Ciência e Tecnologia • 13:18h • 12 de abril de 2026
Estudo revela novos alvos para combater verme da esquistossomose
Pesquisa do Butantan e da USP identifica milhares de RNAs no parasita e abre caminho para tratamentos mais eficazes
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP
Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Butantan e da Universidade de São Paulo (USP) trouxe avanços importantes na compreensão do Schistosoma mansoni, verme causador da esquistossomose. Publicado na revista Non-Coding RNA, o trabalho identificou milhares de novos RNAs longos não codificantes (lncRNAs), ampliando o conhecimento sobre o funcionamento do parasita e apontando possíveis novos caminhos para tratamentos.
Conhecida como barriga d’água, a esquistossomose é transmitida em água doce contaminada. As larvas liberadas por caramujos penetram pela pele e entram na corrente sanguínea, onde se desenvolvem até a fase adulta, se alojando principalmente nas veias do fígado. Parte dos ovos produzidos é eliminada, mas outra parte fica no organismo, causando inflamações e danos, especialmente no fígado.
Hoje, o tratamento depende do praziquantel, único medicamento recomendado, mas que tem limitações. Ele não atua nas fases iniciais do parasita e não impede novas infecções, além de haver preocupação com possível perda de eficácia ao longo do tempo.
Para buscar alternativas, os cientistas focaram nos lncRNAs, moléculas que não produzem proteínas, mas regulam funções importantes do organismo do parasita. Por serem diferentes dos genes humanos, esses RNAs podem servir como alvos mais específicos para novos medicamentos, com menor risco de efeitos colaterais.
A pesquisa analisou cerca de 1.800 conjuntos de dados genéticos e identificou mais de 10 mil novos genes de lncRNA. Muitos deles atuam em fases específicas do ciclo de vida do parasita, o que pode ajudar no desenvolvimento de estratégias mais direcionadas de combate.
Outro destaque foi a diferença entre machos e fêmeas do verme. Nos machos, os RNAs estão ligados principalmente à estrutura e movimento, enquanto nas fêmeas estão associados à reprodução. Como a fêmea pode produzir até 500 ovos por dia — principais responsáveis pelos danos no organismo —, interromper esse processo pode ser uma estratégia eficaz para controlar a doença.
Os próximos passos incluem testes para confirmar o papel desses RNAs e avaliar seu potencial no desenvolvimento de novos tratamentos. A expectativa é que essas descobertas contribuam para terapias mais eficazes e, no futuro, até para a criação de vacinas contra a esquistossomose.
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