Mundo • 15:29h • 17 de fevereiro de 2026
Do surto ao controle: como o setor de bebidas tenta recuperar confiança do consumidor
Indústria projeta alta de até 73% no faturamento, mas reforça controle de fornecedores e rastreabilidade para evitar novos casos de adulteração
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Abrasel | Foto: Arquivo/Âncora1
A indústria de bebidas entra no Carnaval de 2026 com expectativa de crescimento, mas sob atenção redobrada após a crise do metanol registrada no segundo semestre de 2025. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, 73% dos estabelecimentos esperam aumento no faturamento durante os festejos, enquanto o setor de turismo projeta receita de R$ 14,4 bilhões no período. Ao mesmo tempo, empresas intensificam mecanismos de controle para recuperar a confiança do consumidor.
No ano passado, um surto de intoxicações com metanol, com casos concentrados em São Paulo, expôs fragilidades na cadeia de bebidas destiladas. As investigações apontaram o desvio de metanol, substância usada ilegalmente na adulteração de combustíveis, para fábricas clandestinas de bebidas. O impacto foi imediato: em um único dia, as vendas de destilados caíram mais de 35% na capital paulista.
Reação do mercado e busca por rastreabilidade
Após o episódio, grandes marcas reforçaram campanhas institucionais e passaram a incentivar a compra em redes varejistas consolidadas, numa tentativa de encurtar e monitorar melhor a cadeia de fornecimento. Iniciativas como a plataforma “Bebida Legal” também reuniram esforços do poder público e de associações do setor para combater a falsificação.
Para especialistas em gestão de riscos, o episódio evidenciou um problema estrutural. Segundo Augusto Duarte, CEO da BGC Brasil, empresa especializada em verificação de fornecedores, a crise revelou vulnerabilidades em cadeias longas e fragmentadas. Ele afirma que a due diligence de fornecedores permite verificar integridade operacional e conformidade sanitária desde a origem da matéria-prima até o ponto de venda.
O movimento acompanha tendência internacional. Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration, FDA, reforçou exigências para avaliação de fornecedores, incluindo análise do histórico regulatório e dos sistemas de controle dos parceiros comerciais. No Brasil, operações da Polícia Federal e do Ministério da Agricultura têm foco na rastreabilidade de lotes e na conformidade dos insumos utilizados pelas indústrias.
Medidas visíveis ao consumidor
Para o Carnaval de 2026, parte do varejo e dos pontos de consumo adotou medidas voltadas à transparência. A busca por distribuidores oficialmente homologados pelas marcas se tornou prioridade. Alguns estabelecimentos passaram a informar nos cardápios digitais a origem dos destilados utilizados nos drinks, indicando se a garrafa foi adquirida diretamente da fábrica ou de distribuidor certificado.
Além disso, ferramentas de compliance e monitoramento em tempo real ganham espaço na gestão das empresas. Paralelamente, pesquisadores desenvolvem métodos de detecção mais rápidos e acessíveis para identificar a presença de metanol.
Crescimento com cautela
Mesmo com projeção de alta no faturamento, o setor reconhece que a recuperação plena da confiança depende de controles efetivos e comunicação transparente. A combinação entre aumento da demanda, logística intensificada no Carnaval e necessidade de rastreabilidade coloca pressão adicional sobre fabricantes, distribuidores e bares.
O desafio em 2026 é equilibrar expansão econômica e rigor sanitário, garantindo que o crescimento projetado para o período festivo não seja comprometido por falhas na cadeia de fornecimento.
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