Ciência e Tecnologia • 15:34h • 02 de novembro de 2026
Expedição revela 31 criaturas desconhecidas nas profundezas do Atlântico Sul; veja a lista
Expedição internacional realizada ao largo da costa brasileira encontrou organismos desconhecidos entre 200 e 1.200 metros de profundidade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Revista Pesquisa Fapesp | Foto: Divulgação
Uma expedição científica realizada no Atlântico Sul identificou 31 espécies potencialmente novas para a ciência em apenas duas semanas de exploração. A missão, realizada em abril de 2026 pelo Schmidt Ocean Institute, percorreu águas internacionais entre Salvador e Fortaleza, a distâncias de 160 a 480 quilômetros da costa brasileira. Os pesquisadores investigaram organismos que vivem entre 200 e 1.200 metros de profundidade, utilizando robôs subaquáticos, lasers, imagens tridimensionais e análises genéticas.
Batizada de Designing the Future 3, a expedição reuniu cerca de 30 cientistas de diferentes países a bordo do navio de pesquisa Falkor (too). A equipe contou com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Federal do Rio Grande (Furg), além de instituições dos Estados Unidos, Japão e Austrália.
As descobertas incluem animais gelatinosos, organismos transparentes e criaturas adaptadas à escuridão e à elevada pressão das águas profundas. Algumas apresentam características ainda não documentadas, mas todas dependem de análises complementares para a confirmação científica.
Quais são as 31 espécies potencialmente novas encontradas?
A expedição identificou organismos pertencentes a sete grupos diferentes. Confira a quantidade e as características de cada um:
- 9 águas-vivas: cnidários também conhecidos como medusas, encontrados em diferentes profundidades.
- 7 sifonóforos: organismos coloniais formados por pequenos animais chamados zooides, alguns com capacidade de produzir luz.
- 7 ctenóforos: conhecidos como carambolas-do-mar, possuem corpo gelatinoso e transparente.
- 4 larváceos: animais transparentes que vivem em estruturas delicadas de muco.
- 2 rizárias-gigantes: organismos unicelulares que podem ser observados a olho nu.
- 1 anfípode: pequeno crustáceo aparentado com caranguejos e lagostas.
- 1 poliqueta-fada: verme marinho de movimentos rápidos, pertencente a um grupo que inclui espécies bioluminescentes.
Entre os registros estão uma água-viva do gênero Atorella, encontrada a 845 metros de profundidade, outra do gênero Bathykorus, observada a 950 metros, e um sifonóforo registrado a 552 metros que pode representar até mesmo uma família ainda não descrita pela ciência.
Tecnologia permite observar criaturas quase invisíveis

Um dos principais avanços da missão foi o uso do robô subaquático SuBastian, equipado com sistemas de escaneamento tridimensional capazes de registrar animais transparentes e extremamente frágeis em seu ambiente natural.
Os pesquisadores também realizaram sequenciamento genético a bordo, acelerando a identificação dos organismos coletados. Parte do material será depositada no Museu de Zoologia da USP, permanecendo disponível no Brasil para futuras pesquisas.
Segundo Marcelo Melo, professor do Instituto Oceanográfico da USP, a combinação de imagens detalhadas e análises de DNA permite ampliar significativamente o conhecimento sobre a biodiversidade marinha, especialmente em regiões que raramente recebem expedições científicas.
Descobertas ajudam a compreender o clima do planeta
Os organismos estudados participam de um fenômeno conhecido como migração vertical diária. Durante a noite, bilhões de pequenos animais sobem das profundezas para se alimentar e retornam às águas profundas ao amanhecer.
Esse movimento transporta carbono da superfície para regiões mais profundas do oceano, contribuindo para o funcionamento dos ecossistemas marinhos e para a regulação climática.
Além da importância ambiental, as descobertas podem inspirar tecnologias como robôs subaquáticos e sistemas de propulsão mais eficientes, desenvolvidos a partir da observação dos movimentos e das adaptações desses animais.
Os cientistas ressaltam que grande parte do Atlântico Sul permanece pouco explorada. A identificação de novas espécies reforça a necessidade de conhecer esses ambientes antes de ampliar atividades de exploração de recursos naturais, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas e da poluição marinha.
Leia a matéria completa na Revista Fapesp aqui.
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