Saúde • 11:33h • 20 de março de 2026
Estudo da UFC liga falta de leite e vermífugos à má nutrição
Pesquisa da UFC revela que falta de leite, vermífugos e acesso à educação infantil estão entre os principais fatores da chamada tripla carga de má nutrição
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do MEC | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo conduzido pela Universidade Federal do Ceará (UFC), vinculada ao Ministério da Educação, identificou os principais fatores associados à chamada tripla carga de má nutrição (TCMN), condição caracterizada pela presença simultânea de desnutrição infantil, anemia em crianças e sobrepeso ou obesidade materna dentro de uma mesma família.
A pesquisa analisou dados de 3,2 mil pares de mães e filhos, coletados em 2023 pela Pesquisa de Saúde Materno-Infantil do Ceará (Pesmic), considerada uma das mais antigas do mundo nesse tipo de levantamento. Os resultados foram publicados em revista científica internacional e apontam que uma a cada 25 famílias no estado convive com essa realidade.
Entre os principais fatores de risco identificados estão a falta de consumo de leite de vaca e a ausência do uso de medicamentos contra vermes. Crianças que não consomem leite têm mais que o dobro de chance de apresentar a condição, devido à carência de nutrientes essenciais, como proteínas e cálcio. Já aquelas que nunca utilizaram vermífugos têm risco quase 2,5 vezes maior, já que infecções parasitárias prejudicam a absorção de nutrientes e favorecem quadros de desnutrição.
A idade das crianças também influencia. Bebês com menos de seis meses apresentam até quatro vezes mais risco de desenvolver a TCMN, enquanto na faixa de 6 a 11 meses a probabilidade pode ser até cinco vezes maior. Segundo os pesquisadores, essa vulnerabilidade está ligada ao rápido crescimento nessa fase da vida.
O tamanho da família é outro fator relevante. Lares com mais de três pessoas apresentam maior risco, que se intensifica em famílias com quatro ou mais filhos, onde a chance mais que dobra. A superlotação pode favorecer condições insalubres e aumentar a exposição a doenças.
A falta de acesso à educação infantil também aparece como agravante. Crianças fora de creches ou escolas têm mais de três vezes mais chance de viver em famílias com tripla carga de má nutrição. Isso porque a ausência dessas instituições impacta a renda familiar, dificultando o acesso a alimentos adequados.
Nesse contexto, o consumo de alimentos ultraprocessados, mais baratos e menos nutritivos, cresce e contribui para o aumento da obesidade e da deficiência de micronutrientes. O estudo também aponta o tabagismo materno como fator de risco, dobrando a probabilidade da ocorrência da condição.
Os impactos da TCMN são amplos e afetam toda a família. A desnutrição infantil pode causar infecções, atraso no desenvolvimento e problemas de saúde ao longo da vida. A anemia compromete funções cognitivas, enquanto a obesidade materna está associada a doenças crônicas, como diabetes e problemas cardiovasculares.
Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas que ampliem o acesso à alimentação adequada, saúde básica e educação infantil, especialmente em regiões mais vulneráveis.
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