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Responsabilidade Social • 15:12h • 27 de março de 2026

Combate ao assédio: mulheres seguem como principais vítimas no trabalho

Dados mostram que uma em cada seis mulheres sofre assédio no trabalho. Brasil tem extrema direita como trava no Congresso para ratificar convenção que protege as mulheres

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da CUT | Foto: Arquivo Âncora1

Os assédios moral e sexual, são as formas mais persistentes de violência no trabalho, atingindo de maneira desproporcional as mulheres trabalhadoras.
Os assédios moral e sexual, são as formas mais persistentes de violência no trabalho, atingindo de maneira desproporcional as mulheres trabalhadoras.

No Mês Internacional da Mulher, o enfrentamento à violência ganha destaque, mas o debate vai além dos casos extremos. A violência também se manifesta no ambiente de trabalho, que deveria ser seguro, mas frequentemente reproduz desigualdades de gênero, raça e poder.

Entre as formas mais recorrentes estão o assédio moral e o assédio sexual, que atingem principalmente as mulheres. Dados recentes do Tribunal Superior do Trabalho mostram que uma em cada seis trabalhadoras já sofreu algum tipo de assédio. Em 2025, foram registrados 142.828 novos processos por assédio moral, alta de 22% em relação ao ano anterior. Já os casos de assédio sexual somaram 12.813 ações, crescimento de cerca de 40%. As mulheres representam aproximadamente 70% das vítimas.

O problema é ainda mais grave quando se observa o contexto geral de violência de gênero no país. Levantamentos indicam que 37,5% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência ao longo da vida. Esse cenário impacta diretamente o ambiente profissional, afetando a saúde mental, a renda e a permanência das mulheres no mercado de trabalho.

O assédio moral ocorre por meio de práticas repetitivas que expõem a vítima a situações humilhantes, podendo vir de superiores, colegas ou até da própria estrutura organizacional. Já o assédio sexual envolve condutas de natureza sexual indesejada, que podem ocorrer uma única vez, mas com grande impacto. Além da forma prevista em lei, há também situações que tornam o ambiente hostil, como comentários e insinuações.

As mulheres são mais vulneráveis a esse tipo de violência devido a fatores estruturais, como desigualdade salarial, maior presença em empregos precarizados e a sobrecarga da dupla jornada. Normas culturais que reforçam a submissão feminina também dificultam a denúncia.

Apesar da gravidade, muitos casos não são registrados. Quase metade das vítimas não denuncia por medo de retaliação ou de perder o emprego. Esse silêncio pode gerar consequências sérias, como ansiedade, depressão e afastamento do trabalho. Para as empresas, os impactos incluem queda de produtividade e aumento de processos judiciais.

O enfrentamento exige ações conjuntas. Para as vítimas, é importante registrar os episódios, guardar provas e buscar apoio em sindicatos e canais institucionais. Já empresas e poder público devem investir em políticas de prevenção, acolhimento e punição.

Especialistas também defendem o fortalecimento da legislação e a ampliação do debate sobre o tema. Promover ambientes de trabalho mais seguros passa, necessariamente, pela conscientização, pelo diálogo e pela responsabilização de condutas abusivas.

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