• Jurassic World: Recomeço entra no catálogo do Prime Video e vira opção de férias para assistir em família
  • Assis na São Silvestre: coordenadora de Turismo completa a 100ª edição da prova
  • Mulheres acima de 80 anos são maioria entre beneficiários de planos de saúde no Brasil
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 14:08h • 09 de outubro de 2024

Estudo de SP ajuda a entender a dor associada a infecções virais

Por meio de experimentos com camundongos infectados com o vírus do herpes, cientistas identificaram um sensor imunológico que ativa neurônios responsáveis pela dor

Agência SP | Foto: Governo de SP

A descoberta abre caminho para novos tratamentos analgésicos.
A descoberta abre caminho para novos tratamentos analgésicos.

Um estudo feito por um professor da USP e publicado na revista Brain, Behavior, and Immunity pode ajudar a entender melhor a dor associada a infecções provocadas por vírus e, com isso, abrir caminhos para novos tratamentos analgésicos.

O artigo mostra que o reconhecimento de certos ácidos nucleicos, como o DNA viral, por um sensor imunológico chamado STING – presente nos neurônios responsáveis pela detecção da dor (os nociceptores) – pode ativar um canal conhecido por mediar a sensação de dor.

Analisando camundongos infectados com HSV-1, um vírus “parente” do Varicella zoster (causador da catapora e do herpes-zóster), os cientistas constataram que a ausência de STING nos nociceptores resultou em uma redução significativa da dor, sem afetar a inflamação ou a carga viral.

Esse resultado sugere que a sinalização do sensor imunológico está diretamente ligada à dor, independentemente da inflamação. Os cientistas acreditam que a descoberta pode ser relevante também para outras infecções virais, incluindo o SARS-CoV-2 (causador da Covid-19), cuja interação do vírus com STING e sua associação com a dor foram recentemente relatadas.

Frequentemente, a dor é um dos indicadores iniciais de uma infecção viral, mas os processos pelos quais ela é induzida ainda têm lacunas para a ciência. As células imunológicas normalmente reconhecem os ácidos nucleicos virais, que ativam os receptores e a sinalização viral, levando à resposta imune. Esses receptores e sinais virais estão presentes nos nociceptores.

“Demonstramos neste artigo que o reconhecimento de partes do vírus, provavelmente o DNA, por STING participa do processo de indução de dor. Pelo menos parte dele seria diretamente ligada a uma ativação do neurônio, e não à inflamação. Isso abre várias perspectivas. A grande questão agora é o quanto isso pode tornar o indivíduo mais suscetível”, diz à Agência Fapesp o professor Thiago Mattar Cunha, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), autor correspondente do artigo juntamente com Temugin Berta, do Centro Médico da Universidade de Cincinnati (Estados Unidos).

Cunha explica que o grupo está pesquisando o papel desse mecanismo na proteção do indivíduo à infecção para buscar tratamentos que evitem a dor, mas não afetem a defesa imunológica.

“A dor sempre foi associada ao processo inflamatório, mas na última década começou a surgir na literatura científica um novo conceito: o de que microrganismos – bactérias e fungos – poderiam ativá-la por meio de seus ‘produtos’. Mais recentemente surgiram evidências de que o vírus poderia ativar neurônios nociceptivos ao expressar alguns receptores, como o STING. Por isso, começamos a explorar essa via”, lembra o professor, que integra o Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (Crid), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fapesp.

Em 2017, Cunha foi coautor de um artigo publicado no Journal of Neuroscience, mostrando que mecanismos imunológicos desencadeados pelo vírus Varicella zoster, quando ele é reativado, alteram o funcionamento dos neurônios sensitivos e resultam em neuralgia herpética.

À época, uma das contribuições desse trabalho desenvolvido no Crid foi a validação de um modelo animal para o estudo dos mecanismos moleculares envolvidos na dor herpética, o mesmo utilizado na pesquisa agora publicada. Como o Varicella zoster não infecta camundongos, o grupo utilizou um microrganismo “parente”, o HSV-1, vírus do herpes simples que, em humanos, pode causar feridas labiais e genitais.

