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Saúde • 14:33h • 29 de junho de 2025

EUA aprovam injeção semestral com 99,9% de eficácia na prevenção do HIV

Brasil ficou de fora em distribuição do Lenacapavir

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: CFF

A expectativa é que o Yeztugo esteja disponível ao público apenas a partir de 2026.
A expectativa é que o Yeztugo esteja disponível ao público apenas a partir de 2026.

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou nesta semana o uso do lenacapavir como novo esquema de profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV. Comercializado com o nome Yeztugo e desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences, o medicamento se destaca por ser injetável e exigir apenas duas aplicações por ano — uma inovação que pode transformar a prevenção da infecção.

Atualmente, o regime de PrEP disponível, inclusive no Brasil via Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2017, é baseado em comprimidos orais de uso diário. Embora também tenham alta eficácia, os desafios de adesão são frequentes. O lenacapavir se apresenta como alternativa mais prática e com eficácia próxima de 100%.

Apesar de ser aplicado por via injetável e atuar de forma preventiva, o lenacapavir não é uma vacina. Ele é um antiviral que impede o HIV de se replicar no organismo, funcionando apenas enquanto estiver em circulação contínua no corpo. Caso as aplicações sejam interrompidas, a proteção desaparece — diferentemente das vacinas, que estimulam o sistema imune a gerar uma memória de defesa duradoura.

O impacto do novo medicamento foi reconhecido internacionalmente: a revista científica Science elegeu o lenacapavir como o avanço científico de 2024. Estudos clínicos publicados ao longo do último ano mostraram eficácia praticamente total na prevenção do vírus causador da aids. Para alguns pesquisadores, o remédio representa o mais próximo que a ciência já chegou de uma vacina contra o HIV.

Entretanto, a expectativa é que o Yeztugo esteja disponível ao público apenas a partir de 2026 — e o debate sobre seu acesso já mobiliza especialistas e autoridades de saúde. A Gilead firmou acordos com seis laboratórios para produzir versões genéricas de baixo custo, destinadas aos 120 países mais pobres do mundo. Nações de renda média, como o Brasil, ficaram de fora desse licenciamento.

Com isso, há o temor de que programas públicos de saúde em países como o Brasil não consigam arcar com os custos da nova droga. Estimativas internacionais apontam que as duas aplicações anuais do lenacapavir podem custar entre US$ 25.395 e 44.918 por paciente — o equivalente a até R$ 271 mil.

Especialistas, no entanto, avaliam que a produção em larga escala pode reduzir drasticamente esse valor, para menos de US$ 100 (cerca de R$ 600) por paciente ao ano. Representantes do Ministério da Saúde brasileiro consideram os valores atuais inviáveis, mas reconhecem o potencial do medicamento e acompanham as discussões internacionais sobre acesso e precificação.

O desafio agora é garantir que essa promessa científica se traduza em uma solução acessível e eficaz para todos os que vivem sob risco de infecção pelo HIV, especialmente em regiões que já contribuíram com estudos clínicos e enfrentam desigualdades no combate à epidemia.

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