Economia • 15:21h • 14 de abril de 2026
Efeito calendário salva março e mascara queda real do varejo brasileiro
Carnaval em fevereiro e Páscoa antecipada influenciaram vendas; sem efeito calendário, setor teria recuo no mês
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Cielo | Foto: Divulgação
O varejo brasileiro registrou crescimento real de 0,6% em março de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, já descontada a inflação, segundo dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O resultado foi influenciado diretamente por fatores de calendário, como o deslocamento do Carnaval para fevereiro e a concentração de compras de Páscoa no fim de março, que ajudaram a sustentar o desempenho em um cenário de consumo pressionado.
Sem esses efeitos sazonais, o indicador aponta que o varejo teria recuado 1,0% no período, evidenciando um ambiente ainda desafiador, marcado por inflação persistente, alto nível de endividamento das famílias e incertezas externas, como o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o preço do petróleo.

O comércio eletrônico foi o principal destaque do mês, com crescimento nominal de 10,5%, impulsionado por campanhas promocionais como o mês do consumidor, tradicionalmente mais forte no ambiente digital. Já o varejo físico avançou 1,5%, indicando um ritmo mais moderado nas lojas presenciais.
Na análise regional, o desempenho foi heterogêneo. Nordeste (+1,9%) e Sul (+1,4%) apresentaram crescimento real, enquanto as demais regiões registraram retração no recorte deflacionado sem ajuste de calendário. No ranking estadual, Sergipe liderou a expansão, com alta de 6,5%, seguido por Amapá (+5,0%) e Minas Gerais (+4,0%). Por outro lado, Pará (-3,4%), Goiás (-2,0%) e Roraima (-1,4%) tiveram as maiores quedas no período.

O comportamento por macrossetores reforça a mudança no padrão de consumo. Bens não duráveis cresceram 3,2%, puxados principalmente pela Páscoa, com destaque para o varejo alimentício especializado. Em contrapartida, o setor de serviços recuou 3,7%, impactado por bares e restaurantes, enquanto bens duráveis e semiduráveis caíram 1,8%, apesar de desempenho positivo em categorias como móveis e eletrodomésticos.
O contexto econômico segue sendo um fator central para o comportamento do consumidor. O endividamento das famílias atingiu 80,4% em março, segundo a CNC, o que tem levado a uma postura mais cautelosa, com priorização de gastos essenciais e adiamento de compras de maior valor. Ainda assim, há sinais de reorganização financeira, com redução na parcela de famílias que declaram não conseguir pagar suas dívidas.

Além do cenário doméstico, fatores externos também influenciaram o consumo. A elevação do preço do petróleo trouxe incerteza sobre custos futuros, o que pode ter antecipado decisões de compra em segmentos como passagens aéreas e combustíveis.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o varejo apresentou retração real de 1,3%, apesar do crescimento nominal de 1,8%, indicando que a inflação continua anulando parte do avanço em valores correntes. Regionalmente, todas as regiões registraram queda no período, com maior intensidade no Centro-Oeste (-2,3%) e no Norte (-2,2%).
Os dados reforçam um padrão de consumo mais defensivo, com maior resiliência nos segmentos essenciais, como supermercados, farmácias e combustíveis, enquanto categorias não essenciais seguem pressionadas.
A análise da Páscoa também confirma a força das datas comemorativas no varejo. O período registrou crescimento nominal de 11,6%, com destaque para o e-commerce (+19,0%) e avanço mais moderado no comércio físico (+9,9%), consolidando o ambiente digital como protagonista nas vendas sazonais.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas
Ciência e Tecnologia
Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento
Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar
Ciência e Tecnologia
3I/ATLAS surpreende e se aproxima da esfera de Hill de Júpiter com precisão inédita