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Economia • 11:14h • 18 de maio de 2026

Eventos climáticos extremos já pressionam empresas e podem gerar perdas de quase US$ 1 trilhão

Relatório internacional aponta aumento de impactos financeiros causados por enchentes, ciclones e chuvas intensas, com riscos cada vez mais próximos da realidade econômica global

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Temple Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Custo da prevenção climática é até 13 vezes menor que os prejuízos causados pelos desastres
Custo da prevenção climática é até 13 vezes menor que os prejuízos causados pelos desastres

Eventos climáticos extremos estão remodelando a economia global e já provocam impactos financeiros bilionários em empresas, cidades e governos ao redor do mundo. Um novo levantamento divulgado pelo CDP, sistema independente de divulgação ambiental, mostra que as perdas relacionadas a riscos climáticos podem chegar a US$ 898 bilhões nos próximos anos, impulsionadas principalmente por enchentes, ciclones e chuvas intensas.

O estudo reúne dados de 11.261 empresas que divulgaram informações ambientais completas ao CDP em 2025. Apesar da dimensão do problema, apenas 35% das companhias reconhecem eventos climáticos extremos como um risco financeiro material para os negócios.

Mesmo com essa baixa percepção, as empresas já registraram quase US$ 3 bilhões em perdas reais somente em 2025. Os principais impactos foram aumento de custos operacionais, paralisações produtivas e danos relacionados à infraestrutura. As chuvas intensas aparecem como o fator isolado de maior impacto financeiro, somando US$ 1,5 bilhão em prejuízos entre as organizações participantes do levantamento.

Riscos devem crescer nos próximos anos

Segundo o relatório, quase metade dos riscos climáticos identificados pelas empresas deve se materializar nos próximos dois anos, colocando eventos extremos diretamente no centro das decisões atuais de investimento, operação e gestão corporativa.

As projeções indicam que os maiores impactos financeiros futuros estarão relacionados a inundações, responsáveis por estimados US$ 528 bilhões em perdas. Na sequência aparecem ciclones, com US$ 161 bilhões, e chuvas intensas, com US$ 86 bilhões.

A redução da capacidade produtiva deve representar US$ 326 bilhões em prejuízos, enquanto a desvalorização ou desativação antecipada de ativos físicos pode gerar outros US$ 218 bilhões em perdas. O estudo destaca que os efeitos não devem atingir apenas ativos isolados, mas comprometer sistemas inteiros dos quais empresas dependem, como cadeias de suprimentos, infraestrutura logística, serviços públicos e mercado de seguros.

Mitigar riscos custa muito menos do que reparar prejuízos

Um dos pontos centrais do levantamento mostra que o custo para reduzir riscos climáticos ainda é significativamente menor do que o prejuízo financeiro causado pelos eventos extremos.

Segundo o relatório Disclosure Dividend 2025, também produzido pelo CDP, o custo médio dos riscos ambientais por empresa foi estimado em US$ 39,4 milhões. Já o valor necessário para implementar medidas de mitigação ficou em aproximadamente US$ 3,1 milhões por companhia. Na prática, o custo da prevenção aparece quase 13 vezes menor do que o impacto financeiro potencial dos eventos climáticos extremos.

Cidades e governos já enfrentam impactos diretos

Os efeitos das mudanças climáticas também vêm pressionando governos locais e regionais. Entre 1.005 cidades, estados e regiões de 80 países que participaram do levantamento do CDP-ICLEI Track em 2025, 62% afirmaram já sofrer impactos significativos causados por eventos climáticos extremos.

Mais de 60% dos governos subnacionais esperam aumento na intensidade, frequência ou recorrência de fenômenos como calor extremo, enchentes urbanas e secas. O estudo aponta ainda que 23% dessas administrações já identificam riscos elevados para setores financeiros e de seguros devido à intensificação das mudanças climáticas.

Mesmo diante da ampliação dos projetos de adaptação climática, o relatório mostra que existe uma lacuna global de pelo menos US$ 34 bilhões em investimentos para infraestrutura de proteção e adaptação. Além disso, 46% das cidades e regiões relatam restrições orçamentárias que dificultam a implementação de medidas preventivas.

Especialistas defendem ação coordenada

Para Amir Sokolowski, diretor global de Clima do CDP, os eventos extremos já representam um desafio econômico sistêmico que exige resposta conjunta entre governos, empresas e instituições financeiras. Segundo ele, os impactos climáticos criam um efeito em cadeia capaz de interromper operações, reduzir produtividade e ampliar prejuízos em diferentes setores da economia.

O relatório recomenda que empresas passem a tratar eventos climáticos extremos como risco estrutural, considerando impactos em infraestrutura, logística e serviços compartilhados. Entre as recomendações também estão maior transparência dos governos sobre áreas vulneráveis, alinhamento entre políticas fiscais e climáticas e ampliação de mecanismos regulatórios voltados aos riscos financeiros ligados ao clima.

A avaliação do CDP é de que a adaptação climática deixará de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar um dos principais fatores de estabilidade econômica nos próximos anos.

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