda o que acontece com o material coletado até chegar ao diagnóstico
Médico patologista analisa tecidos e células para identificar doenças, incluindo alterações benignas, inflamatórias e câncer; resultado pode orientar a escolha do tratamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da MGA | Foto: Arquivo/Âncora1
Depois que um paciente realiza uma biópsia, o fragmento de tecido retirado do corpo passa por uma série de procedimentos laboratoriais até se transformar em um laudo médico. O processo envolve a atuação do patologista, especialista responsável por examinar células e tecidos, identificar alterações e fornecer informações que ajudam a equipe de saúde a esclarecer diagnósticos e definir tratamentos.
Embora a biópsia seja frequentemente associada à investigação do câncer, o exame também é utilizado para identificar doenças inflamatórias, infecciosas, autoimunes e lesões benignas. Portanto, receber uma solicitação de biópsia não significa, necessariamente, que exista uma suspeita de tumor maligno.
Segundo Renata Sacchi, médica patologista e gerente geral do DB Patologia, a coleta representa apenas uma etapa da investigação. A interpretação das alterações encontradas no tecido é fundamental para compreender a condição do paciente.
O que acontece com o tecido depois da coleta?
Após a retirada, o material é encaminhado ao laboratório de anatomia patológica, onde passa por preservação e processamento. O tecido é incluído em parafina, cortado em fatias extremamente finas e colocado sobre lâminas de vidro, que recebem colorações para permitir a observação das estruturas celulares.
Com auxílio do microscópio, o patologista avalia as características das células, a organização do tecido e possíveis sinais de doenças. Essa análise também considera as informações clínicas fornecidas pela equipe responsável pelo atendimento. O prazo para a entrega do resultado varia conforme a complexidade do caso e a necessidade de exames adicionais.
Em biópsias de pele, por exemplo, a avaliação pode diferenciar lesões benignas de tumores malignos ou identificar processos inflamatórios. Já os fragmentos coletados durante uma endoscopia podem revelar alterações relacionadas a gastrites, infecções e outras doenças digestivas.
Exames complementares podem ajudar a definir o tratamento
Quando a análise convencional não é suficiente, o patologista pode solicitar técnicas complementares, como a imuno-histoquímica, que utiliza anticorpos para identificar proteínas específicas nas células.
Em determinadas situações, exames moleculares também permitem investigar alterações genéticas associadas às doenças. No caso de alguns tumores, essas informações ajudam a equipe médica a avaliar possibilidades de tratamento direcionado.
A análise anatomopatológica também pode fornecer dados sobre tamanho, extensão e margens de tumores retirados cirurgicamente, contribuindo para o estadiamento patológico e o planejamento das próximas etapas do cuidado.
Um médico que participa do diagnóstico sem atender diretamente o paciente
Diferentemente de outras especialidades, o patologista geralmente trabalha nos laboratórios e não realiza consultas com os pacientes. Mesmo assim, sua avaliação participa de decisões importantes ao longo da investigação e do tratamento de diversas doenças.
"Existe um médico por trás daquele resultado que chega às mãos do paciente. Mesmo sem participar diretamente da consulta, o patologista integra uma etapa fundamental do cuidado", explica Renata Sacchi.
A especialista ressalta que a confiabilidade do diagnóstico depende de um trabalho integrado, desde a coleta e a preservação adequada do material até a análise médica especializada.
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