Já o Varicella zoster provoca em crianças a catapora (também conhecida como varicela), uma doença infecciosa, altamente contagiosa, mas geralmente benigna, cuja principal característica clínica são lesões na pele que se apresentam como máculas, pápulas, vesículas e crostas, acompanhadas de coceira. Uma vez adquirido o vírus, a pessoa fica imune à catapora, mas ele permanece no organismo, podendo ser reativado na vida adulta e causar o herpes-zóster (cobreiro), que passou a ser reconhecido como infecção frequente em portadores de HIV.

No Brasil não existem dados consistentes da incidência de varicela, já que somente os casos graves de internação e as mortes são de notificação compulsória. No entanto, o Ministério da Saúde estima que sejam cerca de 3 milhões de casos ao ano. Análise Epidemiológica realizada em maio de 2024 apontou que houve 25.605 internações pelo Varicella zoster entre 2013 e 2023 no país, sendo 26% na faixa etária dos 70 aos 79 anos.

Processo

A ativação de STING tradicionalmente “recruta” uma proteína (a TBK1), que induz a produção de moléculas essenciais na resposta imune, os interferons. No entanto, o estudo mostrou que a inibição de TBK1 reduziu a dor, enquanto o bloqueio de interferons não teve efeito, sugerindo que STING pode desencadear dor por caminhos independentes.

Por fim, foi demonstrado que a ativação de STING ativa um canal iônico – TRPV1 – levando à despolarização dos nociceptores. Esse mecanismo pós-transcricional também é novo em relação ao que se conhece sobre a sinalização de STING.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 17:33h • 04 de janeiro de 2026

Jurassic World: Recomeço entra no catálogo do Prime Video e vira opção de férias para assistir em família

Lançado no segundo semestre de 2025, novo capítulo da franquia chega ao streaming em janeiro de 2026 e resgata o fascínio dos dinossauros para o público de todas as idades

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 16:52h • 04 de janeiro de 2026

São Paulo fecha 2025 com mais de 130 mil carteiras de identificação emitidas para pessoas com TEA

Documento gratuito amplia acesso a direitos, facilita atendimentos e fortalece a inclusão em serviços públicos e privados

Descrição da imagem

Saúde • 16:01h • 04 de janeiro de 2026

Gordura abdominal e perda muscular elevam risco de morte em 83%

Combinação perigosa identifica um problema ainda maior, conhecido como obesidade sarcopênica e caracterizado pela perda de massa muscular, ao mesmo tempo em que ocorre o ganho de gordura em todo o corpo

Descrição da imagem

Variedades • 15:43h • 04 de janeiro de 2026

Como cobras sobem em árvores? Butantan explica

Como a cobra se locomove sem ter pés? Como agarra presas sem ter mãos? Especialista responde essas e outras dúvidas

Descrição da imagem

Economia • 14:10h • 04 de janeiro de 2026

SP Produz investe R$ 35 milhões e impulsiona cadeias produtivas no interior paulista

Programa fortalece 194 cadeias em 16 regiões do estado, com foco em desenvolvimento regional, inovação e geração de renda

Descrição da imagem

Saúde • 13:32h • 04 de janeiro de 2026

Medicamentos vencidos e mal armazenados podem colocar sua saúde em risco

Deixar de seguir as instruções contidas na bula e nas embalagens pode trazer riscos à saúde e prejudicar a eficácia do produto

Descrição da imagem

Esporte • 13:26h • 04 de janeiro de 2026

Assis na São Silvestre: coordenadora de Turismo completa a 100ª edição da prova

Lu Jordan completou pela quarta vez a tradicional prova de 15 km, realizada em 31 de dezembro de 2025, em uma edição histórica que reuniu cerca de 55 mil corredores na capital paulista

Descrição da imagem

Economia • 12:29h • 04 de janeiro de 2026

Presidente sanciona Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 com meta de superávit de R$ 34 bilhões

LDO define prioridades fiscais do governo federal, orienta a elaboração do Orçamento e estabelece regras para despesas, investimentos e dívida pública

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia

Como se preparar para o primeiro apagão cibernético de 2025