Variedades • 20:20h • 05 de junho de 2026
Cliente não vai embora só por preço: o verdadeiro motivo que faz marcas serem esquecidas
Especialista alerta que atendimento rápido virou obrigação e empresas agora disputam algo muito mais difícil: permanecer na memória do consumidor
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Responder rápido, atender pelo WhatsApp e resolver problemas básicos já foi visto como diferencial competitivo. Hoje, virou obrigação. Com inteligência artificial, automação e plataformas de atendimento cada vez mais acessíveis, empresas de diferentes tamanhos passaram a oferecer experiências muito parecidas ao consumidor. E isso criou um novo desafio: ser lembrado.
Na prática, muitas marcas conseguem vender, mas encontram dificuldade crescente para manter clientes por muito tempo. Produtos semelhantes, preços comparados em segundos e atendimento padronizado fizeram a disputa sair do campo da eficiência e migrar para outro território: a experiência emocional criada durante a relação com o cliente.
Segundo Bethel Lombardi, especialista em experiência do cliente e criador do método EPL, Encantar para Lucrar, muitas empresas ainda acreditam que atendimento correto é suficiente para fidelizar consumidores, quando, na verdade, ele apenas evita frustração. Para o especialista, o cliente tende a permanecer quando percebe conveniência real, atenção genuína e uma experiência capaz de gerar lembrança positiva depois da compra.
Consumidor troca de marca com menos resistência
A facilidade para comparar preços, serviços e avaliações reduziu drasticamente a fidelidade automática entre consumidor e empresa. Hoje, pequenas diferenças na experiência podem definir se o cliente volta ou procura outra marca na próxima compra.
Pesquisas internacionais já apontam essa mudança de comportamento. Estudos da PwC indicam que experiência passou a ocupar posição central na decisão de compra de grande parte dos consumidores. Relatórios da Salesforce também mostram que clientes esperam interações rápidas, integradas e personalizadas em todos os canais de atendimento.
Nesse cenário, responder rápido deixou de impressionar. O básico passou a ser esperado. Segundo Lombardi, muitas empresas perdem clientes não necessariamente por erros graves, mas porque a experiência oferecida não gera conexão, identificação ou qualquer tipo de lembrança positiva.
Quando tudo parece igual, o consumidor troca de marca com facilidade, principalmente se encontrar preço melhor, entrega mais rápida ou menos dificuldade no atendimento.
Pós-venda ainda é um dos maiores pontos de falha
Outro problema recorrente aparece depois da conclusão da compra. Muitas empresas concentram energia na conversão da venda e praticamente desaparecem após o pagamento. Segundo especialistas, esse comportamento enfraquece relacionamento, reduz recompra e aumenta a necessidade de investimentos constantes em anúncios para conquistar novos consumidores.
Empresas que conseguem manter presença no pós-venda, oferecer suporte acessível e criar relacionamento contínuo costumam gerar maior recorrência, indicação espontânea e previsibilidade financeira.
Além disso, várias falhas silenciosas continuam desgastando a experiência do consumidor sem que muitas empresas percebam. Repetição de informações, canais desconectados, demora excessiva e dificuldade para resolver questões simples aparecem entre os principais fatores de desgaste atuais.
Atendimento deixou de ser apenas operação
Para Lombardi, um dos erros mais comuns está em tentar resolver problemas de relacionamento apenas com scripts prontos, frases motivacionais e treinamentos superficiais. Segundo ele, muitas falhas estão ligadas à cultura interna da empresa, aos processos operacionais e à forma como a jornada do cliente foi construída.
Entre os principais pontos que merecem atenção, o especialista destaca a necessidade de reduzir atritos invisíveis no atendimento, personalizar soluções de forma útil, manter acompanhamento após a venda e criar experiências que façam o consumidor se sentir reconhecido.
Mais do que acelerar respostas, empresas passaram a disputar algo mais difícil: espaço na memória das pessoas. Com a inteligência artificial nivelando processos básicos, especialistas avaliam que o diferencial competitivo tende a ficar cada vez mais ligado à capacidade de criar relações mais humanas, fluidas e emocionalmente relevantes para o consumidor.
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