Segurança Pública • 13:46h • 14 de fevereiro de 2026
Crimes digitais crescem em 2026 e exigem resposta técnica da Polícia Civil
Especialista aponta crescimento de golpes com engenharia social, Pix e inteligência artificial e destaca papel estratégico da Polícia Civil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Dampress Assessoria | Foto: Divulgação
Os crimes digitais ganharam sofisticação e volume em 2026, impulsionados pela dependência crescente da sociedade brasileira de serviços online. Golpes com engenharia social, fraudes bancárias via Pix, clonagem de aplicativos e uso de inteligência artificial para criar deepfakes ampliam o risco para cidadãos e instituições. Diante desse cenário, a atuação especializada da Polícia Civil se consolida como peça central na investigação e responsabilização dos autores.
As informações foram organizadas com base em análises de Bianca Branco, especialista em segurança pública e investigadora da Polícia Civil de São Paulo, que acompanha a evolução das modalidades criminosas e os desafios enfrentados pelas forças de investigação.
Engenharia social segue como porta de entrada
Segundo a especialista, a engenharia social continua sendo o principal ponto de vulnerabilidade. Trata-se da manipulação da vítima para que ela própria forneça dados sensíveis. Entre as práticas mais recorrentes estão phishing, smishing e vishing, com envio de e-mails, mensagens SMS ou ligações que simulam instituições legítimas.
Também se destacam o golpe do falso suporte bancário, no qual o criminoso se apresenta como funcionário de segurança da instituição financeira, e a clonagem de aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, após obtenção indevida de códigos de verificação.
Fraudes bancárias e golpes com Pix
Com a digitalização dos serviços financeiros, os ataques passaram a mirar diretamente as transações online. Links falsos e páginas espelho imitam plataformas oficiais para capturar senhas e dados bancários. No caso do Pix, há registros de falsos comprovantes de pagamento, QR Codes adulterados e transferências induzidas para contas de terceiros sob justificativas fraudulentas.
Deepfakes e identidade sintética ampliam riscos
A utilização de inteligência artificial generativa adicionou uma nova camada de complexidade. Deepfakes de voz e vídeo permitem simular familiares, autoridades ou executivos, criando pedidos urgentes de transferência de valores. Já a chamada identidade sintética combina dados reais e fictícios para abrir contas ou solicitar crédito, dificultando o rastreamento.
Violência na intimidade digital
Crimes como sextorsão e divulgação não consensual de imagens íntimas também figuram entre as ocorrências em ascensão. Nessas situações, criminosos utilizam material privado para chantagear ou constranger vítimas, causando impactos psicológicos e reputacionais.
O papel estratégico da Polícia Civil
Bianca Branco destaca que a Polícia Civil exerce função central no combate a essas infrações, por ser responsável pela investigação e elucidação dos crimes. A criação de delegacias e núcleos especializados em crimes cibernéticos, com equipes capacitadas em informática forense e análise de dados, representa adaptação institucional à nova realidade.
A perícia digital é apontada como etapa essencial para rastrear autoria e materialidade dos delitos, a partir da análise de dispositivos, redes e metadados. A cooperação com a Polícia Federal, Ministério Público e órgãos internacionais também integra a estratégia, considerando que muitos crimes ultrapassam fronteiras físicas.
Para a investigadora, o principal desafio está na atualização tecnológica constante e na capacitação contínua dos profissionais, diante da velocidade com que surgem novas modalidades criminosas.
Autoproteção é primeira linha de defesa
Embora a investigação seja fundamental, a prevenção permanece como medida mais eficaz. Entre as orientações estão desconfiar de ofertas vantajosas ou contatos inesperados que solicitem dados pessoais, verificar a autenticidade de links e remetentes, ativar autenticação em dois fatores, manter softwares atualizados, utilizar senhas fortes e únicas, proteger dados pessoais e realizar backups periódicos.
Em caso de golpe, a orientação é registrar imediatamente um Boletim de Ocorrência, preferencialmente em delegacia especializada em crimes cibernéticos, para possibilitar o início das investigações.
O avanço dos crimes digitais impõe resposta técnica, integração institucional e conscientização da população. A combinação entre investigação especializada e comportamento preventivo tende a ser decisiva na proteção de dados, patrimônio e integridade dos cidadãos.
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