Saúde • 13:44h • 09 de janeiro de 2026
Corpo definido em poucas semanas, o risco escondido dos treinos de verão
Pressa por resultados, calor intenso e treinos sem preparo elevam casos de dor, inflamações e afastamento de atividades físicas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tinteiro Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Com a chegada do verão, cresce a pressão por mudanças rápidas no corpo e, junto com ela, aumenta o número de pessoas que dobram cargas na academia, retomam a corrida sem adaptação ou entram de forma intensa nos esportes de areia. O resultado costuma aparecer em poucas semanas, dores no joelho, tornozelo, coluna, ombro e panturrilha, além de contraturas e inflamações que interrompem a rotina logo no início da estação.
A fisioterapeuta Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas, explica que o problema raramente está no exercício em si, mas na forma como ele é introduzido. Segundo ela, o verão estimula o movimento e as atividades ao ar livre, porém muitas pessoas tentam compensar meses de sedentarismo com treinos intensos em um curto espaço de tempo. O corpo responde com dor, queda de desempenho e, em muitos casos, lesão.
Esse comportamento se soma a um cenário já conhecido. Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, indicam que parte expressiva da população adulta brasileira ainda não atinge níveis adequados de atividade física no tempo livre. Ao mesmo tempo, a Organização Mundial da Saúde recomenda entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, com fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. Sair do sedentarismo direto para volumes acima do recomendado, sem progressão, aumenta o risco de sobrecarga, efeito que se intensifica com as altas temperaturas.
A promessa de transformação rápida também encontra respaldo em um mercado fitness amplo, com o Brasil figurando entre os países com maior número de academias. Para a fisioterapeuta, o acesso facilita, mas não substitui orientação individual. Metas irreais, pouco descanso e execução inadequada de exercícios formam uma combinação frequente nos primeiros meses do ano e ajudam a explicar o aumento das queixas musculoesqueléticas em janeiro e fevereiro.
No consultório, os padrões se repetem. Quem volta a correr acelera volume e intensidade e ignora sinais iniciais de sobrecarga. Quem busca “secar” combina musculação com excesso de cardio, reduz horas de sono e aumenta o uso de estimulantes. Já nos esportes de praia, o risco costuma ser subestimado, a areia exige mais de tornozelos e joelhos, enquanto saltos e arrancadas elevam a chance de entorses e tendinopatias. Sem adaptação, o verão vira temporada de gelo e anti-inflamatórios, não de saúde.
Para reduzir riscos, a especialista destaca alguns cuidados essenciais
O primeiro é a progressão realista, aumentos de carga, volume ou intensidade devem ocorrer ao longo de semanas, não de dias. O segundo é combinar força com mobilidade, musculação bem planejada protege articulações, enquanto mobilidade e controle motor ajudam a distribuir melhor as cargas. O terceiro é o manejo do calor, com hidratação ao longo do dia, treinos em horários mais frescos, roupas adequadas e pausas. O quarto é o sono e a recuperação, sem descanso, o tecido não se recupera e o ganho vira perda.
Mariana também orienta atenção a sinais que indicam a necessidade de avaliação profissional, como dor que piora a cada treino, alteração na forma de andar, formigamento, perda de força, dor noturna, inchaço persistente ou sensação de instabilidade. Dor repetida e crescente costuma indicar sobrecarga, e a fisioterapia pode ajudar a corrigir padrões de movimento e ajustar o treino para manter a pessoa ativa.
Para quem busca resultado estético sem comprometer a saúde, a recomendação é trocar a lógica do atalho pela do planejamento. Mudanças corporais sustentáveis dependem de rotina, alimentação, sono e treino progressivo. O verão pode ser o início de um hábito consistente, não apenas um projeto de poucas semanas.
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