Responsabilidade Social • 18:25h • 15 de fevereiro de 2026
Dia de Luta contra o Câncer Infantil destaca desafio de acesso no país
Estimativa do INCA projeta 7.560 novos casos por ano até 2028 e revela desigualdade regional na sobrevida
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Arquivo/Âncora1
No Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil, celebrado neste domingo, 15 de fevereiro, dados da Estimativa 2026 do Instituto Nacional de Câncer, INCA, apontam que o Brasil deverá registrar 7.560 novos casos anuais de câncer em crianças e adolescentes entre 2026 e 2028. A média nacional de cura é de aproximadamente 64%, mas a taxa varia conforme a região, chegando a até 75% no Sul e não ultrapassando 50% no Norte, evidenciando desigualdades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Do total estimado, 3.960 casos devem ocorrer em meninos, o equivalente a 52,4%, e 3.600 em meninas, 47,6%, com risco médio nacional de 134,81 casos por milhão de pessoas de 0 a 19 anos. Embora represente cerca de 3% de todos os diagnósticos oncológicos no mundo, o câncer infantojuvenil é a principal causa de morte por doença não acidental nessa faixa etária.
Desigualdade regional na sobrevida
Enquanto regiões como Sul e Sudeste se aproximam de 75% e 70% de sobrevida, respectivamente, o Norte apresenta índices abaixo de 50%. Em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá e nações da Europa Ocidental, a taxa supera 80%.
Para o oncopediatra Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e fundador da TUCCA, Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer, essa diferença reflete desigualdades estruturais. Ele afirma que o país já dispõe de tecnologia para alcançar padrões internacionais, mas o acesso ainda não é uniforme.
Mapa da incidência e subdiagnóstico
Pela primeira vez, o INCA detalhou a distribuição espacial dos casos por meio do Projeto OncoBrasil. As maiores taxas por milhão foram registradas no Paraná, com 183,59, Pernambuco, 172,36, Rio Grande do Sul, cerca de 168,1, Santa Catarina, aproximadamente 164,9, Paraíba, 159,61, e São Paulo, 153,14.
Segundo o instituto, essas variações refletem principalmente capacidade de diagnóstico, organização da rede de atenção oncológica pediátrica e qualidade da informação. Regiões com menor estrutura convivem com subdiagnóstico, o que impacta diretamente nas chances de tratamento oportuno.
Tumores mais comuns e sinais de alerta
Na infância, predominam leucemias e tumores do sistema nervoso central, seguidos por linfomas, sarcomas de partes moles, neuroblastoma e retinoblastoma. Entre adolescentes, ganham destaque linfomas de Hodgkin e não Hodgkin, tumores de células germinativas e carcinomas.
Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos. Palidez, cansaço extremo, hematomas e sangramentos podem indicar leucemia. Ínguas persistentes acima de 3 cm podem sinalizar linfomas. Dores de cabeça frequentes associadas a vômitos e alterações neurológicas podem estar relacionadas a tumores cerebrais.
Avanços científicos e gargalos
A oncologia pediátrica registrou avanços com imunoterapia, anticorpos monoclonais, terapias-alvo e CAR-T para tumores hematológicos, aproximando índices de cura de 80% em centros de excelência. No entanto, especialistas apontam que a incorporação dessas tecnologias no Sistema Único de Saúde ainda ocorre de forma desigual.
Entre as medidas apontadas para ampliar a taxa de cura no país estão diagnóstico mais rápido na atenção primária, integração da rede oncológica pediátrica, ampliação do acesso a exames moleculares e genéticos, incorporação de novas terapias e incentivo à pesquisa clínica voltada ao público infantojuvenil.
O papel da TUCCA
Fundada em 1998, a TUCCA atua em parceria com o Santa Marcelina Saúde e mantém serviço de oncologia pediátrica na Zona Leste de São Paulo. A organização oferece tratamento integral, incluindo medicamentos de alto custo, equipamentos especializados, assistência multidisciplinar, laboratório de patologia molecular e centro de atenção integrada à criança com retinoblastoma.
Segundo a entidade, mais de 5.500 jovens já foram beneficiados por seus programas, com índices de cura comparáveis aos centros de referência nacionais e internacionais.
No cenário atual, os dados do INCA indicam que o desafio não está apenas na evolução científica, mas na garantia de acesso equitativo ao diagnóstico e ao tratamento. A diferença regional evidencia que o local de nascimento ainda influencia diretamente as chances de cura no país.
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