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Saúde • 07:28h • 01 de abril de 2026

Exames são essenciais para prevenir o câncer colorretal, entenda por quê

Cerca de 80% das vezes o tumor decorre de hábitos não saudáveis, como falta de atividade física e dieta rica em gordura animal

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

Se detectadas no início, as lesões cancerígenas podem ser retiradas pela própria colonoscopia
Se detectadas no início, as lesões cancerígenas podem ser retiradas pela própria colonoscopia

Depois das campanhas Março Lilás, para a prevenção do câncer de colo uterino, Março Amarelo, sobre a conscientização da endometriose, chegou a vez do Março Azul Marinho, focado no câncer colorretal, o segundo tumor mais comum em homens e mulheres no Brasil, mais frequente em pessoas acima dos 50 anos de idade.

Mundialmente, o câncer do intestino corresponde a aproximadamente 10% de todas as mortes por câncer. Esse tipo de tumor, em cerca de 80% das vezes, decorre de hábitos não saudáveis, como falta de atividade física, uma dieta rica em gordura animal, baixo consumo das fibras existentes em cereais e em frutas, consumo de álcool, que deve ser limitado, tabagismo e obesidade, segundo o professor Ulysses Ribeiro Jr., da Faculdade de Medicina da USP e coordenador médico da Oncologia Cirúrgica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

A obesidade, segundo ele, leva a uma inflamação crônica do organismo, contribuindo para a formação de pólipos (verrugas que crescem na parede intestinal) e a alterações genéticas nessas lesões, transformando-as num tumor.

Ele cita um dado preocupante: por falta de detecção precoce desse tipo de câncer, 70% dos casos que chegam ao Icesp estão em estágios mais avançados da doença, dificultando seu tratamento. A partir do momento em que esse tumor cresce no intestino, vai apresentar sintomas como sangramento nas fezes, dores abdominais, alterações de hábito intestinal, um sinal de alerta importante. “Indivíduos que tenham um intestino meio constipado de repente começam a ter diarreia, ou indivíduos que têm intestino mais solto e começam a ficar constipados.” Já para os tumores que acometem as regiões intestinais mais baixas, como o reto ou a região anal, os sintomas apresentam-se como afilamento das fezes ou “aquela vontade imperiosa de evacuar e quando você chega lá parece que não saiu tudo”.

O especialista chama atenção também para o sangramento, que muitas vezes pode ser confundido, por exemplo, com uma hemorroida, mas não é incomum ter um tumor juntamente com a hemorroida. “O indivíduo pensa que é hemorroida, mas o sangue vem lá de cima, então a gente tem que tomar cuidado com isso.” Por outro lado, não há evidências científicas que atestem o aumento da incidência de câncer em pessoas que sofrem, por exemplo, de diverticulite (inflamação no intestino grosso), cujos sintomas podem se confundir com os do câncer.

Formas de prevenção

Ribeiro alerta para a importância da detecção precoce do câncer colorretal, e isso pode ser feito a partir do rastreamento da doença, que inclui o exame de sangue oculto nas fezes como forma de prevenção secundária, ou seja, um método de diagnóstico de lesão precoce antes do surgimento dos sintomas. Hoje esse tipo de exame, além de ter se tornado mais simples, apresenta melhor eficácia. Quando o resultado desse teste se confirma como positivo, parte-se então para a colonoscopia, para evitar de fazê-la “em todo mundo, o que aumentaria muito o custo e com muitos casos negativos”.

No Brasil, como ainda não há um rastreamento organizado, o teste de sangue oculto nas fezes deve ser feito anualmente a partir dos 50 anos, pelo menos. Ribeiro diz ainda que, se detectadas no início, as lesões cancerígenas podem ser retiradas pela própria colonoscopia, dispensando a necessidade de tratamentos mais agressivos no futuro.

Os números mostram a eficácia desse exame para a detecção do tumor: em um estudo feito pelo Hospital das Clínicas numa população de 10 mil pessoas na zona leste da cidade, 7% destas não tinham sintomas, mas tinham sangue oculto positivo. Desse total de 7%, 550 pessoas foram submetidas ao exame de colonoscopia – destas, 51 tinham tumores, mas mais da metade foram ressecados durante o exame.

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