Educação • 09:11h • 10 de maio de 2026
Enfrentamento à violência é desafio para 71,7% dos gestores de escolas
Profissionais relatam dificuldade em temas como racismo e bullying
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Sete em cada dez gestores de escolas públicas relatam dificuldades para abordar temas ligados ao enfrentamento das violências no ambiente escolar, como bullying, racismo e capacitismo. O dado faz parte de uma pesquisa sobre clima escolar realizada com 136 gestores de 105 escolas públicas municipais e estaduais em diferentes regiões do país.
O levantamento, divulgado pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), servirá de base para o novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, iniciativa do governo federal voltada à promoção de ambientes escolares mais acolhedores e seguros.
Segundo o coordenador da pesquisa, Adriano Moro, lidar com situações de violência nas escolas é um desafio complexo, que exige preparo, apoio institucional e ações planejadas. Ele destaca que um dos principais obstáculos é a naturalização de comportamentos violentos dentro do ambiente escolar.
Em muitos casos, agressões acabam sendo tratadas como brincadeiras por adultos da escola, o que pode minimizar a gravidade das situações e dificultar intervenções adequadas justamente quando os estudantes mais precisam de apoio.
O pesquisador também ressalta que muitas escolas estão inseridas em territórios marcados pela violência fora do ambiente escolar, além de enfrentarem dificuldades para envolver famílias e comunidades nas ações de prevenção e enfrentamento.
Outro ponto destacado pela pesquisa é o uso genérico do termo bullying, que frequentemente acaba ocultando outras formas específicas de violência, como racismo, xenofobia, violência de gênero e preconceito contra pessoas com deficiência.
Além das dificuldades no combate às violências, os gestores também apontaram desafios relacionados ao fortalecimento das relações escolares. Cerca de 68% relataram problemas na aproximação entre escola, famílias e comunidade. Outros 64% identificaram dificuldades na construção de bons relacionamentos entre estudantes.
Mais de 60% dos participantes disseram enfrentar obstáculos para estimular o sentimento de pertencimento dos alunos e melhorar a relação entre estudantes e professores. Já quase metade dos gestores afirmou ter dificuldades para promover a sensação de segurança dentro da escola.
A pesquisa também revelou que mais da metade das unidades escolares nunca realizou um diagnóstico estruturado sobre o clima escolar, etapa considerada fundamental para orientar políticas de convivência e aprendizagem.
Embora a maioria das escolas tenha equipes responsáveis por ações voltadas ao clima escolar, muitas ainda concentram essas atividades diretamente na gestão, o que evidencia a sobrecarga dos profissionais da educação.
Para Adriano Moro, um clima escolar positivo está diretamente ligado ao desempenho pedagógico e ao bem-estar dos estudantes. Segundo ele, ambientes acolhedores, baseados no respeito, na escuta e na confiança, favorecem a aprendizagem e ajudam a prevenir situações de violência.
O estudo ouviu escolas de dez estados brasileiros entre março e julho de 2025 e foi divulgado na mesma semana em que o governo federal recriou um grupo de trabalho para elaborar propostas de combate ao bullying e ao preconceito nas escolas.
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