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Economia • 13:49h • 31 de maio de 2026

Copa de 2026 aumenta alerta sobre bets e avanço das dívidas entre famílias brasileiras

Estudos apontam que apostas esportivas online já pressionam mais o orçamento doméstico do que juros altos e crédito fácil

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

De diversão a dívida: avanço das apostas esportivas preocupa especialistas antes da Copa
De diversão a dívida: avanço das apostas esportivas preocupa especialistas antes da Copa

A proximidade da Copa do Mundo de 2026 voltou a acender um alerta entre especialistas em educação financeira e consumo: o crescimento das apostas esportivas online já aparece como um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. Em um cenário de recorde de endividamento no país, estudos apontam que as chamadas “bets” passaram a competir diretamente com despesas essenciais e comprometer parte relevante da renda doméstica.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR), em parceria com a FIA Business School, mostra que as apostas esportivas já superam fatores tradicionais, como juros elevados e expansão do crédito, entre os vetores recentes de endividamento familiar.

Segundo os pesquisadores, o avanço das plataformas digitais alterou o comportamento financeiro de parte dos consumidores, deslocando recursos antes destinados a consumo, poupança e pagamento de contas para apostas recorrentes.

O cenário preocupa ainda mais com a chegada da Copa do Mundo, período historicamente associado ao aumento da exposição publicitária das plataformas de apostas, maior engajamento emocional com o futebol e crescimento do volume de apostas online.

Endividamento ligado às apostas mais que dobrou

Os reflexos já aparecem em pesquisas sobre comportamento financeiro da população. Levantamento do PoderData aponta que 35% dos brasileiros que realizam apostas online afirmam já ter se endividado em função das bets.

Cerca de um ano antes, esse percentual era de 16%, mostrando que o problema mais do que dobrou no período analisado.

Segundo os dados, o impacto aparece de forma mais intensa entre homens, pessoas de menor renda e grupos em situação de maior vulnerabilidade financeira.

Ao mesmo tempo, o Brasil segue convivendo com índices históricos de endividamento. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida em abril de 2026, maior percentual já registrado pela série histórica.

Além disso, o cartão de crédito continua liderando as modalidades de endividamento no país, mantendo parte significativa da renda comprometida com pagamentos parcelados e juros.

Especialistas alertam para ciclo emocional das apostas

Para especialistas, o crescimento das apostas esportivas amplia comportamentos impulsivos ligados à tentativa de recuperação rápida de perdas financeiras, fenômeno que costuma se intensificar em períodos de grande mobilização emocional, como a Copa do Mundo.

Segundo Marco Afonso, especialista de negócios da fintech Simplic, o problema vai além do valor inicialmente apostado. “O crescimento das apostas esportivas amplia um comportamento de risco já observado em cenários de pressão financeira: a tentativa de recuperar perdas por meio de novas apostas. Esse ato pode acelerar o comprometimento do orçamento e criar um ciclo difícil de interromper”, afirma.

Ele explica que a dinâmica emocional das apostas tende a estimular decisões impulsivas e recorrentes. “As apostas acabam mexendo com um componente emocional muito forte, principalmente em grandes eventos como a Copa do Mundo. Muitas pessoas começam apostando valores baixos, mas entram em uma lógica de tentar recuperar perdas rapidamente. Quando isso passa a acontecer com frequência, o impacto financeiro tende a ser cumulativo, comprometendo as despesas essenciais da família”, diz.

Desenrola Brasil cria restrição para apostadores

Diante do avanço do endividamento, programas de renegociação ganharam protagonismo como alternativa para reorganização financeira das famílias brasileiras.

Entre eles está o novo Desenrola Brasil, iniciativa voltada à renegociação de dívidas com descontos que podem chegar a 90%, além da possibilidade de utilização do FGTS em determinadas condições.

O programa, porém, também passou a incluir uma restrição específica ligada às apostas online: consumidores que aderirem à renegociação ficam impedidos de utilizar plataformas de apostas por 12 meses.

A medida busca evitar que o ciclo de endividamento continue durante o período de recuperação financeira. Para especialistas, o combate ao problema depende não apenas da renegociação das dívidas, mas também de mudanças no comportamento financeiro e maior educação sobre consumo e apostas digitais.

“Renegociar dívidas é importante, mas recuperar o controle financeiro exige também rever hábitos de consumo e estabelecer limites claros para o uso do dinheiro. Em períodos de grande apelo emocional, como a Copa, planejamento e educação financeira fazem diferença para que o entretenimento não se transforme em um problema de longo prazo”, conclui Marco Afonso.

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