Mundo • 15:38h • 09 de setembro de 2026
Eles parecem médicos, mas são IA: 97 perfis entram na mira do Ministério da Saúde
Ministério da Saúde analisou 97 perfis com conteúdos que simulam profissionais de saúde; vídeos oferecem tratamentos sem comprovação e chegam a vender produtos e serviços
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MS | Foto: Divulgação
Vídeos produzidos com inteligência artificial estão criando falsos médicos e especialistas para recomendar tratamentos, prometer curas e promover produtos sem comprovação científica na internet. Após análise de 97 perfis com esse tipo de conteúdo, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube e cobrou a retirada dos vídeos identificados ou a adoção de alertas que deixem claro aos usuários que os personagens são artificiais.
Os perfis foram analisados pelo programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026. As informações levantadas também foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina.
Segundo o Ministério da Saúde, os conteúdos utilizam avatares de aparência humana apresentados como médicos ou outros profissionais de saúde, atribuem qualificações fictícias aos personagens e empregam linguagem alarmista para aumentar a credibilidade das mensagens. Parte dos perfis é direcionada especialmente ao público idoso.
Avatares vendem produtos e prometem tratamentos
Em alguns dos casos identificados, a suposta autoridade médica dos personagens é utilizada para promover produtos, e-books e serviços pagos. O problema não se restringe à identificação do conteúdo como artificial, já que os vídeos também disseminam informações falsas relacionadas à saúde.
Entre os riscos apontados pelo Ministério estão automedicação, utilização de terapias sem eficácia comprovada, demora na procura por atendimento profissional e até interrupção ou substituição de tratamentos.
Na notificação enviada na sexta-feira (4), a AGU concedeu prazo de 72 horas para que o YouTube tornasse indisponíveis os conteúdos especificamente identificados ou, dependendo do caso, adotasse rotulagem e contextualização capazes de informar que os personagens apresentados são artificiais.
YouTube também deverá avaliar outros canais
A plataforma foi chamada a analisar os demais canais e vídeos indicados no relatório do Ministério da Saúde de acordo com suas políticas sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético. A AGU também pediu medidas destinadas a prevenir a disseminação desse tipo de material.
A iniciativa integra uma força-tarefa interministerial articulada com a AGU e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Pelo programa Saúde com Ciência, o Ministério monitora redes sociais, realiza checagens e encaminha casos aos órgãos competentes conforme a natureza e a gravidade do conteúdo identificado.
A ação ocorre após outra notificação envolvendo desinformação e fraude na área da saúde. Em caso anterior, 18 grupos e canais identificados no Telegram ofereciam comprovantes e passaportes vacinais falsificados, inclusive com anúncios de inserção de registros adulterados nos sistemas oficiais do SUS. Após a notificação, a plataforma removeu os grupos e canais denunciados e excluiu uma conta apontada na apuração.
Como reconhecer o alerta nos conteúdos
O Ministério da Saúde recomenda atenção especial a conteúdos que recorrem a supostos profissionais para divulgar curas, tratamentos ou produtos e orienta a população a buscar informações em fontes oficiais e confiáveis.
As notificações também abordam a responsabilidade das plataformas diante de conteúdos ilícitos publicados por terceiros. A AGU cita parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal e incorporados pelo Decreto nº 12.975/2026, além das próprias regras das plataformas contra conteúdos ilegais.
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