Saúde • 13:06h • 06 de março de 2026
Estudo alerta: menopausa sem tratamento pode elevar risco de Alzheimer e depressão no Brasil
Impacto desse período é maior para mulheres negras
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo divulgado nesta semana pelo Instituto Esfera, em Brasília, acende um alerta que vai muito além dos fogachos e das noites sem dormir: a menopausa sem acompanhamento adequado aumenta o risco de Alzheimer e depressão, afasta mulheres do mercado de trabalho e pressiona a Previdência Social — e o Brasil ainda não tem uma política pública nacional estruturada para enfrentar esse problema. A situação é ainda mais grave para as mulheres negras e para quem vive em regiões com menor acesso à saúde.
A pesquisa foi conduzida pela pesquisadora Clarita Costa Maia, da área do direito, em parceria com a médica Fabiane Berta de Sousa. O documento não trata a menopausa apenas como uma questão biológica, mas como um fenômeno social com consequências em cadeia para o trabalho, a família, a saúde mental e as contas públicas.
Os sintomas que ninguém conta
A maioria das pessoas associa a menopausa aos fogachos — as famosas ondas de calor. Mas o estudo aponta que os efeitos não tratados vão muito além: alterações de humor, insônia, dificuldade de concentração e oscilações emocionais intensas que a própria mulher muitas vezes não consegue explicar.
"São fases de altos e baixos emocionais. Pode haver rupturas em nível pessoal das quais a pessoa precisa se recuperar com o tempo e não está entendendo o que ocorre consigo mesma", explicou Clarita Costa Maia à Agência Brasil.
Com o tempo, quando esses sintomas não recebem atenção médica, as consequências se agravam. Segundo a pesquisadora, a menopausa sem tratamento aumenta significativamente as chances de desenvolvimento de Alzheimer, depressão e outras condições relacionais graves.
O custo para o trabalho e para a família
Um dos achados mais impactantes do estudo é o vínculo entre os sintomas da menopausa e a instabilidade no emprego. Quando não tratados, os sintomas físicos e psicológicos podem tornar insustentável a relação da mulher com o trabalho, com consequências que se espalham por toda a família.
No Brasil, a mulher em período de menopausa é, em muitos casos, o principal sustento do lar. "Ela é, em regra, o arrimo de família e líder familiar. São mulheres que ficam numa posição muito frágil no mercado de trabalho", ressaltou a pesquisadora.
O afastamento do mercado de trabalho gera pressão sobre a Previdência Social e retira do país trabalhadoras que estariam, segundo a pesquisa, "na sua melhor fase intelectual".
Mulheres negras, as mais afetadas
O estudo destaca com atenção especial o impacto desproporcional que a menopausa tem sobre as mulheres negras. A explicação tem dois eixos: o biológico e o social.
"O que constatamos é que a menopausa tem um componente biológico que atinge mais as mulheres negras e há o cruzamento de vulnerabilidades. São mulheres que sentem a menopausa com mais peso, biologicamente e socialmente falando", explicou Clarita Costa Maia.
Mulheres negras que vivem em comunidades com menos acesso à saúde pública enfrentam os sintomas sem diagnóstico, sem tratamento e sem afastamento médico — e ainda carregam sobre os ombros a responsabilidade financeira e emocional da família.
A menopausa está chegando mais cedo
Outro alerta do estudo é o aumento dos casos de menopausa precoce, antes dos 40 anos. Segundo a pesquisadora, o estilo de vida contemporâneo, marcado por estresse crônico, má alimentação e sedentarismo, está antecipando tanto a menopausa quanto a andropausa (o equivalente masculino).
Com o envelhecimento progressivo da população brasileira, o problema tende a se ampliar nas próximas décadas caso não haja intervenção estruturada.
O que o estudo pede
O documento defende que o Brasil mapeie a realidade nacional sobre menopausa, um passo básico que ainda não foi dado, e crie políticas públicas específicas, com atenção diferenciada para mulheres negras e em situação de vulnerabilidade.
"A ausência de política pública nacional estruturada para a menopausa não é neutra. Produz efeitos concretos sobre a saúde, a economia e a cidadania de milhões de mulheres, com custos que se projetam sobre o sistema de saúde, a Previdência Social e a produtividade nacional", afirma o estudo.
Tratar a mulher na menopausa, segundo as pesquisadoras, é cuidar de todo o núcleo familiar e também da economia do país.
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