Responsabilidade Social • 08:44h • 01 de março de 2026
De 1926 a 2026: o que mudou e o que ainda pesa na vida das mulheres
No primeiro dia de março, reflexão percorre um século de transformações legais e sociais e aponta desafios que permanecem na vida feminina
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da LC Comunicação | Foto: Divulgação
Neste 1º de março de 2026, um domingo que marca o início de um novo mês, a pergunta sobre o que significa ser mulher ganha contornos históricos e atuais. Em artigo assinado por Renata Seldin, mentora de carreiras e doutora em Gestão da Inovação, a análise revisita o último século para contextualizar avanços, permanências e tensões que moldam a experiência feminina no Brasil contemporâneo.
Há 100 anos, em 1926, mulheres não tinham direitos políticos no país. A educação formal era restrita, sobretudo às elites, e centrada em valores religiosos e domésticos. O Código Civil de 1916 atribuía ao marido o papel de chefe da sociedade conjugal, responsável por administrar bens, decidir o domicílio e autorizar o trabalho da esposa. A mulher devia obediência e fidelidade, e a violência doméstica era tratada como assunto privado.
O direito ao voto foi conquistado em 1932, ainda com restrições. Décadas depois, o Estatuto da Mulher Casada retirou a condição de incapacidade civil, permitindo maior autonomia para trabalhar, administrar bens e acessar o ensino superior. A Lei do Divórcio, de 1977, e a Constituição Federal de 1988 consolidaram marcos jurídicos de igualdade formal entre homens e mulheres.
Em 2006, a Lei Maria da Penha representou divisor no enfrentamento à violência doméstica. Já no cenário internacional, o movimento #MeToo ampliou o debate sobre assédio, desigualdade de poder e violência de gênero, com reflexos também no Brasil.
Segundo Renata Seldin, que contribuiu diretamente para a construção desta análise, os avanços legais não eliminaram desigualdades estruturais. A expansão da presença feminina em profissões qualificadas veio acompanhada da chamada dupla jornada. A pandemia de 2020 intensificou a sobrecarga, evidenciando assimetrias na divisão do cuidado e no mercado de trabalho.
Dados recentes mostram que as mulheres superam os homens em escolaridade média no país, mas ainda enfrentam diferenças salariais e menor representação em cargos de liderança. A pressão simultânea por desempenho profissional, maternidade e gestão do lar permanece como elemento central da experiência feminina.
Para a autora, o diferencial do momento atual está na capacidade de nomear problemas historicamente naturalizados. Linguagem, dados e maior consciência coletiva permitem transformar o que antes era tratado como falha individual em debate público sobre redistribuição de tempo, cuidado e poder.
Em 2026, ser mulher envolve navegar entre conquistas formais e desafios concretos. A igualdade prevista em lei convive com desigualdades práticas. A reflexão proposta por Renata Seldin sugere que o próximo passo não é apenas ampliar direitos, mas reorganizar modelos de trabalho, sucesso e convivência social para que o avanço feminino não esteja condicionado ao esgotamento.
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