• Sai o resultado da Mega-Sena 3002 com prêmio de R$ 127 milhões em jogo
  • Assistimos O Diabo Veste Prada 2 e o filme surpreende ao colocar o jornalismo no centro da história
  • Dançar reduz ansiedade, melhora o humor e pode ser aliado direto da saúde mental
Novidades e destaques Novidades e destaques

Responsabilidade Social • 09:15h • 03 de dezembro de 2024

Danos ao meio ambiente causados por resíduos de obras no Brasil preocupam arquitetos

Volume de dejetos de obras, produzidos no país, chegam a 48 milhões de toneladas por ano. Entidades realizaram Seminário sobre o tema para alertar sociedade e o poder público sobre o problema

Da Redação com informações da CUT | Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Apesar de recentes iniciativas voltadas para a negociação on-line dos resíduos da construção civil e permutas entre obras,  as ações ainda são pequenas frente ao gigantesco mercado.
Apesar de recentes iniciativas voltadas para a negociação on-line dos resíduos da construção civil e permutas entre obras, as ações ainda são pequenas frente ao gigantesco mercado.

O Brasil produz 48 milhões de toneladas de resíduos de obras por ano, 227 quilos por habitante. É um volume de dejetos que contribui para a deterioração do planeta, aumento das emissões e aquecimento global. E pior: poderia ser reaproveitado, mas não é.

Combater essa montanha de problema é papel dos arquitetos e urbanistas e foi tema da mesa Descarbonizando a Arquitetura, realizada na última quinta-feira (28/11), no segundo dia do Seminário Nacional FNA de Arquitetura e Urbanismo, evento virtual que precede o Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetos e Urbanistas (ENSA), que foi de sexta-feira (29/11) até domingo (1º/12) e é promovido pela Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) e Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Mato Grosso do Sul (Sindarq/MS).

Em uma noite de muitos insights, o debate alertou sobre os danos da construção civil para o planeta e sobre o papel dos profissionais no enfrentamento do problema. Em sua intervenção, a arquiteta e urbanista e professora universitária Alessandra Brito, fundadora da Descarbon, reforçou que é papel do arquiteto orientar os clientes a escolher materiais mais sustentáveis, tentar reaproveitar ao máximo estruturas construídas e reduzir a geração de resíduos.

“Precisamos de medidas drásticas e urgentes”, alertou, lembrando da importância de frear o aquecimento global. Segundo ela, cabe, ainda, aos profissionais trabalhar pela recuperação de áreas de mineração degradadas, preservar o fluxo de bacias hidrográficas quando de suas intervenções e discutir planos diretores para que esses sejam regentes do debate sobre o uso do solo.

Apesar de recentes iniciativas voltadas para a negociação on-line dos resíduos da construção civil e permutas entre obras, Alessandra disse que as ações ainda são pequenas frente ao gigantesco mercado. Entre suas atividades, atua junto ao portal Material 8 (M8), que trabalha para formar profissionais, orientar empresas e criar uma indexação de informações relacionadas à sustentabilidade para os produtos à venda no mercado. A ideia é indicar sua composição, risco em termos de composição e durabilidade em um modelo similar ao adotado no setor de alimentos quanto ao teor de gordura e açúcares. Neste mês, a iniciativa foi premiada em 2º lugar na categoria Prova de Conceito no Prêmio de Inovação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.

A manifestação ganhou coro na fala da arquiteta e urbanista ligada ao MST do Paraná, Iara Beatriz Falcade Pereira, também presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná (Sindarq/PR). Apoiadora da produção agroecológica e consciente de que o desenvolvimento sustentável vem da integração entre a cidade e o campo, ela lembrou que 40% das emissões de gases do efeito estufa vêm de dentro da construção civil. Contudo, ressaltou que a bioconstrução não é simples e que o acesso a recursos que viabilizem projetos sustentáveis é complexo. No entanto, mostrou que tais iniciativas são viáveis ao apresentar o projeto de construção sustentável de uma casa de sementes crioulas, local onde preservam-se espécies nativas. “Fizemos construção com terra, reaproveitamos materiais e o telhado foi feito com a doação de telhas. É uma realidade associada à Athis”, salientou. E disse mais. Para ela, projetos do gênero precisam de estratos sociais diversos, incorporando ao debate outras diversas formas de conhecimento para encontrar alternativas para adiar o fim do mundo, frisou parafraseando Ailton Krenak. “Não podemos ter uma monocultura de ideias”, conclui, defendendo a pluralidade de ação em projetos sociais.

