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Variedades • 15:36h • 19 de maio de 2026

El Niño 2026-2027 entra no radar global e pode provocar meses de instabilidade no Brasil

Órgãos internacionais já apontam alta probabilidade de formação do fenômeno entre a primavera e o verão; cenário exige atenção para chuva extrema, calor e impactos econômicos

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Âncora1/Ilustração

Mundo monitora avanço do El Niño e Brasil pode entrar em rota de tempestades, ondas de calor e prejuízos
Mundo monitora avanço do El Niño e Brasil pode entrar em rota de tempestades, ondas de calor e prejuízos

O fenômeno climático El Niño voltou a entrar no radar dos principais centros meteorológicos do mundo e já acende um sinal de alerta para o Brasil. Projeções divulgadas por órgãos internacionais indicam alta probabilidade de desenvolvimento do fenôeno entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, período que pode ser marcado por eventos extremos de chuva, calor intenso, tempestades e impactos diretos na agricultura, no abastecimento e nas cidades.

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), considerada uma das principais referências mundiais em monitoramento climático, aponta atualmente cerca de 60% de chance de formação do El Niño já no trimestre entre maio, junho e julho. Segundo as projeções divulgadas pelo órgão, essa probabilidade sobe para mais de 90% a partir da primavera, especialmente entre setembro e novembro.

Na prática, especialistas já tratam como altamente provável a formação de um novo episódio do fenômeno climático para o ciclo 2026-2027.

Fenômeno ainda não tem intensidade definida

Embora o desenvolvimento do El Niño seja considerado praticamente certo por diversos centros meteorológicos internacionais, ainda existe incerteza sobre a intensidade que o fenôeno poderá atingir.

Segundo análises do Instituto Internacional de Pesquisa em Clima e Sociedade (IRI), ligado à Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, ainda é cedo para afirmar se o evento será moderado, forte ou muito forte. Mesmo assim, parte dos modelos já trabalha com possibilidade significativa de um El Niño intenso.

Dados preliminares indicam atualmente cerca de 25% de chance de ocorrência de um El Niño forte e outros 25% para um episódio classificado como muito forte, cenário associado a temperaturas mais elevadas no Oceano Pacífico Equatorial.

Especialistas explicam que previsões feitas nesta época do ano ainda possuem margem elevada de incerteza, principalmente em relação à força do fenôeno. Apesar disso, o consenso internacional é de que o cenário merece atenção desde já.

O que é o El Niño e por que ele preocupa

O El Niño é um fenôeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere diretamente nos padrões atmosféricos globais e costuma provocar mudanças importantes no regime de chuvas, temperaturas e circulação dos ventos em diversas partes do planeta.

No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região. Historicamente, episódios de El Niño estão associados a aumento de chuvas intensas no Sul do país, temporais frequentes, enchentes e deslizamentos, enquanto áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar redução das chuvas e períodos mais secos.

Em outras regiões, o fenôeno também pode favorecer ondas de calor, instabilidade atmosférica e alterações no comportamento climático ao longo da primavera e do verão.

Especialistas pedem atenção desde agora

Meteorologistas e pesquisadores destacam que o momento ainda é de monitoramento, mas reforçam que o fenôeno já precisa entrar no radar da população, de produtores rurais, empresas e órgãos públicos.

A preocupação aumenta porque os últimos anos já foram marcados por eventos climáticos extremos no Brasil, incluindo enchentes históricas, secas severas, ondas de calor e tempestades de grande impacto econômico e social.

Além dos riscos à agricultura e ao abastecimento, especialistas alertam que cidades com problemas de drenagem urbana, áreas de encosta e regiões vulneráveis a enchentes podem enfrentar novos desafios caso o fenôeno avance com intensidade elevada.

Outro fator que preocupa pesquisadores é a combinação entre o El Niño e o aquecimento global. Estudos apontam que eventos climáticos extremos podem se tornar ainda mais intensos em um planeta mais quente.

Brasil deve acompanhar próximos boletins climáticos

Os próximos meses serão decisivos para confirmar a consolidação do fenôeno e entender qual será sua intensidade real entre o fim de 2026 e o começo de 2027.

A tendência é que novos boletins internacionais sejam divulgados ao longo do inverno, período considerado mais confiável para projeções sobre a força do El Niño.

Enquanto isso, especialistas recomendam atenção constante às atualizações meteorológicas e planejamento preventivo, principalmente em setores diretamente impactados pelo clima.

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