Saúde • 10:09h • 09 de maio de 2026
Exercícios aeróbicos com estímulos cognitivos podem ajudar pacientes com Parkinson
Pesquisa representa um passo importante para o desenvolvimento de novas abordagens que melhorem a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com Parkinson
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP investigaram se a inclusão de tarefas cognitivas pode potencializar os efeitos do exercício aeróbio em pessoas com Parkinson, doença que compromete funções motoras e cognitivas, provocando tremores, rigidez muscular, instabilidade postural e prejuízos na memória e no raciocínio. Embora o tratamento medicamentoso seja importante, ele não é suficiente para melhorar a automaticidade do andar, o que torna estratégias complementares, como a prática de atividade física e estímulos cognitivos, fundamentais no cuidado aos pacientes.
O estudo, conduzido por Jumes Leopoldino Oliveira Lira, sob orientação do professor Carlos Ugrinowitsch, analisou se a combinação dessas abordagens poderia melhorar a automaticidade da marcha, a atividade do córtex pré-frontal e as funções executivas. Mesmo com algumas limitações, os resultados indicaram melhora na flexibilidade mental e no controle inibitório, sugerindo que a associação entre exercício físico e tarefas cognitivas pode contribuir para o desempenho executivo em pessoas com Parkinson.
O ato de andar, apesar de parecer simples, envolve a integração de diversos sistemas do corpo. Em pessoas saudáveis, ocorre de forma automática e com pouca demanda cognitiva. Já no Parkinson, há comprometimento de estruturas cerebrais responsáveis por essa automatização, o que exige maior esforço mental para realizar movimentos básicos. Essa sobrecarga cognitiva torna o movimento mais lento e menos eficiente, além de aumentar o risco de quedas, impactando a qualidade de vida dos pacientes.
O estudo contou com 20 voluntários diagnosticados com Parkinson, que participaram de quatro visitas ao laboratório, com intervalos semanais. Na primeira etapa, foram coletadas informações clínicas e físicas. Nas demais, os participantes realizaram três tipos de intervenção: exercício aeróbio em bicicleta ergométrica, tarefas cognitivas e a combinação de ambos. Cada sessão teve duração de cerca de 30 minutos, e todos os participantes passaram pelas três modalidades de forma alternada.
Antes e depois das intervenções, foram avaliadas as funções cognitivas e o desempenho motor. Nas atividades cognitivas, os participantes realizaram exercícios que envolviam cálculos e sequências de números, letras e cores, com o objetivo de medir habilidades como memória de trabalho, flexibilidade mental e controle de impulsos.
Os resultados não apontaram diferenças significativas entre as intervenções na automaticidade da marcha ou na atividade do córtex pré-frontal. No entanto, houve melhora consistente em aspectos cognitivos importantes, especialmente na flexibilidade mental e no controle inibitório. Também foi observada uma tendência de maior estabilidade no ritmo dos passos, indicando que diferentes tipos de estímulo podem ativar áreas cerebrais relevantes para o controle motor e cognitivo.
Por ser uma das primeiras pesquisas a avaliar os efeitos imediatos dessas abordagens combinadas, o estudo abre caminho para novas investigações, especialmente com períodos mais longos e maior número de participantes. Os achados reforçam o potencial de estratégias integradas no tratamento do Parkinson, contribuindo para a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes.
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