Mestre em Desenvolvimento Rural e doutor pela Universidade de Grenoble (ENSAG/França 2014) em dupla titulação com o Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU/USP/São Carlos), o professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Thiago Lopes Ferreira acrescentou que, ao longo das últimas décadas, viu-se uma grande mudança nas tecnologias de produção que, aos poucos, foram tirando a autonomia construtiva das pessoas.

“No Brasil, a produção do aço não pertence ao povo brasileiro. Está nas mãos de 11 grupos empresariais que operam 15 empresas e que, em 2022, produziram 34 milhões de toneladas de aço, gerando faturamento de 6 bilhões de dólares para os donos do aço”. Situação semelhante no setor de cimento. A produção hoje é comandada por 24 grupos, 34 marcas e 100 fábricas. Em 2022, acrescentou o profissional, o Brasil produziu 63 milhões de toneladas de cimento, o mesmo que dizer 300 kg de cimento por brasileiro.

“Há décadas, as consequências deste modelo construtivo vêm sendo tratadas. Mas os lobbys milionários dessa matriz seguem defendendo a ideia de que o capitalismo vai se autorregular”. Um caminho diante das condições de uso dos materiais industrializados, é um movimento de resgate e reinserção de materiais naturais de baixo impacto ambiental na construção, como bambus, pedras e terra, por exemplo.

A mesa, mediada pela arquiteta e urbanista e professora Andrea Naguissa, ainda contou com a experiência de Vika Martins, que trouxe alguns projetos de bioconstrução realizados ao longo dos últimos anos. Defendeu o respeito à cultura construtiva dos povos e uma interação harmônica entre o homem, suas construções e o planeta. Ela citou a importância de pensar a bioconstrução não apenas como escolha de materiais, mas como um processo que vai da construção ao fim da vida de uma edificação.

“Uma casa de parede de terra, quando se termina vira terra novamente”, exemplificou. Apresentou projetos de bioconstrução realizados e alternativas como o uso de palha de aveia para composição de paredes, tintas de terra, cobertura com telhado verde, sistemas de separação de efluentes e esquadrias naturais e reaproveitadas.


Últimas Notícias

Descrição da imagem

Variedades • 21:18h • 30 de abril de 2026

Sai o resultado da Mega-Sena 3002 com prêmio de R$ 127 milhões em jogo

Dezenas foram definidas em São Paulo e resultado final com ganhadores ainda será divulgado pela Caixa

Descrição da imagem

Variedades • 20:22h • 30 de abril de 2026

Você ensaia até mensagem antes de enviar? Isso pode indicar insegurança

Comportamento comum entre pessoas tímidas pode indicar insegurança e afetar a forma de se comunicar no dia a dia

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 20:12h • 30 de abril de 2026

Assistimos O Diabo Veste Prada 2 e o filme surpreende ao colocar o jornalismo no centro da história

Sequência chega 20 anos depois, resgata personagens icônicos e mergulha nos bastidores da informação, do engajamento e das decisões editoriais

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 19:42h • 30 de abril de 2026

Pode congelar óvulos sendo virgem? Dúvida comum revela desinformação sobre fertilidade feminina

Procedimento não depende da vida sexual e pode ser feito com técnica que preserva o hímen, explicam especialistas

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 18:28h • 30 de abril de 2026

De invisíveis a símbolo nacional: mulheres pedreiras ganham selo e espaço na história

Correios homenageiam profissionais que avançam em um dos setores mais masculinos do país

Descrição da imagem

Saúde • 17:33h • 30 de abril de 2026

Dançar reduz ansiedade, melhora o humor e pode ser aliado direto da saúde mental

Estudos apontam queda do estresse e fortalecimento emocional com a prática, que também amplia vínculos sociais

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 17:03h • 30 de abril de 2026

Sexta de feriado em Assis terá programação completa na Vila Agro com show às 20h

Evento nesta sexta-feira (1º) reúne feira, gastronomia e show acústico no espaço da Ceagesp

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 16:41h • 30 de abril de 2026

Ecoturismo sem regra pode estressar animais e degradar áreas naturais

Especialistas alertam que visitação descontrolada afeta fauna, flora e equilíbrio ambiental

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar