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Saúde • 09:49h • 13 de janeiro de 2025

Estudo de SP comprova que atividade física pode atenuar os efeitos da DPOC

Pesquisa inédita mostra que a prática regular de atividades físicas pode melhorar a resposta imune e reduzir os sintomas da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)

Da Redação | Com informações do Governo de SP | Foto: Divulgação

Como o exercício pode melhorar a vida de pessoas com DPOC, segundo estudo de SP
Como o exercício pode melhorar a vida de pessoas com DPOC, segundo estudo de SP

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, sendo caracterizada pela limitação do fluxo de ar nos pulmões, que resulta em cansaço, falta de ar constante e fraqueza muscular. A condição, que afeta especialmente fumantes, causa grandes desafios para os pacientes, principalmente no que diz respeito à prática de atividades físicas. A dificuldade respiratória e a fadiga geralmente impedem a maioria dos indivíduos de realizar exercícios regulares.

No entanto, um estudo inovador realizado no estado de São Paulo, coordenado pela professora Fernanda Degobbi Lopes e com o apoio da Fapesp, trouxe à tona os benefícios significativos do exercício físico na saúde de pessoas com DPOC. O estudo, publicado na revista Pulmonology, revela que a prática regular de atividades físicas pode melhorar a resposta imune, aumentar a massa muscular e diminuir a inflamação no organismo, trazendo alívio para sintomas como a falta de ar.

Durante o estudo, foram avaliados 20 pacientes com DPOC grave, com idades entre 50 e 80 anos. Os participantes foram divididos em dois grupos: um grupo realizava exercícios físicos, enquanto o outro não. O programa de treinamento consistia em 24 sessões, com exercícios aeróbicos e musculação supervisionados por um fisioterapeuta.

Os resultados mostraram que, após o período de treinamento, o grupo que praticou exercícios apresentou um aumento nas células Treg (anti-inflamatórias), responsáveis por diminuir a resposta inflamatória, e uma redução nas células Th17 (pró-inflamatórias), que contribuem para a progressão da doença. Além disso, houve um aumento significativo na força muscular e uma redução nos episódios de falta de ar.

O estudo comprova que, mesmo para pacientes com DPOC em estágios mais avançados, o exercício físico pode atuar de forma eficaz no controle da inflamação, contribuindo para uma melhora da qualidade de vida e proporcionando benefícios significativos à saúde respiratória.

Para a pesquisadora Fernanda Lopes, esse estudo é um marco importante na compreensão dos efeitos positivos do exercício físico para pessoas com DPOC. “Este estudo traz uma nova perspectiva para o tratamento da DPOC, mostrando que a atividade física pode atenuar a progressão da doença e melhorar a aptidão física, mesmo em pacientes com dificuldades respiratórias graves", explicou.

A pesquisa também destaca a importância da conscientização sobre os benefícios da atividade física para os pacientes com DPOC. Muitos desses pacientes não praticam exercícios devido ao medo da falta de ar e da fadiga, mas o estudo prova que os exercícios não apenas melhoram a força muscular, como também têm um efeito anti-inflamatório crucial para o controle da doença.

No Brasil, a DPOC afeta cerca de 15,8% da população com mais de 40 anos na Região Metropolitana de São Paulo, sendo a quinta maior causa de morte entre as doenças crônicas não transmissíveis. Portanto, a descoberta de que o exercício físico pode ser uma ferramenta vital na melhoria da qualidade de vida desses pacientes é uma esperança de transformação no tratamento da doença, que deve ser incentivada pelas equipes de saúde.

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