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Saúde • 13:20h • 18 de janeiro de 2026

Exercícios de longa duração deixam sistema imunológico de idosos mais forte, mostra estudo

Pesquisa mostra que as células de defesa de idosos com histórico de atividades físicas prolongadas são mais eficientes contra inflamações

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

Foram analisadas as células de nove indivíduos com média de 64 anos de idade, divididos entre não treinados e praticantes de atividade física prolongada, como corrida de longa duração, ciclismo, natação, remo e caminhada.
Foram analisadas as células de nove indivíduos com média de 64 anos de idade, divididos entre não treinados e praticantes de atividade física prolongada, como corrida de longa duração, ciclismo, natação, remo e caminhada.

Além de fortalecer músculos, pulmões e coração, a prática regular de exercícios também melhora o funcionamento do sistema imunológico. É o que aponta um estudo conduzido com idosos praticantes de atividades de endurance — como corrida de longa distância, ciclismo, natação, remo e caminhada. Ao analisar as células de defesa desses indivíduos, pesquisadores identificaram que elas eram mais adaptáveis, menos inflamatórias e mais eficientes em termos metabólicos.

A pesquisa, apoiada pela FAPESP e publicada na revista *Scientific Reports*, investigou as células natural killer (NK), um tipo de glóbulo branco responsável por destruir células infectadas ou doentes, como as cancerígenas. Foram avaliados nove idosos com média de 64 anos, divididos entre sedentários e praticantes de endurance há décadas.

Segundo a pesquisadora Luciele Minuzzi, da Justus Liebig University Giessen (Alemanha), estudos anteriores já mostravam que obesidade e sedentarismo aceleram o envelhecimento das células de defesa. “Queríamos saber se o oposto também era verdadeiro. E constatamos que sim: idosos com mais de 20 anos de prática apresentam células NK que funcionam melhor e utilizam energia de forma mais eficiente. É como se o exercício também treinasse o sistema imunológico”, afirma.

O estudo integra um projeto maior conduzido pela Unesp. Para o professor Fábio Lira, coordenador da pesquisa no Brasil, os resultados deixam claro que o treino prolongado modula a resposta inflamatória. “Comparando as células dos idosos treinados com as dos sedentários, observamos menos marcadores inflamatórios e mais marcadores anti-inflamatórios. Eles controlam muito melhor os processos inflamatórios”, explica.

O sistema imune é influenciado por fatores como sono, alimentação, vacinação e estresse. O exercício físico se soma a essas variáveis como um modulador importante da resposta imunológica, reforça Lira.

Os pesquisadores também analisaram o comportamento das células NK diante de bloqueadores farmacológicos, como propranolol e rapamicina. Mesmo com essas vias de sinalização inibidas, as células dos idosos treinados mantiveram sua função, enquanto as dos não treinados apresentaram exaustão ou falhas de resposta. Isso indica que o treino de endurance de longa data promove adaptações “imunometabólicas” protetoras, tornando as células mais maduras, menos senescentes e mais preparadas para lidar com estressores.

Em outro trabalho, o mesmo grupo comparou a resposta inflamatória de atletas masters e jovens após uma sessão aguda de exercício. Ambos aumentaram a produção de IL-6, citocina ligada à inflamação, mas o crescimento foi mais intenso nos jovens. Outro marcador importante, o TNF, só aumentou entre os mais novos. Os masters, com mais de 20 anos de treinamento, apresentaram respostas mais controladas, sugerindo um sistema imunológico mais equilibrado.

A conclusão dos pesquisadores é que décadas de atividade física ajudam o organismo a responder de forma regulada aos estímulos inflamatórios. “O sistema não deixa de reagir, mas evita excessos. Esse mecanismo está ligado ao envelhecimento saudável, já que respostas inflamatórias desordenadas contribuem para doenças crônicas”, diz Minuzzi.


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