Educação • 19:49h • 31 de outubro de 2026
Ódio político chega às escolas com agressões, ameaças de morte e perseguição a estudantes
Casos registrados em diferentes estados após as eleições presidenciais de 2026 envolvem violência física, intolerância religiosa e discriminação por posicionamentos políticos
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
A polarização das eleições presidenciais de 2026 ultrapassou as redes sociais e chegou ao ambiente escolar, com relatos de agressões físicas, ameaças de morte e perseguição a adolescentes por suas posições políticas ou pelas escolhas eleitorais de seus familiares. Casos em Santa Catarina, no Distrito Federal, em Minas Gerais e no Ceará ganharam repercussão nas últimas semanas, especialmente após o resultado da votação, segundo reportagens da Agência Brasil.
Em Itajaí, Santa Catarina, um vídeo divulgado nas redes sociais mostra dois estudantes usando bandeiras do Brasil como capas enquanto agridem colegas vestidos de vermelho dentro de uma escola. Segundo a autora da gravação, os adolescentes, que teriam 15 anos, também fizeram ofensas verbais e comentários depreciativos relacionados ao programa Bolsa Família.
No Distrito Federal, um estudante de 16 anos relatou ter sofrido perseguição na escola depois de declarar que votaria em Flávio Bolsonaro. A situação levou o adolescente a mudar de instituição de ensino.
Adolescente recebe ameaça de morte em grupo de WhatsApp
Outro caso no Distrito Federal envolve um estudante de 17 anos, identificado pelo nome fictício Felipe, que recebeu ameaças de morte em um grupo de WhatsApp da turma durante a apuração dos votos da eleição presidencial.
“Eu juro que amanhã se você for para a escola você não volta vivo”, afirmou um colega em mensagem de áudio à qual a Agência Brasil teve acesso. O agressor também fez ofensas relacionadas ao voto em Luiz Inácio Lula da Silva, ameaçou espancar outros cinco estudantes caso Flávio Bolsonaro perdesse a eleição e mencionou o uso de faca.
As mensagens incluíram manifestações de intolerância religiosa. Felipe, que é transgênero, deixou de frequentar as aulas durante uma semana por medo das ameaças.
Segundo a mãe do adolescente, identificada como Aline, a família ainda não havia registrado boletim de ocorrência por receio de exposição e represálias. Ela relatou que a direção da escola informou ter transferido o estudante responsável pelas ameaças e suspendido por quatro dias outro aluno que demonstrou apoio às mensagens.
Universitários são acusados de ofender bolsistas por voto em Lula
Em Araguari, Minas Gerais, estudantes de Medicina do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac) foram apontados como autores de ofensas contra colegas bolsistas que votaram em Lula.
Os ataques também atingiram estudantes que vendem trufas e outros produtos para ajudar a pagar despesas pessoais. Em nota, a instituição repudiou manifestações de intolerância e discriminação motivadas por convicções políticas ou condição socioeconômica.
Da sala de aula ao WhatsApp: violência política transforma estudantes em alvos de ameaças | Foto: Valter Campanato
Os episódios mostram que os conflitos relacionados às eleições atingiram estudantes com diferentes posicionamentos políticos, incluindo apoiadores dos dois candidatos que disputaram a Presidência.
Criança autista de 9 anos é humilhada por escolha eleitoral da família
Em Fortaleza, no Ceará, um episódio envolvendo um menino de 9 anos, autista, também provocou repercussão nas redes sociais. Matheus vendia balas para ajudar a avó, responsável por sua criação desde a morte da mãe, quando foi abordado pela influenciadora Valéria Diniz em um bar.
Durante a gravação, a influenciadora perguntou em quem a família do menino havia votado. Após ele responder Lula e fazer o gesto associado ao candidato, Valéria e suas amigas riram e se recusaram a comprar os produtos.
O vídeo foi publicado pela própria influenciadora com a legenda: “Vai na mamãe e manda ela fazer o L”. Valéria havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro.
Depois da repercussão, motociclistas e usuários das redes sociais se mobilizaram para ajudar a família da criança.
Os relatos reunidos pela Agência Brasil abrangem desde constrangimentos e ofensas até violência física e ameaças graves. Os casos evidenciam como os conflitos eleitorais também atingiram crianças e adolescentes, inclusive aqueles que ainda não possuem idade para votar.
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