Economia • 14:08h • 26 de maio de 2026
Copa de 2026 já movimenta consumo no Brasil, mas especialistas alertam para risco de endividamento
Viagens, eletrônicos, bares e gastos impulsivos ligados ao torneio podem pressionar ainda mais famílias que já operam com orçamento comprometido
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A aproximação da Copa do Mundo de 2026 já começa a movimentar o consumo entre brasileiros interessados em viagens internacionais, televisores, camisas oficiais, encontros em bares e experiências ligadas ao torneio. O entusiasmo em torno do evento, porém, também acende um alerta financeiro em um momento em que muitas famílias seguem com a renda pressionada e convivem com altos níveis de endividamento.
Especialistas em educação financeira afirmam que grandes eventos esportivos costumam provocar aumento do consumo emocional, principalmente quando envolvem pertencimento coletivo, entretenimento e sensação de oportunidade única. Nesse cenário, gastos aparentemente pequenos ou parcelamentos considerados “leves” podem gerar impacto acumulado no orçamento ao longo dos meses seguintes.
Dados recentes do Banco Central mostram que o comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas continua elevado. O cenário indica que boa parte da população já opera com orçamento apertado antes mesmo de assumir despesas extraordinárias ligadas ao torneio.
Segundo Ricardo Hiraki, especialista em educação financeira e sócio fundador da Plano Fintech, a emoção costuma reduzir a percepção de risco financeiro durante períodos de grande mobilização popular. “Quando o consumo vem carregado de emoção, a análise racional perde espaço. Isso vale para a compra da televisão nova, para a camisa oficial, para a viagem de última hora ou até para pequenos gastos repetidos com confraternizações e apostas. Separadamente parecem controláveis. Juntos, podem virar um problema silencioso”, afirma.
Viagem para a Copa exige planejamento maior
A edição de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, fator que amplia ainda mais o peso financeiro para quem deseja acompanhar os jogos presencialmente. Passagens aéreas, hospedagem, ingressos, alimentação, transporte e variação cambial entram na conta em um cenário de dólar elevado e crédito caro no Brasil.
Especialistas afirmam que a ausência de planejamento costuma levar consumidores ao parcelamento excessivo ou ao uso de linhas de crédito mais caras, como cartão rotativo e empréstimos pessoais.
Além das viagens, o período da Copa também tende a impulsionar despesas menores, mas frequentes. Delivery, assinaturas temporárias de plataformas, apostas esportivas, confraternizações, souvenires e consumo em bares podem gerar efeito acumulativo sem percepção imediata do impacto financeiro.
Parcelamentos podem mascarar custo real
Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o percentual de famílias endividadas no país segue elevado em 2026, mostrando que o orçamento doméstico já enfrenta pressão significativa antes da chegada do torneio.
Nesse contexto, especialistas alertam que o parcelamento prolongado de produtos não essenciais costuma criar falsa sensação de controle financeiro. Televisores, celulares e pacotes de viagem adquiridos em muitas parcelas acabam comprometendo a renda por períodos muito maiores do que a duração do evento esportivo.
Para Hiraki, o principal cuidado é impedir que a empolgação momentânea ultrapasse a realidade financeira de cada família. “Não se trata de deixar de aproveitar a Copa, mas de evitar que um evento de poucas semanas gere um impacto financeiro que dure o ano inteiro. O entretenimento precisa caber dentro da realidade financeira de cada família. A conta da emoção sempre chega”, afirma.
Como evitar que a Copa vire dívida
Especialistas recomendam algumas medidas para reduzir riscos de endividamento durante o período da Copa:
- definir um limite máximo de gastos antes de consumir;
- evitar parcelamentos longos para despesas não essenciais;
- calcular o custo total de viagens internacionais;
- revisar a situação financeira antes de assumir novos compromissos;
- diferenciar consumo planejado de impulso emocional.
Segundo educadores financeiros, o planejamento continua sendo a principal ferramenta para equilibrar entretenimento e saúde financeira em períodos de forte apelo emocional e consumo coletivo.
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