• Anvisa suspende fabricação e determina recolhimento de produtos da marca Ypê
  • Noite especial para as mães: Feira da Lua movimenta Maracaí com música e gastronomia
  • Produtor rural de Assis já pode emitir o CCIR 2026 a partir de 19 de maio
  • Vice-prefeito Alexandre Cachorrão leva “Vice em Movimento” à Vila Progresso e Jardim Paraná
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 14:08h • 09 de outubro de 2024

Estudo de SP ajuda a entender a dor associada a infecções virais

Por meio de experimentos com camundongos infectados com o vírus do herpes, cientistas identificaram um sensor imunológico que ativa neurônios responsáveis pela dor

Agência SP | Foto: Governo de SP

A descoberta abre caminho para novos tratamentos analgésicos.
A descoberta abre caminho para novos tratamentos analgésicos.

Um estudo feito por um professor da USP e publicado na revista Brain, Behavior, and Immunity pode ajudar a entender melhor a dor associada a infecções provocadas por vírus e, com isso, abrir caminhos para novos tratamentos analgésicos.

O artigo mostra que o reconhecimento de certos ácidos nucleicos, como o DNA viral, por um sensor imunológico chamado STING – presente nos neurônios responsáveis pela detecção da dor (os nociceptores) – pode ativar um canal conhecido por mediar a sensação de dor.

Analisando camundongos infectados com HSV-1, um vírus “parente” do Varicella zoster (causador da catapora e do herpes-zóster), os cientistas constataram que a ausência de STING nos nociceptores resultou em uma redução significativa da dor, sem afetar a inflamação ou a carga viral.

Esse resultado sugere que a sinalização do sensor imunológico está diretamente ligada à dor, independentemente da inflamação. Os cientistas acreditam que a descoberta pode ser relevante também para outras infecções virais, incluindo o SARS-CoV-2 (causador da Covid-19), cuja interação do vírus com STING e sua associação com a dor foram recentemente relatadas.

Frequentemente, a dor é um dos indicadores iniciais de uma infecção viral, mas os processos pelos quais ela é induzida ainda têm lacunas para a ciência. As células imunológicas normalmente reconhecem os ácidos nucleicos virais, que ativam os receptores e a sinalização viral, levando à resposta imune. Esses receptores e sinais virais estão presentes nos nociceptores.

“Demonstramos neste artigo que o reconhecimento de partes do vírus, provavelmente o DNA, por STING participa do processo de indução de dor. Pelo menos parte dele seria diretamente ligada a uma ativação do neurônio, e não à inflamação. Isso abre várias perspectivas. A grande questão agora é o quanto isso pode tornar o indivíduo mais suscetível”, diz à Agência Fapesp o professor Thiago Mattar Cunha, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), autor correspondente do artigo juntamente com Temugin Berta, do Centro Médico da Universidade de Cincinnati (Estados Unidos).

Cunha explica que o grupo está pesquisando o papel desse mecanismo na proteção do indivíduo à infecção para buscar tratamentos que evitem a dor, mas não afetem a defesa imunológica.

“A dor sempre foi associada ao processo inflamatório, mas na última década começou a surgir na literatura científica um novo conceito: o de que microrganismos – bactérias e fungos – poderiam ativá-la por meio de seus ‘produtos’. Mais recentemente surgiram evidências de que o vírus poderia ativar neurônios nociceptivos ao expressar alguns receptores, como o STING. Por isso, começamos a explorar essa via”, lembra o professor, que integra o Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (Crid), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fapesp.

Em 2017, Cunha foi coautor de um artigo publicado no Journal of Neuroscience, mostrando que mecanismos imunológicos desencadeados pelo vírus Varicella zoster, quando ele é reativado, alteram o funcionamento dos neurônios sensitivos e resultam em neuralgia herpética.

