Saúde • 10:20h • 05 de setembro de 2026
Desidratação pode acelerar o coração e afetar até órgãos vitais; veja os sinais de alerta
Redução de líquidos no organismo faz o coração trabalhar mais para manter a circulação e exige atenção especial de idosos, crianças, atletas e pessoas com doenças cardíacas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sherlock Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A desidratação não provoca apenas sede. Quando o organismo perde líquidos e o volume de sangue circulante diminui, o coração precisa trabalhar mais para manter a circulação, o que pode acelerar os batimentos e provocar palpitações. Em quadros mais graves, a redução do fluxo sanguíneo pode comprometer o funcionamento de órgãos como cérebro, rins, fígado e sistema digestivo.
Segundo Brodie Marthaler, cardiologista do Sistema de Saúde da Mayo Clinic, o coração depende de uma quantidade adequada de sangue retornando a ele a cada batimento. Com a desidratação, esse volume diminui e o organismo tenta compensar a alteração contraindo os vasos sanguíneos e aumentando a frequência cardíaca para preservar a pressão e o fluxo de sangue.
“Quando você fica desidratado, a quantidade de líquido circulando na corrente sanguínea diminui. Isso significa que menos sangue retorna ao coração, então ele precisa trabalhar mais para manter o sangue circulando por todo o corpo”, explica o cardiologista.
Se a perda de líquidos continuar, esses mecanismos de compensação podem deixar de ser suficientes. Batimentos acelerados ou palpitações, fadiga, tontura, sensação de desmaio, alterações na visão, falta de ar e desconforto no peito estão entre os sinais que podem aparecer à medida que a desidratação se agrava. Casos graves podem evoluir para desmaio ou insolação e exigem avaliação médica imediata.
Alguns grupos precisam de atenção maior
Embora qualquer pessoa possa ficar desidratada, o risco é maior entre idosos, crianças, atletas e trabalhadores expostos ao calor por períodos prolongados. Pessoas com doenças cardíacas também merecem cuidado adicional porque o coração pode ter menor capacidade de responder ao esforço provocado pela redução de líquidos.
O mesmo alerta vale para quem utiliza determinados medicamentos. Diuréticos, por exemplo, aumentam a eliminação de líquidos, enquanto outros tratamentos podem interferir na pressão arterial e na frequência cardíaca. O especialista também inclui entre os grupos que exigem atenção pessoas que utilizam agonistas dos receptores de GLP-1.
Pacientes com insuficiência cardíaca precisam considerar ainda as orientações específicas recebidas de seus médicos. Nesses casos, a quantidade adequada de líquidos pode depender da condição clínica e dos medicamentos utilizados, não sendo indicado simplesmente aumentar o consumo por conta própria.
Sede não é o único sinal de desidratação
Não existe uma quantidade única de água adequada para todas as pessoas. Para a maioria dos adultos saudáveis, a sede funciona como um indicador importante, mas situações de calor intenso, exercícios prolongados e atividades ao ar livre podem exigir maior ingestão de líquidos.
Outros sinais também ajudam a perceber que o organismo pode estar precisando de hidratação. Boca e pele secas e urina mais escura estão entre eles. A observação da urina pode servir como referência simples: quanto mais escura, maior pode ser a necessidade de reposição de líquidos, enquanto uma coloração mais clara geralmente acompanha uma hidratação adequada.
A água é a principal opção para hidratação. Em situações de perda mais intensa de líquidos, especialmente durante exercícios prolongados ou atividades de resistência, também pode ser necessária a reposição de eletrólitos como sódio, potássio e magnésio. Bebidas esportivas com eletrólitos podem ser úteis nessas circunstâncias.
Prevenção começa antes de aparecer a sede intensa
O álcool pode favorecer a desidratação ao interferir nos mecanismos que regulam os líquidos e aumentar sua perda. O especialista também recomenda atenção ao consumo elevado de cafeína quando o objetivo é recuperar a hidratação, priorizando água ou, quando necessário, bebidas com eletrólitos.
“A melhor maneira de prevenir a desidratação é agir antes que ela aconteça. Faça do consumo de líquidos uma parte regular do seu dia. Beber pequenas quantidades ao longo do dia costuma ser mais eficaz do que consumir uma grande quantidade de uma só vez”, orienta Marthaler.
Em dias quentes ou antes de exercícios, trabalho e outras atividades prolongadas ao ar livre, a recomendação é planejar a hidratação com antecedência e observar sinais como tontura, fraqueza, palpitações e sensação de desmaio. Idosos, pessoas com doenças cardíacas e quem utiliza medicamentos que interferem no equilíbrio de líquidos precisam considerar também suas condições individuais e as orientações dos profissionais que acompanham sua saúde.
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