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Saúde • 11:49h • 26 de outubro de 2024

Dia Mundial da Poliomielite: atualização na imunização e ampliação da cobertura vacinal

Essencial para a erradicação do vírus no Brasil, vacina oral será totalmente substituída pela versão injetável; pelo segundo ano consecutivo, país aponta melhoras no índice de vacinação

Da Redação com informações do Butantan | Foto: Acervo Âncora1

Gotinha
Gotinha "aposentada": substituição pela versão injetável faz parte da estratégia de erradicação global do poliovírus

Em 1989, o último caso de paralisia infantil, causada pelo vírus da poliomielite, foi registrado no Brasil, graças a uma ampla campanha de vacinação na década anterior e à eficácia da vacina oral contra a pólio (VOP), conhecida como "gotinha". Agora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda atualizar o esquema de imunização, substituindo as duas doses de reforço da VOP pela versão injetável (VIP). Essa transição ocorrerá pouco após o Dia Mundial da Poliomielite, comemorado em 24 de outubro, aniversário de Jonas Salk, criador da vacina injetável contra a pólio.

“Tudo que alcançamos no controle da pólio no Brasil foi graças à VOP. No entanto, essa mudança será positiva, pois segue rigorosos critérios epidemiológicos, científicos e recomendações internacionais”, diz Mayra Moura, gerente de Farmacovigilância do Butantan e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). O objetivo é que essa atualização, somada ao aumento da cobertura vacinal (de 77,14% em 2022 para 85,91% em 2023), mantenha o país livre do poliovírus.

Vantagens da mudança

O Brasil tem gradualmente trocado a vacina oral pela injetável há mais de dez anos. Em 2012, as três primeiras doses do esquema primário (aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade) passaram a ser com a VIP, mas os reforços aos 15 meses e 4 anos ainda eram feitos com a VOP. “A VIP, feita com vírus inativado, pode ser aplicada em qualquer pessoa e faixa etária, enquanto a VOP, com vírus atenuado, não é indicada para crianças imunodeprimidas”, explica Mayra Moura.

Outra vantagem é reduzir a disseminação do chamado vírus vacinal da poliomielite. Como a VOP é administrada oralmente, o vírus atenuado pode ser eliminado nas fezes das crianças, o que em raríssimos casos pode sofrer mutações e causar a doença.

A substituição completa pela VIP também simplifica o esquema vacinal, passando de duas doses de reforço para apenas uma, aos 15 meses. “Isso facilita a proteção completa mais rapidamente e reduz a chance de atrasos no calendário de imunização”, aponta a especialista.

O Ministério da Saúde recomenda que a VOP seja totalmente retirada das salas de vacina até 4 de novembro de 2024.

Alerta para falsa sensação de segurança

Embora os casos de paralisia infantil tenham diminuído 99% no mundo desde 1988, a poliomielite ainda é considerada uma emergência de saúde pública pela OMS, sendo endêmica no Afeganistão e Paquistão. A OMS alerta que, se a pólio não for erradicada, 200 mil novos casos podem surgir anualmente dentro de uma década.

No Brasil, apesar do aumento na cobertura vacinal, que alcançou 86,44% do público-alvo em 2023 (ainda distante da meta de 95% da OMS), o país permanece em risco de reintrodução do vírus selvagem, segundo a OPAS. A baixa adesão à Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite de 2024, onde apenas 3,7 milhões de crianças foram vacinadas entre as 10,5 milhões identificadas como público-alvo, reforça a importância da vacinação.

Segundo Mayra Moura, quando a vacinação de rotina está em dia, muitos negligenciam as campanhas, o que é um risco. “Vacinar nas campanhas é um pacto social para proteger coletivamente quem está desprotegido”, afirma.

Sobre a poliomielite

A poliomielite, ou paralisia infantil, é uma doença viral altamente infecciosa que pode afetar tanto crianças quanto adultos, sendo transmitida pelo contato com fezes ou secreções infectadas. Em casos graves, causa paralisia muscular, especialmente nos membros inferiores. Nos anos 1980, a pólio paralisava ao menos 1.000 crianças por ano em diversas partes do mundo, segundo a OMS.

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