• Mitos e verdades sobre concursos em ano eleitoral esclarecem cenário de 2026
  • Caso ET de Varginha: nota de repúdio questiona narrativa e método do documentário
  • Profissionais avançam no uso de agentes de IA e elevam maturidade digital nas empresas
Novidades e destaques Novidades e destaques

Política • 08:26h • 03 de dezembro de 2024

Fatos muito graves e aposta no caos, avalia historiador sobre golpe

Pesquisador da Fapesp defende punição exemplar a golpistas

Agência Brasil | Foto: USP/Divulgação

Napolitano recordou que houve vários golpes de Estado entre 1950 e 1964, “alguns muito estapafúrdios e tresloucados”. “De tanto errar os golpistas aprenderam e se organizaram melhor para 1964”, comentou.
Napolitano recordou que houve vários golpes de Estado entre 1950 e 1964, “alguns muito estapafúrdios e tresloucados”. “De tanto errar os golpistas aprenderam e se organizaram melhor para 1964”, comentou.

“Os fatos foram muito graves e não ficaram apenas no plano dos discursos e do tensionamento político contra a democracia, mas apostaram e trabalharam pelo caos social e pela volta da ditadura”. A avaliação sobre os fatos recentemente revelados pela Polícia Federal a respeito da tentativa de golpe contra a democracia do país é do historiador Marcos Napolitano, professor do curso de História da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e especialista na república brasileira, com ênfase no período militar.

Para Napolitano, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal fizeram o que deviam, “o que já é um avanço”, e agora é preciso aguardar a posição da Procuradoria Geral da República (PGR), que vai decidir se abre ou não inquérito para apurar as responsabilidades dos envolvidos na intentona golpista, urgida sob o governo do então presidente Jair Bolsonaro.

O historiador disse também que, uma das razões sobre o golpe não ter prosperado, foi a existência de mais consensos liberal-democráticos nas instituições políticas e jurídicas do que no passado. Mas, para ele, a principal razão para o fracasso golpista foi a falta de organização e de apoio institucional, principalmente por parte de setores liberais e da classe média, “que desta vez não embarcaram na aventura, ao contrário de 2016” – quando a presidenta Dilma Rousseff foi deposta pelo Congresso Nacional num controverso processo de impeachment.

“Os golpistas de 2022 tinham até um razoável apoio na sociedade, mas sem apoio institucional nas Forças Armadas, nos grupos políticos organizados (partidos, associações civis), na imprensa e no parlamento, golpes dificilmente prosperam. Mas isso não diminui a gravidade do crime cometido contra a democracia por lideranças civis e militares entre 2022 e início de 2023”, explicou Napolitano.

O pesquisador disse ainda que a recente tentativa de golpe é “um filho, ainda que indesejado, da crise política de 2015 e 2016 e do lavajatismo”. Conforme Napolitano, “as lideranças e simpatizantes da extrema direita se animaram com o golpe de 2016, que foi basicamente um golpe parlamentar com apoio social e jurídico”. Mas, para ele, “ficaram com a sensação de que aquele trabalho não foi bem feito, posto que Lula ainda podia voltar ao poder pela vida eleitoral”

Napolitano recordou que houve vários golpes de Estado entre 1950 e 1964, “alguns muito estapafúrdios e tresloucados”. “De tanto errar os golpistas aprenderam e se organizaram melhor para 1964”, comentou. Por isso, o pesquisador acredita que é preciso “ficar alerta, punir tentativas de golpes e não ficar no discurso otimista de que ‘nossas instituições são forte’ ou ‘a sociedade não aceita mais golpes de Estado”.

Para dar bases mais sólidas para a democracia brasileira e inibir novas intentonas golpistas, ele acredita que é preciso “fortalecer a crença na democracia e nas formas negociadas de resolução de conflito no dia a dia do cidadão comum de todas as classes e grupos sociais, nas escolas, igrejas, famílias e vizinhanças”. Mas, ressalta: “isso é muito difícil em um país extremamente desigual, violento e com uma cultura política autoritária resiliente entre os próprios atores institucionais, inclusive”.

Também, conforme Napolitano, é preciso que “as elites políticas de todas as ideologias saibam isolar aventureiros e golpistas que surgem de quando em quando dentro do próprio sistema político e que tenham seriedade para administrar o país de maneira minimamente decente e republicana”. E conclui: “E, por fim, punir os golpistas civis e militares de maneira exemplar e dentro dos marcos da lei”.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Política • 07:31h • 20 de janeiro de 2026

Mitos e verdades sobre concursos em ano eleitoral esclarecem cenário de 2026

Especialista explica o que a lei permite, o que fica vedado e por que informações equivocadas geram insegurança entre concurseiros

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 21:19h • 19 de janeiro de 2026

Caso ET de Varginha: nota de repúdio questiona narrativa e método do documentário

Manifesto de Vitório Pacaccini questiona acusações exibidas em documentário e reforça debate sobre desconstrução da narrativa histórica

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 20:38h • 19 de janeiro de 2026

Profissionais avançam no uso de agentes de IA e elevam maturidade digital nas empresas

Pesquisa aponta avanço na maturidade digital das empresas, com adoção mais técnica, estratégica e integrada da inteligência artificial

Descrição da imagem

Mundo • 19:29h • 19 de janeiro de 2026

O futuro do trabalho chegou: 2026 coloca flexibilidade contra controle nas empresas

Especialista aponta tendências do trabalho remoto e alerta que modelos rígidos podem custar produtividade, engajamento e talentos

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 18:32h • 19 de janeiro de 2026

Da estrutura do átomo às supercordas, a física busca unificar as leis do Universo

Astrônomo do Urânia Planetário explica como partículas fundamentais e dimensões ocultas estão no centro das pesquisas da ciência moderna

Descrição da imagem

Cidades • 17:49h • 19 de janeiro de 2026

Saúde de Maracaí reúne gestantes e puérperas em ação de acolhimento e orientação no dia 30

Reunião promove acolhimento, orientação profissional e planejamento do cuidado para gestantes e mães no pós-parto

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 17:09h • 19 de janeiro de 2026

Cansado das telas? O Brasil tem destinos de natureza que promovem um verdadeiro detox digital

O Brasil é um paraíso para quem busca trocar as notificações constantes pelo silêncio e pelo contato direto com a natureza

Descrição da imagem

Saúde • 16:48h • 19 de janeiro de 2026

Prevenção: Saúde alerta para cuidados com aranhas no verão

Com mais de 28 mil registros no último triênio, Paraná reforça atenção devido às altas temperaturas. As aranha-marrom (Loxosceles) e a armadeira (Phoneutria) são as espécies de maior relevância médica no Estado

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar