Responsabilidade Social • 19:28h • 03 de maio de 2026
Diagnóstico de autismo chega após a maternidade e revela sobrecarga invisível vivida por mulheres
Casos de identificação tardia crescem e mostram desafios sensoriais e emocionais no dia a dia
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Durante anos, o autismo foi associado a perfis mais evidentes e, principalmente, masculinos. Hoje, uma nova realidade tem chamado a atenção de especialistas: mulheres que só descobrem que são autistas na vida adulta, muitas vezes após se tornarem mães.
Segundo o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no atendimento de adultos com autismo, a maternidade costuma ser um ponto de virada. “A chegada de um filho intensifica estímulos e demandas. É nesse momento que muitas percebem que sempre funcionaram de forma diferente, mas nunca tiveram um diagnóstico”, explica.
Sobrecarga sensorial se intensifica na rotina com filhos
O cotidiano da maternidade envolve estímulos constantes, como barulho, toque, interrupções e mudanças de rotina. Para mulheres autistas, esse ambiente pode ser especialmente desafiador.
De acordo com o especialista, situações consideradas comuns podem gerar grande desconforto. “Um choro repetitivo, por exemplo, pode ser fisicamente doloroso para quem tem hipersensibilidade auditiva”, afirma.
Estudos apontam que a maioria das pessoas autistas apresenta algum grau de dificuldade no processamento sensorial, o que se torna mais evidente em contextos intensos como o ambiente doméstico com crianças.
Máscara social deixa de funcionar
Outro aspecto recorrente é o chamado masking, ou camuflagem social. Muitas mulheres passam anos adaptando comportamentos para se encaixar em padrões sociais, o que contribui para o diagnóstico tardio.
Na maternidade, esse esforço tende a se tornar insustentável. “A exigência emocional é constante e a máscara começa a cair. Isso pode levar a um esgotamento profundo”, explica o neurologista.
Esse quadro, conhecido como burnout autístico, está associado ao acúmulo de estresse e à dificuldade de manter estratégias de adaptação ao longo do tempo.
Culpa dá lugar ao entendimento após diagnóstico
Mesmo sendo mães presentes, muitas relatam exaustão e necessidade de isolamento, o que pode gerar culpa. A expectativa social em torno da maternidade intensifica esse conflito interno.
Para muitas mulheres, o diagnóstico tardio representa uma mudança importante de perspectiva. “Quando há entendimento, sai a culpa e entra a autocompreensão. Isso permite buscar estratégias mais saudáveis”, destaca o Dr. Trilico.
Estratégias ajudam a tornar a rotina mais equilibrada
Especialistas apontam caminhos que podem contribuir para uma maternidade mais adaptada às necessidades dessas mulheres. Entre eles estão a criação de rotinas previsíveis, o respeito aos limites sensoriais, a divisão de responsabilidades e a comunicação clara com a rede de apoio.
Familiares e parceiros também têm papel fundamental ao reconhecer sinais de sobrecarga, como irritabilidade repentina, necessidade de isolamento ou sensibilidade a estímulos.
Maternidade não tem um único modelo
A compreensão do próprio funcionamento pode transformar a forma de viver a maternidade. Ao respeitar suas características, essas mulheres constroem caminhos próprios, muitas vezes mais conscientes e conectados com os filhos.
“Não existe uma única forma de maternar. Quando essa mulher se entende, ela encontra o seu jeito”, conclui o especialista.
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