Educação • 08:43h • 30 de agosto de 2026
Escola vira decisão de longo prazo e famílias passam a olhar muito além do vestibular
Além do desempenho acadêmico, idiomas, autonomia, comunicação e competências socioemocionais entram na decisão dos pais sobre a formação dos filhos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Clari Assessoria | Foto: Divulgação
Escolher onde os filhos vão estudar deixou de envolver apenas fatores como proximidade, tradição e desempenho acadêmico. Parte das famílias brasileiras passou a avaliar a escola como uma decisão de longo prazo, considerando também idiomas, competências socioemocionais e habilidades que possam preparar crianças e adolescentes para diferentes ambientes profissionais e culturais.
O movimento acompanha mudanças nas próprias exigências de formação. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por meio do Future of Education and Skills 2030, inclui pensamento crítico, colaboração, criatividade, comunicação e capacidade de adaptação entre as competências relevantes para os estudantes.
Essa ampliação de expectativas ajuda a impulsionar modelos interculturais e bilíngues, nos quais a formação acadêmica tradicional divide espaço com outras habilidades. O investimento das famílias, porém, pode ser elevado: enquanto o gasto público médio na educação básica é de aproximadamente R$ 12,5 mil por estudante ao ano, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2024, mensalidades de instituições privadas bilíngues e de padrão internacional podem ultrapassar R$ 5 mil.
Formação vai além das notas
Para Philip Murdoch, fundador da rede Legacy School, as famílias estão procurando uma preparação que acompanhe mudanças sociais e profissionais. Segundo ele, conhecimento acadêmico continua essencial, mas autonomia, comunicação, colaboração e capacidade de resolver problemas passaram a ter maior peso nessa formação.
A tendência também movimenta o mercado educacional. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) apontam faturamento de R$ 16,7 bilhões no segmento de Educação nos últimos 12 meses, com crescimento de 6,1%.
A própria Legacy School encerrou 2025 com 34 unidades e iniciou 2026 com 48 escolas em operação, avanço de 41%. A rede pretende alcançar 70 unidades até 2027.
Escola entra no planejamento das famílias
A transformação não significa abandonar provas, vestibulares ou conteúdos tradicionais, mas acrescentar novas expectativas ao que pais esperam da formação escolar. Em um ambiente mais conectado e internacionalizado, a capacidade de comunicação, adaptação e convivência em diferentes contextos começa a influenciar uma escolha que acompanhará os filhos durante anos.
Com isso, a pergunta deixa de ser apenas qual escola oferece bom desempenho acadêmico. Para algumas famílias, também passa a importar quais ferramentas aquela formação poderá entregar para a vida adulta e para um mercado de trabalho que continuará mudando.
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