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Variedades • 20:20h • 17 de maio de 2026

Cresce procura por reversão de harmonizações faciais após anos de exageros

Pacientes procuram retirar excessos e recuperar traços naturais após anos de procedimentos marcados por volumes exagerados

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação

Naturalidade volta ao centro da estética facial após era dos rostos padronizados
Naturalidade volta ao centro da estética facial após era dos rostos padronizados

A procura por reversão de procedimentos estéticos faciais vem crescendo nos consultórios brasileiros e impulsionando um novo movimento dentro da estética: a chamada “era da desarmonização”. Após anos marcados por preenchimentos excessivos, rostos padronizados e contornos artificiais impulsionados pelas redes sociais, cada vez mais pacientes buscam recuperar características naturais e reduzir exageros acumulados ao longo do tempo.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Hugo Sabath, da Clínica Libria, a mudança se tornou evidente nos últimos anos e reflete uma transformação importante na forma como as pessoas enxergam a própria imagem.

“Existe hoje uma busca muito maior pela naturalidade. Muitos pacientes chegam ao consultório dizendo que não se reconhecem mais no espelho. São pessoas que fizeram procedimentos em excesso ao longo do tempo e agora querem recuperar traços mais leves, mais naturais e compatíveis com a própria identidade”, afirma.

Entre os casos mais frequentes estão remoção de preenchimentos antigos, redução de volumes faciais exagerados e tratamento de complicações relacionadas ao PMMA, substância permanente utilizada em alguns procedimentos estéticos.

Especialistas alertam para sequelas de procedimentos antigos

Segundo Dr. Hugo Sabath, muitos procedimentos realizados durante o auge das harmonizações faciais intensas passaram a gerar insatisfação estética e, em alguns casos, problemas funcionais e inflamatórios.

“O PMMA é um dos maiores desafios que enfrentamos hoje em cirurgia reparadora facial. Diferente do ácido hialurônico, ele não é absorvido pelo organismo. Em alguns pacientes vemos inflamações tardias, endurecimento, assimetrias e deformidades que aparecem anos depois da aplicação”, explica.

O médico destaca que tendências estéticas muito marcadas envelheceram rapidamente e acabaram produzindo rostos artificializados.

“Vivemos uma época em que existia uma busca desenfreada por rostos extremamente marcados, mandíbula excessiva, maçãs do rosto muito volumosas e preenchimentos em excesso. Naquele momento isso parecia bonito para algumas pessoas, principalmente pela influência das redes sociais. Mas o tempo passou e muitos pacientes começaram a perceber que perderam a naturalidade”, comenta.

Reversão nem sempre é simples

Apesar do aumento da procura por correções, especialistas alertam que desfazer procedimentos faciais nem sempre é um processo simples. Segundo Dr. Hugo Sabath, existe uma percepção equivocada de que basta remover o produto para que o rosto retorne automaticamente ao estado anterior. “Quando há excesso de preenchimentos por muitos anos, a anatomia do rosto muda, os tecidos sofrem alterações e algumas sequelas podem ser difíceis de corrigir completamente”, afirma.

O especialista explica que cada caso exige avaliação individualizada e, em algumas situações, o objetivo passa a ser minimizar danos e recuperar equilíbrio facial, e não necessariamente restaurar totalmente a aparência original.

Impacto emocional também aparece nos consultórios

Além das alterações físicas, o impacto emocional causado pelos excessos estéticos vem chamando atenção de profissionais da área. Segundo o cirurgião plástico, muitos pacientes relatam desconforto social, dificuldade de se reconhecer nas próprias imagens e perda de autoestima.

“Tem pacientes que deixam de tirar fotos, evitam aparecer em vídeos ou passam a se sentir desconfortáveis socialmente. O rosto é nossa identidade. Quando a pessoa sente que perdeu suas características naturais, isso afeta diretamente a autoestima e o emocional”, explica. Para o médico, a estética atual passa por um processo de amadurecimento, em que a valorização da individualidade ganha espaço sobre padrões artificiais.

“O ‘menos é mais’ deixou de ser apenas uma frase e passou a ser uma filosofia dentro da cirurgia plástica e da harmonização facial. O objetivo atual é preservar a individualidade do paciente, e não transformá-lo em alguém padronizado”, afirma.

Redes sociais influenciam percepção da própria imagem

Dr. Hugo também aponta o impacto das redes sociais na construção de padrões estéticos considerados inalcançáveis. “A internet vende uma perfeição que não existe. Filtros, edições e tendências acabam criando padrões irreais. O problema é quando o paciente tenta reproduzir isso no próprio rosto sem entender que cada estrutura facial é única”, diz.

Segundo ele, o aumento da procura por reversões mostra que muitas pessoas passaram a repensar a relação com procedimentos estéticos e com a própria imagem. “Estamos vendo um retorno à naturalidade. As pessoas querem envelhecer bem, querem aparência saudável, leve e harmônica. Hoje o excesso deixou de ser sinônimo de beleza”, afirma.

O especialista reforça ainda que o papel do médico vai além da execução técnica e envolve responsabilidade na condução das expectativas dos pacientes. “Muitas vezes o correto é justamente frear excessos e orientar sobre os limites do rosto e da anatomia”, pontua.

Para Sabath, a chamada “era da desarmonização” representa uma mudança mais profunda na estética contemporânea. “A estética precisa valorizar a identidade do paciente, e não apagar quem ele é. A verdadeira beleza hoje está justamente em parecer você mesmo”, conclui.

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