Saúde • 09:13h • 17 de outubro de 2026
Enjoa no carro ou no ônibus? Entenda por que isso acontece e quando é sinal de alerta
Conhecida como cinetose, condição provoca náuseas, tontura e suor frio durante deslocamentos; especialista explica por que acontece, como prevenir e quando procurar atendimento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da V3com Assessoria | Foto: Divulgação
Sentir enjoo, tontura ou mal-estar durante viagens de carro, ônibus, barco ou avião pode ser sinal de cinetose, condição conhecida popularmente como enjoo de movimento. O problema ocorre quando o cérebro recebe informações conflitantes dos sistemas responsáveis pela visão, equilíbrio e percepção corporal. Um estudo realizado pela Headache Center Brasil, em São Paulo, identificou que 73,6% dos pacientes adultos com enxaqueca e tontura haviam apresentado cinetose na infância, indicando uma possível associação entre o histórico desses sintomas e a enxaqueca vestibular.
A cinetose acontece porque os olhos, o ouvido interno e os músculos enviam informações ao cérebro sobre a posição e o movimento do corpo. Quando esses sinais não correspondem entre si, podem surgir náuseas, tontura, suor frio e desconforto.
Um exemplo comum ocorre quando alguém tenta ler ou utilizar o celular dentro de um veículo em movimento. Enquanto os olhos permanecem concentrados em uma superfície aparentemente parada, o labirinto, localizado no ouvido interno, percebe as acelerações, freadas e curvas.
Segundo a otorrinolaringologista Lisandra Arima, do Hospital IPO, essa diferença entre as informações recebidas pelo cérebro explica o surgimento dos sintomas. "O labirinto é como o sensor de movimento da cabeça. Na cinetose, o cérebro não consegue organizar de forma eficiente a informação que recebe do labirinto, visão e tato, o que acaba causando esses sintomas de mal-estar", explica.
Pessoas com histórico de enxaqueca podem ter maior predisposição
Embora qualquer pessoa possa apresentar cinetose, algumas são mais sensíveis aos estímulos de movimento. De acordo com a especialista, indivíduos com histórico pessoal ou familiar de enxaqueca apresentam maior predisposição, mas isso não significa que o problema seja exclusivo desse grupo.
A pesquisa realizada em São Paulo identificou uma associação entre a ocorrência de cinetose na infância e sintomas de enxaqueca e tontura na idade adulta. O resultado, entretanto, não significa que crianças que enjoam durante viagens necessariamente desenvolverão enxaqueca vestibular.
A frequência e as circunstâncias dos episódios também merecem atenção. Quando a tontura aparece mesmo sem deslocamento, ocorre repetidamente ou não apresenta relação clara com movimentos, pode estar associada a outras alterações do sistema vestibular.
É possível acostumar o organismo aos movimentos?
Em algumas pessoas, a exposição repetida a determinados movimentos pode favorecer a adaptação do sistema vestibular e reduzir os sintomas. Esse processo, porém, não acontece da mesma maneira para todos e não deve ser utilizado como tratamento por conta própria.
Uma das possibilidades de acompanhamento é a reabilitação vestibular, realizada com orientação de fisioterapeuta especializado. A técnica trabalha a adaptação do organismo aos movimentos e situações que provocam tontura, conforme as necessidades de cada paciente.
Como evitar enjoos durante viagens
Algumas medidas simples podem ajudar a diminuir o desconforto, especialmente em pessoas que apresentam cinetose durante deslocamentos:
- Evitar ler livros ou utilizar o celular por períodos prolongados dentro de veículos em movimento;
- Manter os olhos direcionados para o ambiente externo e, quando possível, para a direção do deslocamento;
- Identificar quais situações costumam provocar os sintomas para reduzir a exposição aos estímulos desencadeantes;
- Procurar avaliação médica quando os episódios forem frequentes ou interferirem nas atividades cotidianas.
Lisandra alerta que tonturas acompanhadas de perda auditiva, dor de cabeça, visão dupla, dificuldade para caminhar ou que surgem ao deitar também precisam ser investigadas. O mesmo vale para sintomas que persistem por mais de 24 horas, mesmo sem movimentação da cabeça.
Nessas situações, a avaliação especializada é importante para diferenciar a cinetose de outras condições que podem afetar o equilíbrio.
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