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Cidades • 08:41h • 19 de novembro de 2025

Dia Mundial das Vítimas de Trânsito: ciclista cobra mais consciência de motoristas

Ciclista que quase morreu atropelado em 2023 se tornou lembrança viva de que o trânsito é uma responsabilidade de todos

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo pessoal

Fernando dos Santos e a companheira, Iara Brito, em viagem pela Transamazônica, em 2023.
Fernando dos Santos e a companheira, Iara Brito, em viagem pela Transamazônica, em 2023.

Ciclista por filosofia de vida, o entregador Fernando dos Santos fez da diversão uma atividade profissional. Depois de viagens em duas rodas pelo Uruguai e pela Bahia, em 2018 ele decidiu fazer entregas à base do pedal, trocando a moto que usava desde 2009. Além de reduzir custos fixos, Fernando se sentia mais seguro por rodar em velocidade baixa. No início de 2023, no entanto, essa sensação de segurança foi posta à prova. Ele foi surpreendido por um automóvel que invadiu a ciclovia da avenida Rebouças, na capital, e atingiu sua companheira, que pedalava com ele, e quase o matou. O episódio fez do entregador uma espécie de lembrança viva da responsabilidade compartilhada no trânsito. No terceiro domingo de novembro, Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito, ele vê a necessidade de um bom trabalho coletivo pela frente. “Ainda falta consciência a muitos motoristas”, diz.

Para Fernando, que todos os dias roda entre 60 e 90 km pela capital, em muitos lugares, o ciclista se vê disputando espaço com os carros, com suas toneladas de vantagem. “É um desgaste muito grande.” Além de demarcar mais ciclovias, na sua opinião uma solução seria projetar vias que garantam maior proteção aos ciclistas, propostas que partem da sua vivência nas ruas e junto a outros usuários de bike.

Isso ajuda a explicar a sintonia das propostas com o 1º Plano de Segurança Viária do Estado de São Paulo (PSV-SP), que acaba de passar por consulta pública e será publicado em breve na sua versão definitiva, após revisão que levou em conta as sugestões recebidas da população. O PSV-SP prevê ações relacionadas à implantação de desenho viário seguro pelo Estado, como um guia técnico que reúne, revise e atualize parâmetros e diretrizes para a formulação e implementação de projetos de infraestrutura viária que minimizem as chances de sinistro – como os “acidentes” são chamados, quando se parte da ideia de que eles podem ser evitados.

O PSV-SP também prevê a elaboração de um Plano Cicloviário Estadual, capaz de garantir uma rede de ciclovias conectada e protegida, integrada às áreas urbanizadas e ao transporte coletivo – que será incentivado por seu potencial de contribuir para a mobilidade e, sobretudo, de salvar vidas.

Alinhado ao Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), o PSV-SP recebeu aportes e contribuições de diversos órgãos, como o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), de entidades e de representantes da sociedade civil, ampliados pela consulta pública realizada entre setembro e outubro deste ano. A coordenação ficou a cargo do Sistema Estadual de Trânsito (Sistran-SP).

Da parte dos ciclistas, além de contribuições da população via consulta e audiências públicas, teve papel relevante na construção do plano o Ciclo Comitê Paulista (CCP), que reúne representantes do movimento cicloviário eleitos pela população. O grupo, com seis membros titulares, conta ainda com nomes do governo e sociedade civil, voltados a defender os direitos e a segurança de ciclistas, o fomento do cicloturismo e a criação de rotas e ciclofaixas. Entre os órgãos oficiais, estão representados no CCP o Detran-SP, o Departamento de Estradas e Rodagem (DER-SP), a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e a Polícia Militar Rodoviária.

“O plano se deu em muitas mãos. Pelo Ciclo Comitê Paulista, fizemos uma análise sobre as questões mais importantes em relação à vulnerabilidade do ciclista. Como um dos atores mais vulneráveis no trânsito junto ao pedestre, ele sofre principalmente ao compartilhar a via sem estrutura de ciclovias e ciclofaixas. O plano de segurança viária, em linha com a legislação pertinente, traz um olhar para a segurança de quem transita de bicicleta, tanto em rodovias como em vias urbanas. Nas grandes cidades, percebe-se um crescimento no número de pessoas que vão ao trabalho pedalando. Nas áreas rurais e litorâneas, há também pessoas que literalmente cruzam rodovias no pedal. Trabalhamos com dados, com atenção aos pontos mais críticos em termos de sinistros, e sobretudo com um olhar para a educação, a conscientização”, diz André Vinícius Garcia, coordenador do Ciclo Comitê Paulista da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil).

O plano é salvar vidas

Apesar da constatação de Fernando sobre os riscos do trânsito, questão que move os trabalhos em torno do 1º Plano de Segurança Viária do Estado de São Paulo, a capital vem registrando queda nos óbitos de ciclistas em 2025. De janeiro a setembro, de acordo com dados do Infosiga, foram 22 mortes, ante 33 no mesmo período do ano passado, um recuo de 33%. No Estado, a retração é menor, de 5,4% (299 óbitos contra 316), semelhante à de outro grupo vulnerável no trânsito, o dos pedestres, que foi de 5,1% (1.018 x 1.073). As mortes por sinistros de automóveis também diminuíram, fazendo dos motociclistas o único grupo a registrar crescimento em óbitos. No geral, o Estado de São Paulo vem reduzindo a letalidade do trânsito em 0,6% neste ano.

As metas do PSV-SP são ambiciosas. O plano foi construído para, a partir de oito eixos desdobrados em diversas iniciativas práticas, reduzir pela metade as mortes em cinco anos, de 2026 a 2030, e a partir daí seguir consolidando políticas. O saldo previsto é de 19 mil vidas salvas. Uma vez em vigor, o PSV-SP terá a missão de transformar o cenário da mobilidade paulista, salvando milhares de vidas. Em termos econômicos, as ocorrências de trânsito custaram mais de R$ 12 bilhões em 2024 ao Estado de São Paulo, segundo estimativa elaborada pelo Detran-SP com base em metodologia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“O plano foi construído de maneira colaborativa e holística, isto é, olhando para todos os lados e partes interessadas, de saúde à educação, da acessibilidade à economia. O trânsito seguro é uma construção coletiva, e a atenção a todos os aspectos é essencial para garantir a efetividade, a legitimidade e a sustentabilidade das medidas propostas, assegurando a preservação da vida como prioridade em todas as iniciativas”, diz Roberta Mantovani, diretora de Segurança Viária do Detran-SP.

Mais uma vez, o PSV-SP ecoa a fala de Fernando, que se uniu a outros entregadores em uma cooperativa para ter mais domínio sobre o seu trabalho. Ao se juntar a outros ciclistas, definir melhor seus rendimentos e respeitar os limites do seu corpo, não mais deixando que a ansiedade o fizesse acelerar sobre uma moto, ele sente que encontrou equilíbrio. O sinistro que quase o matou não o afastou da bicicleta, que hoje ele usa também para competir. No mesmo ano do atropelamento, ele e a companheira, Iara Brito, pedalaram pela Transamazônica, uma viagem que daria origem a Jorge, o filho dos dois e futuro ciclista, no que depender do pai. “Estou só esperando ele crescer um pouco mais para viajarmos juntos.”

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