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Saúde • 14:02h • 17 de maio de 2026

Ciência aponta que brincar ao ar livre protege desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças

Especialistas alertam que excesso de telas, falta de movimento e ausência de convivência impactam saúde emocional, aprendizado e desenvolvimento infantil

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Presse | Foto: Divulgação

Fora das telas, dentro da vida: crianças ansiosas e sedentárias reacendem debate sobre brincar ao ar livre
Fora das telas, dentro da vida: crianças ansiosas e sedentárias reacendem debate sobre brincar ao ar livre

O aumento do tempo de exposição às telas entre crianças brasileiras vem preocupando especialistas em saúde, educação e desenvolvimento infantil. Em meio ao crescimento de casos de ansiedade, sedentarismo, dificuldade de socialização e até diagnósticos precoces de transtornos comportamentais, pesquisadores e profissionais defendem uma mudança de rota: devolver espaço ao brincar livre, ao movimento e às experiências ao ar livre.

O debate ganhou força nos últimos anos diante da transformação da rotina infantil. Segundo especialistas, atividades que antes faziam parte da infância, como correr, explorar, brincar na rua e interagir presencialmente com outras crianças, perderam espaço para celulares, tablets, televisores e videogames.

Hoje, o tempo médio de exposição de crianças brasileiras às telas já supera quatro horas diárias, cenário que começa a produzir impactos observados tanto em consultórios quanto nas escolas.

Para a psicopedagoga e professora Aline Vieira Mendonça, o brincar livre deixou de ser apenas uma escolha de estilo de vida e passou a representar uma necessidade importante para o desenvolvimento infantil. “As pessoas estão buscando, em um espaço de moradia, realmente o viver em um clube. Um lugar onde a casa seja a área mais íntima e todo o entorno seja uma extensão dela, com segurança, com natureza, com espaço para os filhos crescerem”, afirma.

Ciência relaciona excesso de telas a impactos no desenvolvimento

Pesquisas recentes reforçam a preocupação dos especialistas. Um estudo publicado na revista científica JAMA Pediatrics mostrou que crianças com mais de uma hora diária de exposição às telas aos 2 anos apresentaram pior desempenho em habilidades de comunicação aos 4 anos.

Segundo os pesquisadores, o brincar ao ar livre funcionou como fator de proteção, reduzindo parte dos impactos negativos relacionados ao uso excessivo de dispositivos digitais. Outro levantamento envolvendo crianças de 2 a 5 anos identificou associação direta entre tempo ao ar livre e melhora nas habilidades sociais, enquanto o excesso de telas apareceu relacionado a dificuldades de comportamento e interação.

Especialistas destacam que atividades livres ajudam no desenvolvimento cognitivo, emocional e motor das crianças, além de estimularem autonomia, criatividade e capacidade de resolução de problemas.

Brincar livremente ajuda no desenvolvimento emocional

De acordo com estudos em neurociência, o brincar não estruturado, quando a própria criança define regras, objetivos e ritmo das atividades, estimula o córtex pré-frontal, região cerebral ligada ao planejamento, controle emocional e tomada de decisões.

Em outras palavras, brincar também participa diretamente da construção da capacidade de pensar, lidar com frustrações e desenvolver autonomia emocional. Aline Mendonça afirma que a sensação de segurança no ambiente faz diferença importante nesse processo. “Você ter um local onde está despreocupado com os filhos na rua, vivendo com menos preocupação, isso muda tudo. A criança sente essa liberdade e se desenvolve de outra forma”, explica.

Segundo especialistas, o medo da violência urbana e a redução de espaços adequados para convivência infantil contribuíram para o isolamento das crianças dentro de casa. O resultado, segundo eles, aparece em uma geração mais sedentária, ansiosa e com menos oportunidades de interação presencial.

Especialistas alertam para medicalização precoce

O crescimento dos diagnósticos de TDAH e outros transtornos comportamentais em crianças pequenas também entrou no centro do debate. Especialistas ressaltam que os transtornos existem e precisam de acompanhamento adequado, mas alertam que parte dos comportamentos observados atualmente pode estar relacionada ao estilo de vida empobrecido de experiências físicas, sociais e sensoriais.

“A criança que não tem onde gastar energia, que passa horas estimulada por telas, vai apresentar comportamentos que preocupam. Antes de qualquer conclusão, é preciso perguntar: essa criança brinca? Ela tem espaço para isso?”, afirma Aline Mendonça.

A Academia Americana de Pediatria também recomenda que telas não substituam brincadeiras, movimento e convivência familiar, considerados pilares fundamentais do desenvolvimento saudável.

Busca por espaços mais abertos influencia escolha de moradia

A preocupação com qualidade de vida infantil também começa a influenciar decisões familiares relacionadas à moradia. Segundo especialistas do setor imobiliário, cresce no Brasil a procura por condomínios e empreendimentos que ofereçam áreas abertas, espaços esportivos, natureza e segurança para crianças brincarem ao ar livre.

Projetos como o Reserva Home Club, em Tubarão (SC), passaram a incorporar áreas de convivência, quadras, lago, paisagismo e espaços voltados à interação entre famílias. “O principal objetivo foi criar espaços de convivência que potencializem as memórias das pessoas. As famílias não estão mais procurando apenas uma casa. Estão procurando um lugar onde os filhos possam crescer com autonomia”, afirma Felipe Esmeraldino, sócio-proprietário do empreendimento.

Como estimular uma infância menos dependente das telas

Especialistas orientam que pequenas mudanças na rotina já podem ajudar no desenvolvimento infantil. Entre as recomendações estão reservar ao menos uma hora diária para atividades ao ar livre, limitar o uso de telas principalmente nos primeiros anos de vida e incentivar brincadeiras livres, sem excesso de direcionamento adulto.

Também é recomendado valorizar momentos de tédio e criatividade espontânea, permitindo que a própria criança crie formas de brincar e explorar o ambiente. “A gente precisa criar condições para que as crianças vivam experiências reais. Memórias se fazem com o corpo em movimento, com amigos, com natureza. Nenhuma tela consegue oferecer isso”, resume Aline.

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