Ciência e Tecnologia • 10:21h • 18 de outubro de 2026
Dentista de 36 anos recebe rim de doador falecido em transplante robótico inédito no Sul do Brasil
Cirurgia realizada em Curitiba durou três horas e utilizou tecnologia que permite incisões menores; paciente recebeu órgão compatível apenas 48 horas após entrar na fila
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Central Press | Foto: Divulgação
Uma dentista de 36 anos se tornou a primeira paciente do Sul do Brasil a receber um rim de doador falecido por meio de cirurgia robótica. O procedimento, considerado um dos primeiros desse tipo no país, foi realizado no Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), e durou aproximadamente três horas. Jessica Gama de Oliveira, que enfrentava insuficiência renal provocada pelo lúpus, conseguiu um órgão compatível apenas 48 horas depois de entrar na lista de espera do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
A paciente havia iniciado sua trajetória de tratamento em março de 2024, quando procurou atendimento médico com inchaço e fortes dores de cabeça. Após permanecer 21 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebeu o diagnóstico de lúpus, doença que já havia comprometido seus rins e exigido o início da hemodiálise.
Depois de um longo período de tratamento, Jessica conseguiu reunir as condições clínicas necessárias para o transplante. Ela entrou na lista de espera em 21 de agosto e, dois dias depois, foi informada sobre a disponibilidade de um rim compatível. A cirurgia ocorreu na madrugada seguinte.
"Eu nem contava que seria tão rápido conseguir um rim. Ganhei na loteria", relatou.
Cirurgia robótica permite incisões menores e maior precisão
O procedimento foi conduzido pelo urologista Aníbal Branco, especialista em cirurgia robótica. Segundo o médico, transplantes com órgãos de doadores falecidos apresentam desafios adicionais porque não podem ser programados com antecedência, exigindo equipes de cirurgia, enfermagem, nefrologia e terapia intensiva disponíveis a qualquer momento.
Dos 180 minutos de cirurgia, 165 foram realizados com auxílio do sistema robótico Da Vinci X. A equipe aproveitou uma cicatriz anterior de cesárea da paciente para evitar uma nova incisão abdominal.
A tecnologia oferece visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados que permitem movimentos precisos durante o procedimento. Segundo Branco, a abordagem pode reduzir a dor, o risco de complicações na parede abdominal e o tempo de recuperação, especialmente em pacientes com maior fragilidade muscular.
O nefrologista Rafael Piné, integrante da equipe, destaca que a intenção é ampliar o uso da técnica em pacientes que possam se beneficiar dessa abordagem, incluindo pessoas com obesidade ou histórico de múltiplas cirurgias. A expansão, entretanto, depende de maior acesso à tecnologia.
Paciente recebeu alta após seis dias de internação
Jessica permaneceu seis dias internada depois do transplante e retomou gradualmente suas atividades. Segundo seu relato, a recuperação ocorreu com pouca dor e representou uma mudança significativa em sua qualidade de vida.
"O transplante deu outro norte à minha vida, tudo melhorou do dia para a noite. A doação de órgãos é muito importante, e sou muito grata à família que permitiu que meus sonhos seguissem em frente", afirmou.
O procedimento integra o avanço da cirurgia robótica no Hospital São Marcelino Champagnat, que alcançou em 2026 a marca de 2 mil operações realizadas com o sistema Da Vinci X.
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