Mundo • 16:20h • 16 de outubro de 2026
Ferrovias do interior paulista podem ganhar novos projetos de passageiros e investimentos em cargas
Bauru, Presidente Prudente e Marília estão entre as cidades envolvidas nas discussões
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Grupo Texto | Foto: Divulgação
A retomada do transporte ferroviário de passageiros e a modernização das linhas utilizadas para cargas estão entre os principais desafios de infraestrutura de São Paulo para os próximos quatro anos. No interior paulista, cidades como Bauru, Presidente Prudente e Ribeirão Preto discutem alternativas para aproveitar trechos ferroviários existentes, enquanto concessões e áreas sem utilização definida também entram na agenda. Para José Claudinei Messias, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana, o avanço dessas iniciativas depende de planejamento, investimentos e integração com as necessidades de cada região.
Em Bauru, a administração municipal contratou um estudo de viabilidade para implantar um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), aproveitando parte da malha ferroviária existente. Presidente Prudente também discute com a Infra S.A. possibilidades de utilização da infraestrutura para transporte de passageiros. Já Ribeirão Preto manifestou interesse em um projeto semelhante e solicitou à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) uma avaliação sobre o aproveitamento de ramais desativados.
Messias ressalta que a recuperação dos trilhos, isoladamente, não garante a viabilidade de um sistema de transporte. Segundo ele, é necessário avaliar a demanda de passageiros, a localização das estações e a integração com os demais serviços de mobilidade.
"Cada cidade tem uma realidade diferente, e isso precisa ser considerado antes de qualquer projeto. Não adianta recuperar um trecho ou implantar VLT sem estudar a demanda, a localização das estações e a integração com outras opções de transporte", afirma o presidente do Sindicato da Sorocabana.
Experiência de Campinas mostra desafios do transporte ferroviário
Campinas é um exemplo das dificuldades enfrentadas por projetos dessa natureza. O primeiro VLT do município funcionou entre 1990 e 1995, em um percurso de 7,9 quilômetros e oito estações. Apesar da expectativa de transportar 20 mil passageiros diariamente, a demanda não ultrapassou 4 mil, em um cenário marcado pela localização inadequada de estações e pela falta de integração com os ônibus.
Atualmente, um novo projeto entre Campinas e Sumaré está em estruturação, com dois ramais que somam mais de 44 quilômetros. Outra iniciativa é o Trem Intercidades Eixo Norte, que prevê a ligação entre São Paulo e Campinas em um percurso de 101 quilômetros, com tempo estimado de 64 minutos. O empreendimento também contempla a conexão entre Jundiaí e Campinas e a modernização da Linha 7-Rubi.
Concessões e áreas ferroviárias também preocupam o setor
No transporte de cargas, uma das principais discussões envolve a Malha Sul, atualmente operada pela Rumo, cujo contrato tem término previsto para fevereiro de 2027. A proposta em estudo considera uma nova concessão de 30 anos, abrangendo aproximadamente 4.250 quilômetros de ferrovias que conectam São Paulo aos estados do Sul.
Outras negociações conduzidas pelo Governo Federal e pelo Tribunal de Contas da União em 2026 incluem a Malha Paulista, com previsão de pagamento adicional de R$ 670 milhões pela Rumo, e concessões da Vale, relacionadas à antecipação de R$ 4 bilhões à União.
Em Marília, a utilização de áreas ferroviárias também se tornou objeto de disputa judicial. Uma ação de reintegração de posse envolvendo moradores e a Rumo foi temporariamente suspensa pela Justiça, que determinou a participação do município no processo.
Para José Claudinei Messias, as decisões sobre concessões precisam considerar a conservação dos trilhos, os investimentos necessários e os impactos sobre as regiões atendidas. O dirigente também destaca a importância da valorização dos trabalhadores ferroviários, independentemente de as operações serem realizadas por empresas públicas ou concessionárias privadas.
O Sindicato da Sorocabana defende que os projetos sejam acompanhados por planejamento de longo prazo e fiscalização, com atenção tanto à mobilidade da população quanto à logística e à preservação da infraestrutura existente.
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