• Ultrassecreto: CIA e o tratamento incomum para um “simples cometa” no caso 3I/ATLAS
  • FEMA oferece desconto de 10% para quem antecipar mensalidades de 2026
  • Polícia prende personal trainer em Assis por aplicar ampolas ilegais para emagrecimento
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 14:08h • 09 de outubro de 2024

Estudo de SP ajuda a entender a dor associada a infecções virais

Por meio de experimentos com camundongos infectados com o vírus do herpes, cientistas identificaram um sensor imunológico que ativa neurônios responsáveis pela dor

Agência SP | Foto: Governo de SP

A descoberta abre caminho para novos tratamentos analgésicos.
A descoberta abre caminho para novos tratamentos analgésicos.

Um estudo feito por um professor da USP e publicado na revista Brain, Behavior, and Immunity pode ajudar a entender melhor a dor associada a infecções provocadas por vírus e, com isso, abrir caminhos para novos tratamentos analgésicos.

O artigo mostra que o reconhecimento de certos ácidos nucleicos, como o DNA viral, por um sensor imunológico chamado STING – presente nos neurônios responsáveis pela detecção da dor (os nociceptores) – pode ativar um canal conhecido por mediar a sensação de dor.

Analisando camundongos infectados com HSV-1, um vírus “parente” do Varicella zoster (causador da catapora e do herpes-zóster), os cientistas constataram que a ausência de STING nos nociceptores resultou em uma redução significativa da dor, sem afetar a inflamação ou a carga viral.

Esse resultado sugere que a sinalização do sensor imunológico está diretamente ligada à dor, independentemente da inflamação. Os cientistas acreditam que a descoberta pode ser relevante também para outras infecções virais, incluindo o SARS-CoV-2 (causador da Covid-19), cuja interação do vírus com STING e sua associação com a dor foram recentemente relatadas.

Frequentemente, a dor é um dos indicadores iniciais de uma infecção viral, mas os processos pelos quais ela é induzida ainda têm lacunas para a ciência. As células imunológicas normalmente reconhecem os ácidos nucleicos virais, que ativam os receptores e a sinalização viral, levando à resposta imune. Esses receptores e sinais virais estão presentes nos nociceptores.

“Demonstramos neste artigo que o reconhecimento de partes do vírus, provavelmente o DNA, por STING participa do processo de indução de dor. Pelo menos parte dele seria diretamente ligada a uma ativação do neurônio, e não à inflamação. Isso abre várias perspectivas. A grande questão agora é o quanto isso pode tornar o indivíduo mais suscetível”, diz à Agência Fapesp o professor Thiago Mattar Cunha, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), autor correspondente do artigo juntamente com Temugin Berta, do Centro Médico da Universidade de Cincinnati (Estados Unidos).

Cunha explica que o grupo está pesquisando o papel desse mecanismo na proteção do indivíduo à infecção para buscar tratamentos que evitem a dor, mas não afetem a defesa imunológica.

“A dor sempre foi associada ao processo inflamatório, mas na última década começou a surgir na literatura científica um novo conceito: o de que microrganismos – bactérias e fungos – poderiam ativá-la por meio de seus ‘produtos’. Mais recentemente surgiram evidências de que o vírus poderia ativar neurônios nociceptivos ao expressar alguns receptores, como o STING. Por isso, começamos a explorar essa via”, lembra o professor, que integra o Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (Crid), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fapesp.

Em 2017, Cunha foi coautor de um artigo publicado no Journal of Neuroscience, mostrando que mecanismos imunológicos desencadeados pelo vírus Varicella zoster, quando ele é reativado, alteram o funcionamento dos neurônios sensitivos e resultam em neuralgia herpética.

À época, uma das contribuições desse trabalho desenvolvido no Crid foi a validação de um modelo animal para o estudo dos mecanismos moleculares envolvidos na dor herpética, o mesmo utilizado na pesquisa agora publicada. Como o Varicella zoster não infecta camundongos, o grupo utilizou um microrganismo “parente”, o HSV-1, vírus do herpes simples que, em humanos, pode causar feridas labiais e genitais.