À época, uma das contribuições desse trabalho desenvolvido no Crid foi a validação de um modelo animal para o estudo dos mecanismos moleculares envolvidos na dor herpética, o mesmo utilizado na pesquisa agora publicada. Como o Varicella zoster não infecta camundongos, o grupo utilizou um microrganismo “parente”, o HSV-1, vírus do herpes simples que, em humanos, pode causar feridas labiais e genitais.

Já o Varicella zoster provoca em crianças a catapora (também conhecida como varicela), uma doença infecciosa, altamente contagiosa, mas geralmente benigna, cuja principal característica clínica são lesões na pele que se apresentam como máculas, pápulas, vesículas e crostas, acompanhadas de coceira. Uma vez adquirido o vírus, a pessoa fica imune à catapora, mas ele permanece no organismo, podendo ser reativado na vida adulta e causar o herpes-zóster (cobreiro), que passou a ser reconhecido como infecção frequente em portadores de HIV.

No Brasil não existem dados consistentes da incidência de varicela, já que somente os casos graves de internação e as mortes são de notificação compulsória. No entanto, o Ministério da Saúde estima que sejam cerca de 3 milhões de casos ao ano. Análise Epidemiológica realizada em maio de 2024 apontou que houve 25.605 internações pelo Varicella zoster entre 2013 e 2023 no país, sendo 26% na faixa etária dos 70 aos 79 anos.

Processo

A ativação de STING tradicionalmente “recruta” uma proteína (a TBK1), que induz a produção de moléculas essenciais na resposta imune, os interferons. No entanto, o estudo mostrou que a inibição de TBK1 reduziu a dor, enquanto o bloqueio de interferons não teve efeito, sugerindo que STING pode desencadear dor por caminhos independentes.

Por fim, foi demonstrado que a ativação de STING ativa um canal iônico – TRPV1 – levando à despolarização dos nociceptores. Esse mecanismo pós-transcricional também é novo em relação ao que se conhece sobre a sinalização de STING.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Mundo • 17:31h • 07 de maio de 2026

Anvisa suspende fabricação e determina recolhimento de produtos da marca Ypê

Medida foi adotada após avaliação de risco sanitário identificar falhas graves na produção

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 17:04h • 07 de maio de 2026

Brasil avança em projeto de 'gêmeo digital' do oceano para monitorar o Atlântico Sul

Iniciativa reúne especialistas para integrar dados e aprimorar previsões sobre clima, biodiversidade e economia azul

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 17:03h • 07 de maio de 2026

Maio Amarelo: Entrevias leva ações às ruas e rodovias para reduzir acidentes

Programação ao longo do mês inclui atividades educativas, abordagens a motoristas e ações com crianças em diferentes cidades da região

Descrição da imagem

Cidades • 16:38h • 07 de maio de 2026

Exame que pode salvar vidas terá atendimento noturno em Palmital no fim do mês

Papanicolau será oferecido sem agendamento no dia 27 de maio, das 18h às 21h, em unidade de saúde da cidade

Descrição da imagem

Cidades • 16:06h • 07 de maio de 2026

Maio Laranja: Maracaí promove capacitação para combater abuso infantil

Encontro será no dia 19 de maio, com dois horários no Centro Cultural, e busca fortalecer a rede de proteção no município

Descrição da imagem

Esporte • 15:47h • 07 de maio de 2026

Torcida convocada: Florínea estreia na Copa CIVAP com jogos no futebol de base e no adulto

Partidas começam neste sábado e seguem na próxima semana, com jogos no estádio e no ginásio da cidade

Descrição da imagem

Cidades • 15:10h • 07 de maio de 2026

Cruzália abre debate sobre direitos de crianças com conferência municipal

Pré-conferência acontece no dia 8 e etapa principal será no dia 15, com participação aberta à comunidade

Descrição da imagem

Cidades • 14:48h • 07 de maio de 2026

Encontro de mães atípicas em Maracaí tem nova data e será na próxima semana

Evento que seria nesta quinta-feira foi remarcado para o dia 13 de maio, com roda de conversa no Fundo Social

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar