Educação • 15:38h • 24 de maio de 2026
Estudantes vivenciam experiência de pesquisa sem respostas instantâneas da internet
Atividade na UnB resgata métodos tradicionais de investigação acadêmica e propõe reflexão sobre aprendizado na era digital
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Press FC | Foto: Âncora1
Em um cenário dominado por inteligência artificial, buscas instantâneas e respostas rápidas na internet, estudantes da SIS Brasília participaram de uma experiência que propôs justamente o oposto da lógica atual: desacelerar a pesquisa e compreender o processo de construção do conhecimento dentro de uma biblioteca física.
A atividade foi realizada no campus da Universidade de Brasília (UnB) e apresentou aos alunos uma dinâmica que fazia parte da rotina da maioria dos estudantes até o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, quando pesquisas acadêmicas dependiam diretamente de livros físicos, catálogos e consultas presenciais em bibliotecas.
Durante a visita, os estudantes aprenderam sobre organização de acervos, sistemas de catalogação, divisão por áreas do conhecimento e formas tradicionais de investigação acadêmica. A proposta não era apenas encontrar respostas, mas entender o caminho percorrido até elas.
Em vez de simplesmente digitar perguntas em ferramentas digitais, os alunos foram incentivados a buscar referências, comparar fontes, interpretar conteúdos e construir raciocínios de maneira mais aprofundada.
Segundo o diretor da SIS Brasília, Henrick Oprea, a experiência ganha importância justamente em um período marcado pelo excesso de informação e pela superficialidade de parte do consumo digital. “Em um cenário em que as respostas são imediatas e muitas vezes superficiais, é essencial que os alunos desenvolvam a capacidade de investigar com profundidade. A biblioteca física exige um ritmo mais reflexivo e contribui para a formação de um pensamento crítico mais sólido”, afirma.
Pesquisa mudou radicalmente nas últimas décadas
Até pouco mais de duas décadas atrás, bibliotecas físicas ocupavam papel central na rotina escolar e universitária. Trabalhos acadêmicos exigiam consultas em enciclopédias impressas, empréstimos de livros e horas de pesquisa entre estantes.
Com a popularização da internet e, mais recentemente, da inteligência artificial, o acesso à informação se tornou muito mais rápido. Ao mesmo tempo, especialistas em educação alertam que a velocidade das respostas pode reduzir etapas importantes do aprendizado, como interpretação crítica, checagem de fontes e aprofundamento analítico.
Para a bibliotecária da SIS Brasília, Carine Fernandes, o ambiente da biblioteca continua oferecendo uma experiência importante de construção autônoma do conhecimento. “A biblioteca é um espaço de descoberta que vai muito além dos livros. Aqui, os estudantes aprendem a questionar, comparar perspectivas e construir conhecimento com mais autonomia”, explica.
A atividade também aproximou os alunos do ambiente universitário e estimulou discussões sobre responsabilidade no consumo de informação, uso equilibrado das tecnologias e autonomia intelectual. Para muitos estudantes, a experiência serviu como contraste entre duas formas de aprender: a lógica acelerada das respostas digitais e o processo mais investigativo das pesquisas tradicionais.
A estudante Sofia Moreno, do segundo ano, afirma que a atividade ajudou a enxergar a pesquisa de outra maneira. “Você percebe que pesquisar não é apenas encontrar uma resposta pronta. Existe interpretação, contexto e construção de raciocínio”, relata.
Os organizadores destacam que a proposta não busca rejeitar as ferramentas digitais, mas mostrar que tecnologia e pensamento crítico precisam caminhar juntos.
Em um ambiente cada vez mais guiado por algoritmos e respostas automatizadas, experiências como a realizada na UnB tentam reforçar aos estudantes que aprender também exige tempo, investigação e capacidade de questionar aquilo que aparece pronto na tela.
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