Já o Varicella zoster provoca em crianças a catapora (também conhecida como varicela), uma doença infecciosa, altamente contagiosa, mas geralmente benigna, cuja principal característica clínica são lesões na pele que se apresentam como máculas, pápulas, vesículas e crostas, acompanhadas de coceira. Uma vez adquirido o vírus, a pessoa fica imune à catapora, mas ele permanece no organismo, podendo ser reativado na vida adulta e causar o herpes-zóster (cobreiro), que passou a ser reconhecido como infecção frequente em portadores de HIV.

No Brasil não existem dados consistentes da incidência de varicela, já que somente os casos graves de internação e as mortes são de notificação compulsória. No entanto, o Ministério da Saúde estima que sejam cerca de 3 milhões de casos ao ano. Análise Epidemiológica realizada em maio de 2024 apontou que houve 25.605 internações pelo Varicella zoster entre 2013 e 2023 no país, sendo 26% na faixa etária dos 70 aos 79 anos.

Processo

A ativação de STING tradicionalmente “recruta” uma proteína (a TBK1), que induz a produção de moléculas essenciais na resposta imune, os interferons. No entanto, o estudo mostrou que a inibição de TBK1 reduziu a dor, enquanto o bloqueio de interferons não teve efeito, sugerindo que STING pode desencadear dor por caminhos independentes.

Por fim, foi demonstrado que a ativação de STING ativa um canal iônico – TRPV1 – levando à despolarização dos nociceptores. Esse mecanismo pós-transcricional também é novo em relação ao que se conhece sobre a sinalização de STING.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Variedades • 20:25h • 09 de janeiro de 2026

Cinco tendências devem redefinir a monetização de conteúdo em 2026

Queda da publicidade tradicional acelera busca por modelos baseados em dados, audiência e diversificação de receitas no meio digital

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 19:41h • 09 de janeiro de 2026

Brasileiros publicam maior estudo do mundo sobre sequelas do zika em crianças

Pesquisa com mais de 800 casos aprofunda a compreensão da microcefalia associada ao vírus e amplia respostas para o sistema público de saúde

Descrição da imagem

Saúde • 18:23h • 09 de janeiro de 2026

Férias deixam de ser pausa e viram estratégia para produtividade no trabalho

Especialista explica por que o descanso regular deixou de ser benefício e passou a ser estratégia para empresas e profissionais

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 17:45h • 09 de janeiro de 2026

Entre 10 e 11 de janeiro, Júpiter vira o grande espetáculo do céu noturno

Planeta gigante entra em oposição e pode ser observado a olho nu durante toda a noite neste final de semana

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 17:10h • 09 de janeiro de 2026

Do litoral às cidades históricas, veja destinos na América Latina para viajar em janeiro

Minor Hotels destaca cidades que combinam clima favorável, experiências culturais e hospedagem estratégica para férias no início de 2026

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 16:47h • 09 de janeiro de 2026

Folia de Reis mantém tradição religiosa e cultural em Cruzália neste sábado

Companhia de Santos Reis da Água da Pintada realiza celebração com missa e programação especial aberta à comunidade

Descrição da imagem

Saúde • 16:13h • 09 de janeiro de 2026

A nova face do vício, dopamina fácil e perda de controle emocional em alta no Brasil

Psicólogo aponta que estímulos digitais, apostas e compras rápidas criam padrão silencioso de dependência emocional no Brasil

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 16:07h • 09 de janeiro de 2026

Ultrassecreto: CIA e o tratamento incomum para um “simples cometa” no caso 3I/ATLAS

Resposta evasiva, ausência de explicações detalhadas por agências espaciais e uma sequência de comportamentos fora do padrão mantêm o 3I/Atlas no centro de um debate que vai além da astronomia tradicional

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia

Como se preparar para o primeiro apagão cibernético de 2025