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Ciência e Tecnologia • 19:23h • 15 de maio de 2026

Especialista alerta para riscos emocionais no uso de chatbots como substitutos da terapia

Psicólogo Paulo Zago Neto afirma que inteligência artificial pode gerar dependência emocional, isolamento social e interpretações equivocadas sobre saúde mental

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Idealizzare Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Especialista diz que tecnologia não substitui escuta terapêutica humana
Especialista diz que tecnologia não substitui escuta terapêutica humana

O avanço da inteligência artificial vem mudando a forma como muitas pessoas buscam apoio emocional, aconselhamento e companhia no dia a dia. Em meio ao aumento da ansiedade, da solidão, da sobrecarga emocional e da dificuldade de socialização, conversar com chatbots passou a ser uma alternativa cada vez mais comum. Para o psicólogo Paulo Zago Neto, conhecido como Neto Zago, esse movimento exige atenção, principalmente quando a tecnologia começa a substituir relações humanas e acompanhamento psicológico profissional.

Segundo o especialista, existe um risco crescente de agravamento emocional quando respostas automatizadas são interpretadas como orientações terapêuticas confiáveis ou diagnósticos psicológicos. Ele alerta que sistemas de inteligência artificial não possuem capacidade clínica para compreender integralmente contextos emocionais complexos nem avaliar o sofrimento humano de maneira adequada.

“Apesar da evolução e sofisticação tecnológica, os chatbots não possuem capacidade clínica para avaliar contextos emocionais complexos ou entender o sofrimento humano”, afirma Paulo Zago Neto.

O psicólogo destaca que a sensação de acolhimento imediato oferecida pelas plataformas digitais pode criar uma percepção ilusória de compreensão profunda. Para ele, fatores como rapidez nas respostas e ausência de julgamento favorecem o aumento desse tipo de vínculo emocional com ferramentas de inteligência artificial.

Imediatismo e sensação de acolhimento favorecem dependência

De acordo com Neto Zago, muitas pessoas recorrem aos chatbots em busca de conforto emocional justamente porque conseguem respostas instantâneas e interações sem medo de críticas ou constrangimentos.

Na avaliação do especialista, esse cenário pode favorecer o desenvolvimento de relações de dependência emocional semelhantes às construídas em vínculos interpessoais. “Diferente das relações interpessoais, os chatbots oferecem respostas instantâneas e uma falsa sensação de compreensão absoluta, elementos que podem favorecer vínculos emocionais intensos e até dependência psicológica”, explica.

O psicólogo ressalta ainda que inteligências artificiais podem cometer erros graves ao interpretar sintomas emocionais, validar pensamentos prejudiciais ou minimizar situações que exigem acompanhamento profissional imediato. Para ele, o problema não está necessariamente no uso da tecnologia, mas na substituição da escuta humana qualificada por respostas automatizadas que não conseguem compreender nuances emocionais, históricos pessoais e contextos subjetivos.

Tecnologia pode ajudar, mas não substituir acompanhamento profissional

Embora reconheça que chatbots possam funcionar como ferramentas complementares de organização, informação e apoio pontual, Paulo Zago Neto reforça que o cuidado com a saúde mental precisa continuar sendo conduzido por profissionais capacitados.

Segundo ele, a terapia envolve construção emocional, análise clínica, vínculo terapêutico e compreensão individualizada, fatores que não podem ser reproduzidos integralmente por sistemas automatizados. “A tecnologia pode auxiliar, mas não pode ocupar o lugar da escuta terapêutica e da construção emocional promovida por um profissional capacitado”, afirma.

O especialista também chama atenção para o impacto do isolamento social no aumento da busca por interações artificiais. Em um contexto de relações mais superficiais e rotinas emocionalmente desgastantes, muitas pessoas acabam encontrando nos chatbots uma sensação imediata de acolhimento e disponibilidade constante.

Para Neto Zago, o desafio daqui para frente será equilibrar o uso saudável da inteligência artificial sem comprometer relações humanas, vínculos afetivos reais e o acesso adequado aos cuidados com a saúde mental.

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