Política • 08:14h • 28 de agosto de 2026
Eleições 2026 terão ferramenta para detectar vídeos de IA que imitam candidatos no YouTube
Ferramenta lançada em parceria entre TSE e Google identifica conteúdos sintéticos, incluindo deepfakes, e permite solicitar a remoção em casos de uso indevido
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Candidatos das eleições de 2026 poderão usar uma ferramenta do YouTube para identificar vídeos produzidos ou modificados por inteligência artificial que reproduzam sua aparência. A iniciativa foi apresentada nesta quarta-feira, 26 de agosto, em Brasília, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Google e busca ampliar a proteção contra deepfakes e outros conteúdos sintéticos capazes de utilizar indevidamente a identidade de participantes do processo eleitoral.
Chamada de Detecção por Semelhanças, ou Likeness ID, a ferramenta está disponível para usuários maiores de 18 anos. Depois do cadastramento, o sistema procura conteúdos publicados no YouTube que apresentem semelhanças com a aparência da pessoa e envia notificações quando identifica possíveis ocorrências.
A iniciativa chega às eleições de 2026 em meio à preocupação com o potencial da inteligência artificial generativa para produzir vídeos nos quais uma pessoa pode aparentemente falar ou realizar algo que não aconteceu. No caso dos candidatos, esse tipo de manipulação pode atingir diretamente a imagem e a honra de quem disputa o pleito.
Para utilizar o recurso, o candidato precisa ter uma conta no YouTube e acessar, pelo YouTube Studio, a área de detecção de conteúdo por semelhança. Também é possível criar uma conta especificamente para essa finalidade.
Depois de aceitar os termos de uso, o usuário passa por uma verificação de identidade que exige documento oficial e uma selfie feita em foto e vídeo. Com essas informações, a plataforma cria um registro da aparência da pessoa que servirá de referência para localizar possíveis reproduções em vídeos.
O processamento desse cadastro pode demorar até dois dias. Concluída essa etapa, o YouTube passa a realizar varreduras nos conteúdos publicados e notifica o usuário quando encontra vídeos que reproduzam sua imagem.
Alerta não significa remoção automática
Ao ser notificado, o candidato poderá analisar o vídeo identificado e decidir se considera que houve utilização indevida de sua imagem. Nesse caso, será possível apresentar um pedido de remoção à plataforma.
O conteúdo, entretanto, não é retirado automaticamente apenas porque foi detectado pelo sistema. A denúncia será avaliada segundo as políticas de privacidade do YouTube e a remoção ocorrerá caso seja constatada violação das regras da plataforma.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a tecnologia não substitui a análise humana nem os mecanismos de fiscalização existentes. Segundo ele, o objetivo é ampliar a capacidade de localizar conteúdos que possam causar prejuízos à imagem e à honra dos participantes das eleições.
Ao apresentar a iniciativa, Nunes Marques destacou a necessidade de cooperação diante dos riscos relacionados ao uso inadequado da inteligência artificial generativa. “Tenho a certeza de que a união dos setores público e privado, em prol dos valores democráticos, é uma das mais significativas expressões do texto constitucional”, afirmou.
O presidente do Google Brasil e vice-presidente da Google Inc., Fábio Coelho, destacou que a empresa mantém colaboração com a Justiça Eleitoral desde 2014. Segundo ele, recursos voltados à identificação do uso indevido da imagem podem ajudar especialmente diante de conteúdos destinados a difamar pessoas ou induzir o público ao erro.
A ferramenta amplia, assim, os mecanismos disponíveis para que os próprios candidatos acompanhem como suas imagens aparecem no YouTube durante o processo eleitoral. A identificação feita pela tecnologia funciona como um alerta inicial, enquanto a avaliação do conteúdo e eventual retirada continuam dependendo de análise posterior.
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