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Responsabilidade Social • 15:10h • 16 de dezembro de 2025

Festas de fim de ano exigem atenção redobrada para proteger crianças e adolescentes

Levantamentos mostram que a maioria dos casos de violência ocorre dentro de casa, e especialistas alertam para cuidados mesmo em encontros familiares

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Violência contra crianças ocorre majoritariamente no ambiente doméstico
Violência contra crianças ocorre majoritariamente no ambiente doméstico

Dezembro reúne algumas das datas mais simbólicas do ano, com Natal, réveillon, férias escolares e encontros familiares frequentes. Em meio às comemorações, especialistas alertam que o período também exige atenção redobrada para a proteção de crianças e adolescentes, já que mais de 90% dos casos de violência e agressão contra esse público ocorrem no ambiente doméstico, segundo a Pesquisa Nacional da Situação de Violência Contra Crianças no Ambiente Doméstico, do ChildFund.

Os dados indicam que 72,7% das agressões acontecem na casa onde mora a vítima e o agressor, 15,7% na residência da própria vítima e 5,2% na casa do acusado. O cenário se agrava quando analisados os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, que apontam que 88% das vítimas de estupro são meninas, sendo que 61,6% têm até 13 anos. Em 84% dos casos, o agressor é um familiar ou alguém próximo, o que reforça a necessidade de vigilância mesmo em ambientes considerados seguros.

Para o presidente executivo do ChildFund Brasil, Mauricio Cunha, os dados desmontam a falsa sensação de segurança associada às reuniões familiares. Ele destaca que, independentemente do número de pessoas presentes ou do grau de proximidade entre os convidados, os cuidados devem ser mantidos. Segundo ele, a proteção de crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva e exige atenção constante em todos os ambientes.

Além da vigilância, especialistas reforçam a importância de construir um ambiente de confiança, no qual meninos e meninas se sintam seguros para falar. A comunicação aberta desde a primeira infância, com orientações claras sobre os limites do corpo e o direito de dizer não, é considerada uma das principais formas de prevenção. Essa base ajuda a criança a identificar situações de risco e a buscar ajuda caso algo fuja do controle.

Durante as festas, atitudes simples podem reduzir vulnerabilidades

Manter as crianças sempre por perto, evitar que fiquem sozinhas em quartos, banheiros ou áreas isoladas e combinar previamente regras claras sobre onde podem brincar e a quem recorrer são medidas recomendadas. Também é importante observar mudanças de comportamento, como medo repentino, silêncio excessivo, irritação ou regressão, que podem funcionar como sinais de alerta.

Outro ponto sensível envolve o consumo de álcool pelos adultos responsáveis. Em comemorações com bebida alcoólica, a orientação é que haja definição clara de quem ficará atento às crianças. Gestos cotidianos, como não forçar abraços ou beijos, reforçam a autonomia corporal e funcionam como forma de proteção. Situações aparentemente inofensivas, como pedidos de segredo, presentes trocados por carinho ou convites para ficar a sós, devem ser sempre comunicadas a um adulto de confiança.

Em caso de qualquer suspeita de abuso ou violência, a orientação é buscar ajuda imediata, acionando serviços especializados, o Conselho Tutelar ou o Disque 100. Especialistas reforçam que agir rapidamente pode evitar que situações se agravem e garantir a proteção das vítimas.

Em um período marcado por celebrações, o cuidado contínuo e a atenção aos sinais são fundamentais para que as festas de fim de ano sejam, de fato, um momento de segurança e acolhimento para crianças e adolescentes.

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