Saúde • 09:05h • 01 de fevereiro de 2026
Estudo mostra que maioria da população brasileira tem excesso de peso
Entre 2006 e 2024, obesidade dobrou, atingindo 25,7% dos brasileiros
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Em 18 anos, o excesso de peso na população brasileira cresceu 20 pontos percentuais. Em 2024, 62,6% dos brasileiros apresentavam excesso de peso, frente a 42,6% em 2006. No mesmo período, a obesidade dobrou, passando de 11,8% para 25,7% da população.
Os dados são do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, divulgados nesta quarta-feira (28). O levantamento é realizado anualmente nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.
O diagnóstico médico de diabetes em adultos aumentou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. Já a prevalência de hipertensão passou de 22,6% para 29,7% no mesmo período.
A prática de atividade física relacionada ao deslocamento urbano caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, reflexo do maior uso de transporte público e de carros por aplicativo. Em contrapartida, a atividade física moderada no tempo livre, com pelo menos 150 minutos semanais, cresceu de 30,3% para 42,3%.
O consumo regular de frutas e hortaliças, definido como ingestão em cinco dias ou mais por semana, manteve-se relativamente estável, passando de 33% em 2008 para 31,4% em 2024. Já o consumo frequente de refrigerantes e sucos artificiais apresentou queda expressiva, de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, embora haja avanços em alguns indicadores, como a redução do consumo de bebidas açucaradas e o aumento da prática de atividade física no lazer, essas mudanças ainda não foram suficientes para conter o avanço das doenças crônicas no país.
“À medida que o Brasil envelhece, cresce o número de pessoas com doenças crônicas. Por isso, precisamos ampliar as políticas de cuidado e prevenção”, afirmou.
Pela primeira vez, o Vigitel também analisou dados sobre o sono da população. Segundo o levantamento, 20,2% dos adultos nas capitais dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% apresentam pelo menos um sintoma de insônia. A prevalência é maior entre mulheres (36,2%) do que entre homens (26,2%).
De acordo com Padilha, os resultados indicam que o sono da população tem sido insuficiente e fragmentado, o que preocupa pela relação direta com ganho de peso, agravamento de doenças crônicas e impactos na saúde mental. “Vamos reforçar, na atenção primária, a importância de perguntar sobre a qualidade do sono”, disse.
Durante cerimônia no Super Centro Carioca de Vacinação, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, o ministro lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde, à prevenção de doenças crônicas e à melhoria da qualidade de vida da população.
Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa prevê investimentos de R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física, incluindo a retomada do programa Academia da Saúde, que deverá receber R$ 40 milhões ainda em 2026.
A estratégia articula e fortalece ações já existentes no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco em alimentação adequada e saudável, prática de atividade física, cuidado integral e acesso à informação de qualidade. O objetivo é estimular a adoção de hábitos saudáveis por meio de ações nas unidades do SUS e em parceria com o setor privado.
O Viva Mais Brasil é estruturado em dez compromissos: incentivo à vida ativa; promoção da alimentação saudável; redução do consumo de tabaco e álcool; fortalecimento da saúde nas escolas; prevenção de doenças crônicas; ampliação da vacinação; estímulo ao protagonismo e à autonomia; expansão da saúde digital; promoção da cultura de paz e redução das violências; e incentivo às práticas integrativas e complementares.
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