Saúde • 10:35h • 31 de janeiro de 2026
Entenda os sinais e impactos da síndrome dos ovários policísticos
Condição afeta até 13% das mulheres em idade reprodutiva e pode passar despercebida em até 70% dos casos, alerta especialista
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Medellin Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A presença de cistos nos ovários costuma ser descoberta de forma casual em consultas ginecológicas de rotina. Em muitos casos, trata-se de alterações transitórias e sem maior impacto clínico. Em outros, porém, o achado pode estar relacionado à Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma condição crônica, de origem multifatorial, que afeta milhões de mulheres e ainda é subdiagnosticada no Brasil e no mundo.
A SOP ocorre quando os folículos ovarianos não amadurecem adequadamente e passam a se acumular, formando pequenos cistos de maneira persistente. A condição está associada a fatores genéticos, resistência à insulina e desequilíbrios hormonais. De acordo com estimativas baseadas em dados da World Health Organization, entre 6% e 13% das mulheres em idade fértil convivem com a síndrome.
Apesar da alta prevalência, até 70% das mulheres com SOP não recebem diagnóstico. Segundo o ginecologista Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose, a falta de identificação está ligada ao fato de que cistos ovarianos podem surgir ao longo da vida reprodutiva sem, necessariamente, indicar doença. Esse cenário faz com que muitas mulheres não percebam a necessidade de acompanhamento especializado.
Entre os sintomas mais frequentes da SOP estão menstruação irregular, cólicas intensas, elevação dos níveis de testosterona, desconforto abdominal ou pélvico e dificuldade para engravidar. De acordo com o especialista, os primeiros sinais costumam surgir ainda na adolescência, mas o quadro pode se modificar ao longo da vida, exigindo reavaliações periódicas.
A síndrome é considerada a principal causa de anovulação, condição em que não ocorre a liberação regular de óvulos. Ainda assim, o avanço da medicina reprodutiva ampliou as possibilidades de tratamento. Técnicas como a fertilização in vitro permitem aumentar de forma significativa as chances de gestação para mulheres que desejam engravidar.
Impactos que vão além do físico
Além dos efeitos sobre a saúde reprodutiva, a SOP também provoca repercussões importantes na saúde mental. Alterações de humor, baixa autoestima e insatisfação com a própria imagem corporal são comuns, influenciadas por fatores como ganho de peso, acne, excesso de pelos, irregularidade menstrual e infertilidade.
Segundo Marcos Tcherniakovsky, o impacto emocional da síndrome pode comprometer o desempenho profissional, as relações sociais e a qualidade de vida. Por isso, o cuidado com a saúde mental deve integrar o plano terapêutico, ao lado do acompanhamento clínico.
O diagnóstico de SOP não representa um desfecho definitivo, mas o início de uma estratégia de cuidado contínuo. O especialista destaca que uma rotina estruturada, com escolhas alimentares adequadas, prática regular de atividade física e acompanhamento médico, contribui para reduzir o risco de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia, doenças cardiovasculares e câncer de endométrio.
Com informação, diagnóstico precoce e acompanhamento multidisciplinar, é possível controlar os sintomas, preservar a saúde e ampliar a qualidade de vida das mulheres que convivem com a síndrome.
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