Variedades • 14:13h • 02 de setembro de 2026
Excesso de dicas de saúde confunde 55% das pessoas e aumenta busca por orientação confiável
Estudo global mostra que sete em cada dez pessoas já acreditaram em alegações sem comprovação, enquanto evidências científicas ganham peso nas decisões sobre saúde
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Divulgação
Nunca foi tão fácil encontrar dicas sobre saúde, alimentação, suplementação e longevidade, mas o excesso de conteúdo começa a produzir o efeito contrário. Levantamento global do Edelman Trust Barometer mostra que 55% das pessoas afirmam que o volume de informações e a desinformação sobre bem-estar dificultam os próprios cuidados, enquanto cresce a procura por orientações baseadas em evidências científicas.
O estudo mostra que a confiança para tomar decisões relacionadas à própria saúde caiu para 51%. Outro dado chama ainda mais atenção: 70% dos entrevistados admitem já ter acreditado em alegações de saúde sem comprovação científica e cerca de metade relata arrependimento após seguir tratamentos divulgados nas redes sociais.
O cenário demonstra a multiplicação de conteúdos sobre dietas, suplementação, terapias hormonais e longevidade, muitas vezes acompanhados por recomendações contraditórias ou promessas de resultados. Em resposta, consumidores começam a ser mais seletivos. Estudos da McKinsey & Company indicam que cerca de 50% já consideram a eficácia clínica comprovada por médicos um fator determinante para investir em saúde e bem-estar.
Menos modismos e mais acompanhamento
A mudança de comportamento também começa a estimular modelos que apostam na coordenação do cuidado, evitando que o próprio paciente precise organizar isoladamente informações, consultas, exames e recomendações de diferentes profissionais.
Em Brasília, uma das iniciativas nesse formato é a Clara Wellness, nova marca da Saúde Clara, empresa do Grupo FAPES. O serviço reúne acompanhamento de profissionais como médicos, enfermeiros e nutricionistas e pode levar consultas e procedimentos indicados pela equipe até residências, escritórios ou hotéis.
Para Josiane Colombo, presidente-executiva da Saúde Clara, o desafio atual já não está apenas em ter acesso à informação. “O consumidor hoje está exausto de tentar montar o próprio quebra-cabeça da saúde entre dezenas de influenciadores, pílulas mágicas e especialistas desconectados. O grande luxo da vida contemporânea deixou de ser o acesso a mais dados e passou a ser a curadoria médica de confiança”, avalia.
Nem tudo que viraliza serve para todo mundo
Um dos pontos centrais desse tipo de acompanhamento é justamente filtrar tratamentos e tendências que ganham popularidade rapidamente na internet. Uma terapia ou suplemento amplamente divulgado pode não ser adequado para determinada pessoa, tornando necessária a avaliação do histórico e das condições clínicas antes de qualquer intervenção.
Segundo Josiane, o profissional também precisa estabelecer limites quando não existe indicação para determinado tratamento, mesmo que ele esteja em evidência nas redes. “Dizer não quando necessário e impor limites técnicos baseados em evidências é a única forma de construir uma relação de confiança duradoura”, afirma.
Em um ambiente digital no qual milhares de recomendações estão disponíveis em poucos segundos, os números revelam uma mudança importante: encontrar conteúdo deixou de ser o principal desafio. Saber em que informação confiar, e principalmente o que realmente se aplica à própria saúde, tornou-se parte cada vez mais relevante do cuidado.
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