Responsabilidade Social • 12:10h • 16 de setembro de 2026
Estudo estima risco de extinção para quase 70% das espécies de orquídeas
Revisão global com participação de pesquisador da UFPR estima risco entre 55,6% e 69,2% e aponta lacunas na avaliação dessas plantas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da UFPR | Foto: Âncora1®
Uma revisão internacional com participação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estima que entre 55,6% e 69,2% das espécies de orquídeas podem estar sob risco de extinção. Publicado no periódico Biodiversity and Conservation, o estudo reuniu dados disponíveis até março de 2025 e aponta desmatamento, mudanças climáticas e coleta predatória entre as ameaças a essas plantas.
Coautor do trabalho, Eric de Camargo Smidt, professor do Departamento de Botânica da UFPR e autoridade da Lista Vermelha para Orquídeas Sul-Americanas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), destaca o impacto histórico da retirada de exemplares da natureza. “O extrativismo predatório, aliado ao mercado ilegal que persiste até hoje, colocou a família Orchidaceae em maior risco de extinção do que outras plantas com flores”, afirma.
A vulnerabilidade também está relacionada à dependência de ambientes específicos, à distribuição geográfica restrita e ao crescimento lento. Cerca de 75% das espécies vivem sobre árvores, utilizadas como suporte. Outras crescem no solo ou dependem de fungos para obter nutrientes, relações que podem ser comprometidas pela degradação dos habitats.
Poucas espécies têm avaliação de risco
O trabalho envolveu pesquisadores de sete países, além do Brasil, e cruzou informações com auxílio de ferramentas de inteligência artificial. A estimativa amplia a compreensão sobre uma das maiores famílias de plantas com flores, mas também evidencia o quanto ainda falta conhecer sobre sua conservação.
Segundo Smidt, das aproximadamente 30 mil espécies conhecidas, apenas cerca de 2 mil foram avaliadas pela Lista Vermelha da IUCN, referência internacional sobre risco de extinção. Essa lacuna dificulta identificar quais orquídeas estão mais vulneráveis e precisam de medidas de proteção.
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