Economia • 10:51h • 01 de fevereiro de 2026
Educação financeira surge como ferramenta para prevenir vício em jogos on-line
Com milhões de brasileiros afetados por apostas digitais, especialistas alertam para impactos na saúde mental, endividamento e a importância da prevenção desde a infância
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da DePropósito Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O avanço dos jogos on-line e das casas de apostas transformou o tema em um problema de saúde pública no Brasil. Dados da Universidade Federal de São Paulo indicam que cerca de 11 milhões de brasileiros com mais de 14 anos enfrentam problemas emocionais, familiares e profissionais relacionados aos jogos de azar. O cenário reacende o debate sobre prevenção, saúde mental e o papel da educação financeira como estratégia para reduzir riscos.
Segundo a psicóloga Juliana Maria Silveira, especialista em gestão de investimentos e educação financeira, o vício em apostas apresenta semelhanças com dependências químicas, como álcool e drogas. Entre os pontos comuns estão a ativação dos circuitos de recompensa do cérebro, ligados à dopamina, além do desenvolvimento de tolerância comportamental, compulsão, ansiedade e depressão.
De acordo com a especialista, a relação entre ansiedade e apostas pode ocorrer de diferentes formas. Em alguns casos, a ansiedade antecede o comportamento e aumenta a vulnerabilidade, levando a pessoa a apostar como forma de alívio emocional. Em outros, o próprio jogo intensifica sintomas ansiosos e depressivos. A psicóloga destaca que compreender esses fatores ajuda a explicar a manutenção do comportamento, mas não elimina suas consequências.
Sinais de alerta e impactos do vício
A dimensão financeira está entre as mais afetadas pelo vício em apostas. Juliana Maria Silveira explica que o dinheiro carrega significados emocionais e simbólicos, o que faz com que pessoas com rendas semelhantes adotem comportamentos financeiros muito diferentes. Enquanto algumas conseguem poupar e manter equilíbrio, outras vivem no limite, utilizando o dinheiro como regulador emocional.
Entre os sinais que indicam possível dependência estão preocupação excessiva com apostas, perda de controle sobre tempo e valores gastos, tentativa recorrente de recuperar prejuízos, endividamento crescente, prejuízos em relações pessoais e profissionais, além de ocultação do comportamento e sentimentos de culpa ou vergonha. A necessidade de apostar valores cada vez maiores para obter a mesma excitação também aparece como indicador relevante.
Especialistas apontam que o ciclo emocional costuma envolver ansiedade antes da aposta, sensação de quase vitória durante o jogo e frustração ou culpa após perdas, o que reforça a repetição do comportamento. Os efeitos negativos se estendem à vida familiar, ao desempenho profissional e à saúde mental.
Entre as estratégias para enfrentar a dependência estão o acompanhamento psicológico individual ou em grupos de apoio, o afastamento das plataformas de apostas, como a exclusão de aplicativos, e o uso de mecanismos de bloqueio disponíveis em cadastros oficiais. A conscientização também é apontada como elemento central no processo de recuperação.
Educação financeira como prevenção
O debate sobre prevenção ganha força diante do alto índice de endividamento no país. Dados do Serasa apontam que 80,4 milhões de brasileiros estão endividados. Para especialistas, a ausência de educação financeira ao longo da vida contribui para esse cenário e amplia a vulnerabilidade a promessas de ganho rápido, comuns no universo das apostas.
Uma das iniciativas voltadas à prevenção desde cedo é a Investeendo, que atua com educação financeira por meio da gamificação. A proposta envolve jogos físicos e aplicativos que simulam situações financeiras do cotidiano, permitindo que crianças e adolescentes aprendam sobre poupança, investimentos e planejamento de forma prática.
Segundo Sam Adam Hoffmann, cofundador e CEO da Investeendo, a abordagem lúdica torna o tema acessível e ajuda a afastar os jovens de jogos de azar. Ele destaca que a metodologia já foi aplicada em mais de 40 instituições de ensino, alcançando três estados brasileiros e comunidades em situação de vulnerabilidade social.
Para Juliana Maria Silveira, a educação financeira tem potencial preventivo relevante, especialmente quando integrada a ações com famílias e comunidades. Ela ressalta, no entanto, que a estratégia não deve atuar de forma isolada. O modelo mais eficaz envolve a combinação entre educação financeira, desenvolvimento de competências emocionais e políticas públicas estruturadas, capazes de enfrentar o problema de forma ampla.
Com o crescimento das apostas digitais, especialistas defendem que a informação, o cuidado com a saúde mental e a formação financeira desde a infância são caminhos fundamentais para reduzir riscos, evitar o endividamento e promover escolhas mais conscientes ao longo da vida.
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